O Estado regula o sexo e a procriação na sociedade de ‘O Conto da Aia’, romance distópico da escritora canadense Margareth Atwood que se popularizou após a série de TV homônima. No ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, de Damares Alves, o estado defende que proibir o sexo entre os adolescentes vai diminuir o título que o Brasil ostenta de ser um dos recordistas mundiais de gravidez precoce. 

Segundo dados mais recentes, de 2019, da Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil registra 62 adolescentes grávidas para cada grupo de mil, na faixa dos 15 aos 19 anos, mesmo segmento que é alvo da campanha de abstinência sexual da ministra, batizada de Tudo Tem seu Tempo. O número é maior que a taxa mundial de 44 adolescentes grávidas a cada mil. 

É uma situação preocupante e uma questão de saúde pública, sem dúvida. Mas que, segundo defendem os próprios profissionais da medicina, jamais será resolvida com abstinência. 

Em vez de possibilitar meios para que os jovens brasileiros tenham uma educação sexual qualificada e bem mais eficiente que os pornôs misóginos distribuídos via WhatsApp, a ministra da Família  sugere que eles sublimem os hormônios  e aceitem a castidade. 

Damares Alves e Luiz Henrique Mandetta no lançamento da campanha de prevenção à gravidez precoce (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

Não é tão simples por vários motivos. Um deles – e quem tem filhos adolescentes há de concordar – é que não adianta usar autoritarismo e proibições com essa turma. Mesmo uma sugestão que tenha um leve aroma de bloqueio pode surtir o efeito contrário. Os psicólogos estão aí para provar que os adolescentes querem e precisam de limites, mas que tudo o que é vedado a eles acaba sendo motivo de curiosidade e de desejo de transgressão, de desafiar as regras impostas pelos adultos.

Embora tenha participado do lançamento da campanha para prevenir a gravidez precoce ao lado de Damares Alves, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, já afirmou ser contra o termo “abstinência sexual” como método contraceptivo. De fato, método contraceptivo não é o estado interferir na vida sexual do cidadão, mas educá-lo para exercer a sexualidade de forma plena, segura e respeitosa consigo e com os outros.

Educação sexual, na escola e em casa, não é “ensinar criança a fazer sexo ou virar gay”, como espalham os grupos conservadores na internet. 

Educação sexual, diálogo e orientação servem para preparar pessoas mais conscientes tanto na hora de planejar o tempo certo da gravidez, quanto na hora de consentir o ato sexual (o que evita o abuso, por exemplo). 

Educação sexual ensina o autocuidado e o autorespeito, e ensina, principalmente, a aceitar e respeitar a sexualidade dos outros.

Aviões da FAB que ficam a serviço da Presidência da República vão trazer os brasileiros de Wuhan (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Brasileiros pressionaram por lei de quarentena

Nunca uma lei foi aprovada tão depressa no Brasil. Ainda assim, para que a Lei de Quarentena, sancionada na sexta-feira, 07, entrasse na pauta do Congresso em tempo recorde – 48 horas de tramitação entre Câmara e Senado – foi preciso que os brasileiros que vivem em Wuhan, na China, usassem o poder das redes sociais, nesse caso do Youtube, para divulgar um vídeo apelando ao governo brasileiro que os resgatasse da cidade de 11 milhões de habitantes que está em isolamento total devido ao surto de coronavírus. O governo, primeiro disse que não poderia fazer o resgate e o presidente Jair Bolsonaro afirmou que “o voo era caro”. Depois, considerou a possibilidade de repatriar os brasileiros, mas para isso havia a necessidade de uma lei que, de agora em diante, servirá para outras epidemias contagiosas. Uma medida de saúde pública mais que necessária.

Equipes de resgate turcas trabalham em destroços do avião (Foto: AFP)

Turquia: Avião se parte em três ao pousar

Um Boeing 737-800, da companhia aérea turca Pegasus, se partiu em três pedaços após sair da pista no aeroporto de Sabiha Gökçen, em Istambul, na quarta-feira, 05. A aeronave havia decolado de Izmir, no Mar Egeu, com 183 pessoas à bordo, sendo 177 passageiros e seis tripulantes. No acidente, três delas morreram e 179 ficaram feridas.

Mudas foram plantadas no local onde ocorreu o crime (Foto: Betto Jr./CORREIO)

Árvores da memória no Cabula

Uma árvore para cada uma das 12 vítimas da chacina do Cabula. Foi assim que os familiares delas decidiram homenagear e, ao mesmo tempo, manter viva a lembrança do crime, que completou cinco anos na quinta-feira, dia 06. As mudas foram plantadas no local onde ocorreram as execuções, na Vila Moisés. As vítimas, com idades entre 16 e 27 anos, foram mortas em 06 de fevereiro de 2015, durante uma operação da Rondesp na região. 

Pedra de Xangô fica em área remanescente de Mata Atlântica (Foto: Evandro Veiga/Arquivo CORREIO)

Parque para saudar Xangô

A região onde está a Pedra de Xangô, em Fazenda Grande II, vai virar parque. O local, onde existe vegetação remanescente de Mata Atlântica, é um importante símbolo religioso para o Candomblé. A ideia é que o espaço abrigue exposição sobre elementos das religiões de matriz africana e indígena, trilhas e anfiteatro. A Pedra de Xangô foi tombada em maio de 2017. O local é considerado sítio histórico do antigo Quilombo Buraco do Tatu.

Cruz foi colocada no beco onde jovens foram pisoteados e mortos (Foto: Tiago Queiroz/Estadão Conteúdo)

Paraisópolis chora a injustiça

A comunidade de Paraisópolis foi surpreendida, na sexta-feira, 07, com a decisão da Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo em arquivar a investigação sobre a ação realizada por 31 policiais em um baile funk no bairro, que resultou em pânico, correria e na morte de nove jovens por pisoteamento e asfixia. Para as famílias dos mortos, ficou a sensação de impunidade. A Polícia Civil paulista, no entanto, ainda investiga o caso.

Gil fez show em Salvador, no TCA, na sexta-feira (Foto: Marina Silva/CORREIO

Frase:

“A quietude na juventude é um esforço. Na velhice, o alvoroço mental começa a diminuir muito. O físico, então, nem se fala. Já não dá para sair por aí gastando suor”, Gilberto Gil

O cantor e compositor de 77 anos, em entrevista ao CORREIO, falou do novo disco ‘OK OK OK’, trabalho que faz uma reflexão sobre a velhice e a finitude e que foi definido pelo artista como um ‘atestado de vida’. Gil apresentou ‘OK OK OK’ no Teatro Castro Alves na sexta-feira, 07, e agora se prepara para uma turnê internacional.

Mais comentadas da semana pelos leitores

>>PM chuta rosto de homem no Pelourinho – 390 comentários
O vídeo que circulou durante a semana nas redes sociais, onde um policial militar aparece chutando o rosto de um homem, no Pelourinho, causou repulsa aos leitores. Daniely Reis lembrou que a violência policial sempre aconteceu, “a diferença é que hoje, com as redes sociais, as coisas vêm à tona. Eu mesma ouvi um policial dizer a uma mulher que o tapa que ele dá em um homem ele dá em mulher, só porque ela estava resmungando”, relatou.
Para ver o vídeo acesse: glo.bo/2tCOeo6

>>Livros de Machado de Assis recolhidos – 151 comentários
Os leitores também lamentaram a decisão do governo do Rondônia, que pediu para que fossem recolhidos das bibliotecas escolares as obras de Machado de Assis, Euclides da Cunha e Mário de Andrade. Edith Sampaio afirmou: “A última coisa que eles querem são jovens pensantes e leitores de obras primas como Machado de Assis!”
Para ler a reportagem completa acesse: glo.bo/2H5uzR0

>>Família morta em São Paulo – 72 comentários
Os leitores se comoveram com o depoimento da tia da jovem suspeita de mandar matar o irmão e os pais, em São Paulo. Ela comparou a sobrinha a Suzane Von Richthofen, condenada por um crime semelhante. Maria Dilce lamentou: “Chorei olhando os sorrisos que não feriram as pessoas e sim foram ceifados. Tristeza dos familiares que ficaram para lembrar que a única dessa família que restou é uma monstra”.
Para ler a reportagem completa acesse: glo.bo/2vZb620
 

Fonte: Correio