A Bahia é um dos 11 estados que estão em alerta para um potencial risco de surto de dengue em 2020, segundo aponta o Ministério da Saúde. O estado apresentou um aumento considerável de casos de 2018 para 2019.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, em 2019 foram registrados 10.080 casos de dengue em Salvador, contra apenas 843 registrados em 2018. O aumento é de aproximadamente 1.095%. No estado, também houve crescimento. 

O monitoramento apontou que, entre dezembro de 2018 a dezembro de 2019, foram notificados 67.453 casos como prováveis de dengue, sendo 88 deles tendo mortes confirmadas pela doença, 37 suspeitas de óbitos descartados e 20 outros casos permanecem em investigação. No mesmo período de 2018, foram notificados 9.553 casos prováveis, o que representa um aumento de 606%. O levantamento foi feito em 389 dos 417 municípios da Bahia.

Segundo o Minitério da Saúde, a dengue é uma doença sazonal, com maior índice de manifestação no Verão, por ser um período quente e chuvoso, propício para a proliferação do mosquito Aedes aegypti. Por conta disso, Salvador já iniciou as primeiras operações de eliminação dos focos do mosquito, com foco inicial na região onde ocorrerá a Lavagem do Bonfim, já que a festa reúne em torno de 2 milhões de visitantes.

Além da Bahia, estão também na lista de estados em alerta para o aumento da dengue Alagoas, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe, Rio de Janeiro e Espírito Santo.

O Ministério da Saúde explica que o alerta ocorre porque, no fim de 2018, o tipo 2 do vírus da dengue voltou a circular depois de 10 anos, encontrando populações suscetíveis à doença desde então. “Existem quatro tipos de vírus de dengue (sorotipos 1, 2, 3 e 4). Cada pessoa pode ter os 4 sorotipos da doença, mas a infecção por um sorotipo gera imunidade permanente para ele. O sorotipo 2 que está circulando em algumas regiões do Brasil, tem um potencial de vírus maior de manifestação grave”, disse a pasta em comunicado à imprensa.

Para evitar o aumento exacerbado dos casos, a pasta manterá uma mobilização nacional durante todo o ano. “A medida traz mais tempo aos gestores locais e a população para desenvolverem ações estratégicas no combate ao Aedes aegypti, de acordo com a realidade de cada região”, disse no comunicado.

A pasta explica que surto é quando acontece o aumento repentino do número de casos de uma doença em uma região específica. Para ser considerado surto, o aumento de casos deve ser maior do que o esperado pelas autoridades. 

Em Salvador, ainda segundo a SMS, houve aumento nos casos de outras arboviroses provocadas pelo Aedes aegypti. Em 2019, foram registrados 3.641 casos de Chikungunya e 868 de Zika na capital baiana. Em 2018, foram 158 vítimas de Chikungunya e 138 do Zika vírus.

Dados nacionais
Os dados preliminares do Ministério da Saúde apontam que, no ano passado, foram registrados 1.544.987 casos prováveis de dengue, um aumento de 488,3% se comparado com 2018, quando foram registrados 262.594 casos da doença. Já em relação às mortes, houve aumento de 289% nos dados de 2019 (782) com 2018 (201).

Já em relação à chikungunya, 2019 registrou 132.205 casos, o que significa um aumento de 52,3% em relação aos dados de 2018 (86.770). Os óbitos também saltaram em 104,4% se comparados os anos de 2019 (92) com 2018 (45).

A zika, em 2019, vitimou 10.708 pessoas em território nacional, um aumento de 30% se comparado com 2018, quando foram registrados 8.219 casos da doença. Já em relação às mortes, houve queda de 50% nos dados de 2019 (3) com 2018 (6).

Principais sintomas e complicações de cada doença

Dengue
Das três arboviroses, ela é a mais conhecida e antiga no Brasil. Os sintomas são febre alta, que geralmente dura de 2 a 7 dias, dor de cabeça, dores no corpo e articulações, prostração, fraqueza, dor atrás dos olhos, erupção e coceira na pele. Nos casos graves, o doente também pode ter sangramentos no nariz e gengivas, dor abdominal, vômitos persistentes, sonolência, irritabilidade, hipotensão e tontura. Ao surgirem os sintomas, o paciente deve procurar atendimento médico. Geralmente, as recomendações são ficar de repouso e ingerir bastante líquido. 

Chikungunya 
De acordo com o Ministério da Saúde, os primeiros casos da doença no Brasil apareceram em setembro de 2014 em Oiapoque, no Amapá. O principal sintoma é a dor nas articulações de pés e mãos, que é mais intensa do que nos quadros de dengue. Além disso, causa também febre repentina acima de 39 graus, dor de cabeça, dor nos músculos e manchas vermelhas na pele. Segundo o MS, as mortes são raras e cerca de 30% dos casos não chegam a desenvolver sintomas. Para tratar é preciso ficar de repouso e consumir bastante líquido. Não é recomendado usar o ácido acetil salicílico (AAS) devido ao risco de hemorragia.

Zika 
Pacientes com essa doença apresentam febre mais baixa que a da dengue e chikungunya, olhos avermelhados e coceira característica. Normalmente a zika não causa morte, e os sintomas não duram mais que sete dias, mas vale ressaltar que ela relaciona-se com uma síndrome neurológica que causa paralisia, a Síndrome de Guillain-Barré, e também com casos de microcefalia. O paciente infectado pelo zika também pode apresentar diarreia e sinais de conjuntivite. Assim como nas outras viroses, o tratamento consiste em repouso, ingestão de líquidos e remédios que aliviam os sintomas e que não contenham AAS.

Ações para acabar com os focos do mosquito Aedes:
1 – Mantenha bem tampados caixas, tonéis e barris de água.
2 – Coloque o lixo em sacos plásticos e mantenha a lixeira sempre bem fechada.
3 – Não jogue lixo em terrenos baldios.
4 – Se for guardar garrafas de vidro ou plástico, mantenha-as sempre com a boca para baixo.
5 – Não deixe a água da chuva acumular sobre a laje e calhas entupidas.
6 – Encha os pratinhos ou vasos de planta com areia até a borda.
7 – Se for guardar pneus velhos em casa, retire toda a água e mantenha-os em locais cobertos, protegidos da chuva.
8 – Limpe as calhas com freqüência, evitando que galhos e folhas possam impedir a passagem da água.
9 – Lave com freqüência, com água e sabão, os recipientes utilizados para guardar água, pelo menos uma vez por semana.
10 – Os vasos de plantas aquáticas devem ser lavados com água e sabão, toda semana. É importante trocar a água desses vasos com freqüência.
11- Piscinas e fontes decorativas devem ser sempre limpas e ‘cloradas’.
12- Sempre que possível evite o cultivo de plantas como bromélias ou outras que acumulem água em suas partes externas.

Fonte: Correio