A Academia de Letras da Bahia divulgou nota nesta terça-feira (11) repudiando a tentativa de censura a livros por parte do Governo do Estado de Rondônia – uma lista com obras que teriam  “conteúdos inadequados para crianças e adolescentes” circulou para que os livros fossem recolhidos. A ordem foi revertida com a repercussão, mas  a academia diz que”seguiremos em permanente vigília”.

No texto, a Academia de Letras diz que “estarrecedora” a informação e que o fato da Secretaria de Educação de Rondônia ter voltado atrás não diminui o assombro. “Quem tem medo de livros? Essa é a pergunta fundamental”, diz a nota.

A lista tem 43 títulos, incluindo obras de Caio Fernando Abreu, Carlos Heitor Cony, Euclides da Cunha, Ferreira Gullar, Nelson Rodrigues, Rubem Fonseca, Mario de Andrade e até de Franz Kafka. “Deste insólito index do século XXI, consta, nada mais, nada menos, “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, obra-prima do maior de nossos escritores, Machado de Assis”, destaca a Academia.

“À Academia de Letras da Bahia cabe zelar pela preservação da cultura brasileira, sobretudo de sua literatura; aos seus membros, intelectuais e cidadãos, compete o dever de não calar diante de atos que possam lesar esses mesmos bens imateriais coletivos.
Registramos nosso repúdio”, finaliza a nota.

Lista
O jornal O Estado de S. Paulo teve acesso ao memorando no início da tarde, que incluía uma lista com 43 livros brasileiros que deveriam ser “entregues ao Núcleo do Livro Didático” da Secretaria Estadual da Educação.

O texto estava em nome do secretário, Suamy Lacerda de Abreu, mas a assinatura eletrônica no sistema era da diretora de Educação, Irany de Oliveira Lima Morais, terceira na hierarquia da secretaria. A reportagem procurou Irany, mas ela não retornou o contato. O secretário Abreu também não respondeu.

Professores e outros funcionários da rede foram informados sobre o documento, datado de ontem, pelo sistema interno do governo. No entanto, às 14h15min, o memorando foi tornado “restrito” e não era possível mais visualizar seu conteúdo.

O governador de Rondônia é o Coronel Marcos Rocha (PSL), que já foi chefe do Centro de Inteligência da PM e secretário de Educação de Porto Velho.

Professores que falaram com a reportagem pediram para não terem nomes publicados por medo de perseguição. “As coordenadorias receberam mensagens já pedindo para que os livros fossem separados porque passariam para recolher”, conta um deles. “O governo aqui é diretamente ligado à ideia do presidente Bolsonaro, só se fala em militarização das escolas.”

Outros professores disseram que os livros já haviam sido até mesmo colocados em caixas para serem recolhidos, a pedido das coordenadorias. A carta era justamente dirigidas aos coordenadores regionais

Fonte: Correio