A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) manifestou apoio nesta terça-feira (11) à jornalista Patricia Campos Mello, da Folha de S. Paulo, que sofreu ataques misóginos nas redes sociais hoje, depois que um deponte da Comissão Parlamentar Missa de Inquérito da Fake News fez alegações contra ela no plenário da Câmara. O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) usou suas redes sociais para amplificar o ataque e foi repudiado pela Abraji. 

O ex-funcionário da empresa Yacows Hans River do Nascimento disse que a jornalista se insinuou sexualmente em troca de informações para uma matéria que foi publicada em outubro de 2018 sobre envio de mensagens em massa pelo WhatsApp para uso eleitoral. A Folha de S. Paulo publicou áudios e imagens para desmentir Hans.

“Então, só para destacar esse ponto, eu fiquei aqui perplexo de ver, mas eu não duvido, que a senhora Patrícia Campos Mello, jornalista da Folha, possa ter se insinuado sexualmente, como disse o senhor Hans, em troca de informações para tentar prejudicar a campanha do presidente Jair Bolsonaro”, afirmou Eduardo Bolsonaro.

“A Abraji repudia a ação do deputado, que repercutiu para milhões de seguidores alegações difamatórias. É assustador que um agente público use seu canal de comunicação para atacar jornalistas cujas reportagens trazem informações que o desagradam, sobretudo apelando ao machismo e à misoginia. Além disso, esta é mais uma ocasião em que integrantes da família Bolsonaro, em lugar de oferecer explicações à sociedade, tentam desacreditar o trabalho da imprensa”, diz o texto.

A Folha também divulgou nota sobre o caso. “A Folha repudia as mentiras e os insultos direcionados à jornalista Patrícia Campos Mello na chamada CPMI das Fake News. O jornal está publicando documentos que mais uma vez comprovam a correção das reportagens sobre o uso ilegal de disparos de redes sociais na campanha de 2018. Causam estupefação, ainda, o Congresso Nacional servir de palco ao baixo nível e as insinuações ultrajantes do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP)”, afirma.

Desde a publicação da matéria, a jornalista já sofreu outros episódios de assédios nas redes sociais. Ela faz parte atualmente da diretoria da Abraji e no ano passado foi uma das vencedoras do International PRess Freedom Award do Comitê de Proteção de Jornalistas (CPJ, em inglês).

Fonte: Correio