A ação deste domingo (9) que terminou na morte do ex-capitão Adriano Magalhães da Nóbrega, 43, ligado ao senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ), apreendeu, afirma a polícia, quatro armas e 13 celulares na casa onde ele estava.

Segundo a polícia baiana, Adriano teria em sua mão uma pistola austríaca calibre 9 mm e, em diferentes cômodos do imóvel, teriam sido achadas mais duas espingardas, um revólver e 13 celulares.

A operação foi resultado de uma integração entre as polícias da Bahia e do Rio de Janeiro. Participaram o setor de inteligência da corporação fluminense e o Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) da Polícia Militar baiana, além de outros grupos.

Adriano estava foragido e vinha sendo investigado havia cerca de um ano pela polícia e pelo grupo de combate ao crime organizado do Ministério Público do Rio (Gaeco). Ao longo deste tempo, os agentes o monitoraram e descobriram seu paradeiro na Bahia.

Ele foi encontrado, pela manhã, numa casa na zona rural de Esplanada (BA), município de 37 mil habitantes a 160 km de Salvador. Segundo a assessoria de imprensa da Polícia Civil, foi dada voz de prisão normalmente, mas o ex-policial teria reagido, atirando.

Ele foi baleado e levado pelos agentes ao Hospital São Francisco São Vicente. Uma funcionária disse à reportagem que ele já teria chegado morto, diferentemente do que afirma o governo da Bahia. A versão oficial é que ele ainda estaria vivo ao chegar ao hospital, mas acabou não resistindo aos ferimentos.

A polícia baiana não respondeu quantos tiros Adriano levou, em que parte do corpo foi atingido e em que cômodo da casa estava.

Segundo a assessoria de comunicação da Secretaria da Segurança Pública da Bahia, o ex-capitão da PM estava sozinho no imóvel no momento em que foi cercado. A casa, diz a pasta, era razoavelmente simples.

O PSOL divulgou uma nota dizendo que exigirá esclarecimentos do estado sobre as circunstâncias da morte do miliciano, “uma vez que Adriano da Nóbrega era peça chave para revelar os mandantes do assassinato de Marielle e Anderson”.

Tempos depois, o partido mudou o trecho do comunicado para: “Adriano da Nóbrega era peça chave para revelar diversos crimes, incluindo aqueles envolvendo Fabrício Queiroz e Flávio Bolsonaro”.

O ex-capitão, acusado de comandar a mais antiga milícia do Rio de Janeiro e suspeito de integrar um grupo de assassinos profissionais do estado, é investigado no caso da morte da vereadora Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes, em março de 2018. No entanto, as apurações não foram conclusivas até agora, e ele nunca foi acusado oficialmente.

As polícias dos dois estados já haviam tentado pegá-lo no último dia 31, dessa vez em uma mansão num condomínio de luxo na Costa do Sauípe (a 105 km de Salvador), mas ele conseguiu fugir.

Segundo o jornal O Globo, ele havia alugado a casa para festejar seu aniversário, no dia 14 de janeiro, mas quando percebeu a chegada dos agentes, que usaram até um helicóptero, sumiu de vista, entrando numa mata com o apoio de seguranças.

Deixou para trás a mulher, Júlia Mello, as duas filhas e também um RG falso emitido no Ceará, com o nome de Marco Antonio Linos Negreiros e uma foto de barba.

Depois dessa primeira operação, Adriano telefonou para seu advogado dizendo ter certeza de que seria morto se a polícia o encontrasse, segundo Paulo Emilio Catta Preta -foi a primeira vez que o miliciano entrou em contato com o defensor, antes eles se comunicavam por meio de seus parentes, já que o ex-PM estava foragido.

“Ele disse que se se entregasse tinha certeza que estaria morto no dia seguinte e também que estaria morto se o encontrassem. Falou, inclusive, que seria queima de arquivo”, afirma o defensor.

A viúva de Adriano também ligou para o advogado e disse que esteve com ele dias antes. De acordo com Catta Preta, a mulher acredita na versão de extermínio, porque o miliciano se encontrava em condições precárias de fuga e não estaria armado, ao contrário do que diz a polícia.

A operação deste domingo foi articulada pelo secretário da Segurança Pública da Bahia, Maurício Teles Barbosa, que no mês passado participou do movimento para recriar o Ministério da Segurança. A iniciativa, encampada inicialmente pelo presidente Jair Bolsonaro, estava em uma lista de reivindicações de secretários estaduais entregue ao Planalto. Dois dias depois o presidente descartou a volta da pasta.

“Procuramos sempre apoiar as polícias dos outros estados e, desta vez, priorizamos o caso por ser de relevância nacional. Buscamos efetuar a prisão, mas o procurado preferiu reagir atirando”, afirmou Barbosa por meio de nota após a morte de Adriano da Nóbrega.

Quem era Adriano da Nóbrega

O ex-capitão já foi preso e solto três vezes, expulso da PM em 2014, homenageado pelo então deputado estadual Flávio Bolsonaro duas vezes e defendido pelo presidente Jair Bolsonaro ao ser acusado de homicídio em 2005.

Também teve duas familiares nomeadas no antigo gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Sua ex-mulher, Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega, foi empregada em 2007 e sua mãe, Raimunda Veras Magalhães, em 2016. Ambas foram exoneradas no fim de 2018 a pedido.

Quem as indicou para os cargos foi Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio que foi companheiro de Adriano no 18º Batalhão da PM fluminense e hoje é investigado por lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.

O miliciano é citado nessa investigação, que apura a prática de “rachadinha” no gabinete do filho mais velho de Bolsonaro na Alerj. De acordo com o Ministério Público, ele controlava contas bancárias usadas para abastecer Queiroz, suspeito de ser o operador do esquema.

Adriano estava foragido havia mais de um ano. Era acusado de comandar a mais antiga milícia do Rio de Janeiro e suspeito de integrar um grupo de assassinos profissionais do estado e de estar envolvido no assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e de seu motorista Anderson Gomes, em março de 2018.

Fonte: Agencia Brasil