A segunda fase do vestibular da Unicamp começou de forma inovadora. Pela primeira vez os alunos tinham que escolher entre duas propostas distintas de redação e os gêneros deste ano não costumam dar as caras: roteiro de podcast e crônica. Para o podcast, a proposta era relacionar biodiversidade e sociodiversidade; a crônica deveria ser sobre machismo.

Para a professora de redação do Poliedro Campinas, Gabriele Cavalin, mesmo que a pessoa nunca tivesse ouvido um podcast na vida ou lido uma crônica, seria possível cumprir a proposta, já que a principal referência são os textos apresentados pela própria prova.

“A Unicamp não espera que você saiba todos os gêneros textuais possíveis, o que é impossível, mas ela quer que você vista uma máscara e produza um texto que seria aproveitado numa situação real, que pudesse ser de fato publicado. Por exemplo, a crônica, num jornal, e o roteiro, num podcast propriamente dito”, conta Vitor Gabriel Lopes da Silva, professor de redação do Cuja, cursinho popular da Unifesp.

Cavalin conta que a maioria dos alunos com quem conversou optaram pela crônica: “machismo é um tema forte nessa geração”, avalia. “Por mais que podcast seja um gênero em ascensão, algo para se pensar é se juventude está acostumada a ouvi-los ou se são coisas de jovens ‘mais velhos'”.

O candidato também precisou responder oito questões de português e literatura, além de duas questões interdisciplinares em inglês.

Para Vitor Ricci, também do Poliedro Campinas, a prova da Unicamp manteve a tradição de explorar aspectos políticos, como a questão que discutia o filme Bacurau e o processo da formação da palavra “bacuralizar” ou a questão que pedia para analisar a afirmação de que escrever dicionários tem também uma conotação política.

Para Heric José Palos, coordenador de português do Grupo Etapa, essa não foi uma prova particularmente difícil, embora tenha sido exigente com os fundamentos da disciplina: capacidade de leitura e redacional.

Edmilson Motta, coordenador geral do Etapa, diz que as questões de inglês, novidades do exame, eram acessíveis. Os textos eram curtos, de um ou dois parágrafos. Ele classifica a estreia como adequada, no sentido de tornar o inglês uma disciplina mais importante. Uma questão tratava do ataque às Torres Gêmeas em 11 de setembro de 2001 e outra falava sobre os riscos à estabilidade do ecossistema global, o que inclui a perda de diversidade genética.

Segundo a Comvest (Comissão Permanente para os Vestibulares da Unicamp), 12.200 pessoas fizeram a prova neste domingo (13), com uma taxa de abstenção de 10,2%, a menor desde 2017.

No segundo dia, nesta segunda (13) todos os candidatos farão uma prova com seis questões de matemática, duas interdisciplinares de ciências da natureza e duas interdisciplinares de ciências humanas.

Além disso, haverá a prova de conhecimentos específicos, com 12 questões extras a depender da área pretendida. Candidatos da área de ciências biológicas ou da saúde terão seis questões de biologia e seis de química; os da área de ciências exatas e tecnológicas terão seis questões de física e seis de química; por fim, os candidatos das humanidades e artes terão seis questões de geografia e seis de história, que englobam também conteúdos de filosofia e sociologia, de acordo com a Comvest. Nessa fase, em média, há 5,29 candidatos por vaga.

Provas de habilidades específicas, como para os que pretendem cursar artes cênicas ou arquitetura e urbanismo, acontecerão entre 20 e 24 de janeiro, em Campinas.

A divulgação dos aprovados em primeira chamada deve acontecer em 10 de fevereiro.

Fonte: Agencia Brasil