O apresentador de TV José Luiz Datena ainda não desistiu de concorrer à Prefeitura de São Paulo. Ele deve discutir o assunto com a cúpula do MDB no sábado, enquanto mantém conversas regulares com o PSB. Embora nunca tenha sido candidato, Datena foi citado nas últimas duas eleições como um possível nome nas urnas. “Está em aberto minha filiação a um partido”, disse ele ao jornal O Estado de S. Paulo, assegurando que uma resposta sobre seu futuro político somente será dada em 15 de março.

Mesmo nos bastidores, Datena tem afirmado que não pretende ser o candidato oficial do Palácio do Planalto, apesar de apontado como o nome preferido do presidente Jair Bolsonaro para a eleição na capital paulista. As tratativas com o MDB vinham sendo conduzidas até aqui pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, que recebeu Bolsonaro em um almoço na segunda-feira. Ainda filiado ao MDB, o empresário é um dos organizadores do Aliança pelo Brasil, partido que Bolsonaro quer criar.

Agora, a operação para filiar Datena ao MDB será assumida pelo presidente nacional do partido, o deputado Baleia Rossi (SP). No Estado, a sigla é aliada do governador João Doria (PSDB), rival de Bolsonaro, e dirigentes paulistas dizem estar próximos de uma aliança com o prefeito Bruno Covas (PSDB), que disputará a reeleição. “Da parte do MDB da capital, nossa conversa com o Bruno está bem avançada. Só falta pegar na mão. O Datena nunca me telefonou”, disse o vereador Ricardo Nunes, presidente do diretório do MDB da capital paulista.

O acordo com o MDB teria que envolver um pacto de não agressão com Doria e Covas, algo difícil de cumprir no calor de uma campanha eleitoral.

Outra possibilidade levantada pelo apresentador é formar uma dobradinha com o ex-governador Márcio França (PSB). “Datena seria muito bem-vindo no PSB”, afirmou o deputado estadual Caio França (PSB), filho do ex-governador.

Ausência
Bolsonaro já manifestou publicamente a simpatia pelo apresentador. Ele precisa de um palanque forte em São Paulo, onde Doria já tem candidato.

Datena era esperado por Bolsonaro e Skaf no palanque da cerimônia de lançamento da pedra fundamental do primeiro Colégio Militar de São Paulo, que será construído em um terreno ao lado do Campo de Marte, zona norte da capital, na última segunda-feira. Datena também estava na lista de convidados do almoço, mas não compareceu. O presidente e o apresentador acabaram se encontrando rapidamente nos corredores da TV Bandeirantes antes do retorno da comitiva a Brasília. “E aí, Datena, pronto para a batalha?”, brincou Bolsonaro, segundo presentes.

Eles não falaram sobre política. A ausência foi vista pelo entorno de Bolsonaro como um sinal de que, caso decida entrar no jogo, o apresentador será um candidato “independente”.

Saúde
Na semana retrasada, o apresentador foi fazer um exame de rotina no Hospital Sírio Libanês e acabou passando por um procedimento de cateterismo. Questionado sobre o peso do cirurgia em sua decisão, ele disse que agora está mais forte, tanto que voltou ao seu programa de TV pouco tempo depois de deixar o hospital.

Políticos de São Paulo avaliam que, a cada dia, a construção da candidatura de Datena fica mais difícil, já que dirigentes partidários estão correndo para articular alianças. Partidos de médio porte, como o PSD, do ex-ministro Gilberto Kassab, já têm compromissos já assumidos com outros candidatos. Partidos pequenos podem até oferecer espaço, mas têm outros problemas. Eles não participam de debates, por exemplo.

Em 2016, Datena chegou a ser pré-candidato a prefeito de São Paulo pelo PP, mas desistiu de entrar no páreo por causa das denúncias de corrupção contra o partido na Lava Jato. Dois anos depois, em 2018, o apresentador estava filiado ao DEM e na última hora abriu mão de disputar uma vaga ao Senado. A volta ao partido não é considerada um caminho viável porque a legenda tem o vice-governador de São Paulo, Rodrigo Garcia, e está ligada a Doria.

Mesmo que as negociações não avancem a tempo das eleições de 2020, o nome de Datena deve continuar aparecendo nas bolsas de apostas nos próximos anos. “Se o Luciano Huck pode ser candidato a presidente, por que eu não posso ser candidato a governador? Posso me filiar a um partido agora para disputar o Senado ou governo, mas a prefeitura não está descartada”, disse ele. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: Correio