O Itamaraty e o Ministério da Defesa divulgaram neste sábado (8) nota conjunta contestando o título da reportagem “Brasil se nega a retirar sul-americanos de epicentro do coronavírus e dá carona a poloneses”, publicada no site da Folha de S.Paulo nesta sexta (7) e na edição impressa de sábado (“Em resgate na China, Brasil nega carona a sul-americanos”).

A reportagem relatou que representantes de seis países (Bolívia, Costa Rica, Argentina, Colômbia, Panamá e Cabo Verde) solicitaram ajuda do governo brasileiro para tirar seus cidadãos de Wuhan, epicentro da epidemia de coronavírus na China, nos voos da FAB que foram buscar cidadãos brasileiros, mas não foram atendidos.

Os dois aviões VC-2 da FAB partiram da China na sexta transportando quatro poloneses e cônjuges, além de 34 brasileiros e seus familiares, mais tripulação.

A nota afirma que o título da reportagem, “de teor negativo e sensacionalista”, destoa do conteúdo informativo do texto. Diz também que, na operação de resgate, não houve “negação discricionária” dos pedidos de apoio de outros países, mas “impossibilidade logística de acomodação de mais de 80 pessoas, além da dificuldade prática de transportá-los a seus diversos países uma vez desembarcados no Brasil, ou de mantê-los em quarentena em território nacional.”

Segundo o comunicado, “todos esses elementos estão claros no texto da matéria em questão, saltando aos olhos do leitor isento e bem informado a distância que separa o título do texto do artigo”.

Os ministérios afirmam que o transporte de seis cidadãos residentes na Polônia foi possível porque o plano de voo das aeronaves incluía pouso e reabastecimento em Varsóvia. Além disso, “o governo polonês solidarizou-se desde o primeiro momento com o Brasil e se dispôs prontamente a receber os aviões em seu território”.

Leia a íntegra da nota:

“A respeito da matéria da Folha de S.Paulo intitulada ‘Brasil se nega a retirar sul-americanos de epicentro do coronavírus e dá carona a poloneses’, os Ministérios das Relações Exteriores e da Defesa sublinham a desconexão entre a manchete do artigo, de teor negativo e sensacionalista, e o conteúdo informativo do texto, que por si só evidencia a complexidade da operação e a impossibilidade de atender às demandas de transporte de mais de 80 passageiros, de diversas nacionalidades.

A Operação Regresso, como reconhece a própria matéria, transportou 34 brasileiros e familiares estrangeiros, em dois aviões VC-2 da FAB à disposição da Presidência da República, desde Wuhan até a base em Anápolis-GO.

As aeronaves, como já havia sido amplamente divulgado, possuem capacidade de passageiros limitada e, considerando ainda o número de tripulantes e profissionais de medicina embarcados no Brasil para realizar exames e para acompanhar os passageiros ao longo do voo, reduziu-se significativamente o número de assentos disponíveis, o que inviabilizou o atendimento, ainda que parcial, das solicitações feitas por cidadãos de outros países.

Como o plano de voo das aeronaves incluía pouso e reabastecimento em Varsóvia, foi possível o transporte apenas de seis residentes da Polônia. Ressalte-se, a propósito, que o governo polonês solidarizou-se desde o primeiro momento com o Brasil e se dispôs prontamente a receber os aviões em seu território.

Não houve, portanto, negação discricionária quanto aos pedidos de apoio, mas tão somente impossibilidade logística de acomodação de mais de 80 pessoas, além da dificuldade prática de transportá-los a seus diversos países uma vez desembarcados no Brasil ou de mantê-los em quarentena em território nacional.

Todos esses elementos estão claros no texto da matéria em questão, saltando aos olhos do leitor isento e bem informado a distância que separa o título do texto do artigo.

Em nenhum momento, por outro lado, o Itamaraty recebeu manifestações de desagrado dos países solicitantes. Ao contrário, todos agradeceram a disposição do governo brasileiro de ajudar e compreenderam as difíceis condições logísticas envolvidas, que impediram, afinal, o atendimento das solicitações recebidas. Ao contrário do que o artigo tenta desconstruir, o Brasil continua a ser reconhecido, no âmbito das relações internacionais e em especial na América do Sul, como um país solidário e de elevado espírito humanitário.

O Ministério da Defesa e o Ministério das Relações Exteriores defendem a liberdade de imprensa, prezam por uma imprensa livre, mas defendem, sobretudo, o direito do cidadão de ser bem informado. A matéria em questão presta um desserviço à população.”

Fonte: Agencia Brasil