O jornalista paraguaio naturalizado brasileiro  Léo Veras, que foi assassinado na noite de quarta-feira em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia que faz fronteira com Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul, já vinha se despedindo da família por conta das ameaças de morte que estava recebendo nas últimas semanas.  Léo Veras era dono do site Porã News, que produzia notícias relacionadas ao tráfico de drogas na fronteira com o Paraguai.

O chefe de polícia da região, Rodríguez Villalba, disse acreditar que a morte esteja relacionada às publicações de Veras contra o crime organizado no local. O computador e o celular da vítima foram apreendidos para averiguação de ameaças recentes que ele teria sofrido, segundo o promotor Marco Amarilla, que investiga o caso. Ele disse que a mulher e o sogro do jornalista informaram aos investigadores que o jornalista praticamente se despediu da família nos últimos por causa dessas ameaças.

De acordo com a Polícia Nacional do Paraguai, Veras foi executado com 12 tiros de pistola 9 milímetros. Atingido na cabeça, ele chegou a ser socorrido e levado a um hospital particular da cidade paraguaia, mas não resistiu.

No momento da ação dos criminosos, Veras jantava com a família no quintal de sua casa. Por volta das 21 horas, segundo o G1, dois pistoleiros encapuzados chegaram em uma caminhonete branca, entraram pelo portão que estava aberto e invadiram o local.

As câmeras da casa onde o jornalista morava não estavam funcionando. A polícia paraguaia deve pedir a colaboração das autoridades brasileiras para chegar aos autores da execução.
Um amigo dele que não quis se identificar informou ao G1 que se encontrou há 20 dias com o jornalista, e ele relatou sobre as ameaças de morte que vinha sofrendo. “Nesses últimos dias, as ameaças eram constantes. Ele falou que eram por matérias referentes ao tráfico de drogas e também relacionadas a autoridades policiais paraguaias”, afirmou.

O promotor Marco Amarilla informou que o jornalista vivia há anos com a perspectiva de ser assassinado. Em 2017, ao ser entrevistado pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Veras afirmou que esperava “não morrer com tantos tiros”.

Em nota, a Abraji lamentou a morte do jornalista e cobrou agilidade das autoridades no esclarecimentos das circunstâncias do crime. “Todo assassinato de jornalista é uma tentativa de calar o mensageiro, comprometendo a liberdade de imprensa”.

Pedro Juan Caballero é um expoente da violência na fronteira entre Paraguai e Brasil. Foi de lá que, no dia 20 de janeiro, 75 presos da facção paulista Primeiro Comando da Capital (PCC) fugiram de um presídio, após construírem um túnel.  O local é uma das principais portas de entrada de entorpecentes e armas de grosso calibre no país.
 

Fonte: Agencia Brasil