Uma das atrações mais disputadas do Verão soteropolitano, o Samba Vai Kem Ké tem mais três shows na cidade até o Carnaval. Nesta sexta-feira (14), às 20h, eles se apresentam mais uma vez no Largo Quincas Berro D’Água, para onde têm atraído uma multidão disposta a suar litros e quebrar todas junto com as sambadeiras do grupo. Conversamos com uma delas, Rafaela Mustafá, que contou um pouco sobre a excelente fase do grupo, que neste domingo (16) também se apresenta no Banho de Mar à Fantasia, na Ladeira da Preguiça, e durante o Carnaval, mais especificamente no sábado (22), faz outro show gratuito no Pelourinho.

Confira entrevista completa:

O Samba Vai Kem Ké não para! Escrevi uma matéria sobre vocês ano passado, e de lá pra cá a agenda continua intensa, independente da época do ano. Como é o período de Carnaval (e pré-folia) pra vocês?
A agenda tem sido intensa e a gente ama. Gostamos de celebração, de festa, de samba, de alegria e de troca. Muita gente nova nos conheceu nesse verão e o Pelourinho foi o nosso portal. Temos feito muito show nas Praças do Pelourinho e nesse período pré-folia apostamos em trabalhar nossa música “Leva o carro”, que está disponível em todas as plataformas digitais e temos experimentado músicas novas. O Samba do Vai Kem Ké sempre busca experimentar coisas novas, trazendo as mais variadas referências e contribuições que cada integrante carrega. Temos algumas coisas fixas no show que se faltar o público pede, desde as autorais como “Varre o tapete” e “Chapéu de Palha” até as releituras como “Filho da Bahia” e “Quixabeira”. O verão da Bahia é quente por si só, mas a gente toca “Fogo na sabiá” e vai se preparando com muito samba.

No domingo vocês se apresentam no Banho de Mar à Fantasia. É a primeira vez que o grupo participa? O que acham da festa, e como ela dialoga com a proposta de vocês?
É a primeira vez que participamos da festa e estamos muito felizes em fazermos parte dessa folia. Já participamos como folião e é uma alegria imensa poder integrar a programação dessa festa que dialoga muito com o nosso trabalho. Uma festa feita para todes, com muita irreverência, alegria e gente disposta a brincar. Nosso samba é muito isso. A gente preza por fazer um trabalho em que possamos agregar e abraçar o maior número de pessoas que estejam dispostas a trocas felizes e intensas. 

Como é que vocês têm lidado com o sucesso do projeto, que lotou as praças do Pelourinho? Isso já acontecia aqui na Federação, no Espaço Cultural Casa do Maestro, mas num espaço tão maior, e por onde passa gente de todo lugar, foi uma surpresa?
Somos só alegria com tudo o que tem acontecido com a gente, a maneira que o público abraça a gente é muito especial. É muito bom ver muita gente nova chegando junto com a gente e é muito bom poder perceber que já temos um público cativo. Olhar para a plateia e reconhecer rostos sempre presentes. O Pelourinho foi uma surpresa das boas. Começamos a temporada em Julho de 2019 e desde então todos os show foram com a casa cheia. Lembro que no nosso primeiro show, na Quincas Berro D’água, em julho de 2019, era aniversário do nosso Maestro, Augusto Conceição, e estávamos ansiosos pois era o nosso primeiro show lá e não sabíamos como seria, pois as nossas apresentações aconteciam na Casa do Maestro – Federação que, apesar de sempre cheio, era um espaço muito menor e a Quincas comportava 5 vezes mais o nosso maior público até então. Durante o show foi chegando muita gente e quando nos demos conta a praça estava lotada. Saímos todos muito felizes e emocionados com familiares e amigos vibrando muito pelo momento. A partir daí fomos fortalecendo nossos laços com o lugar e parece que o Pelourinho e as pessoas nos abraçaram de verdade. No verão tivemos que fechar os portões algumas vezes e o melhor de tudo isso é ver que quem está dentro da Praça, está ali para se divertir, cantar e dançar com a gente. 

Quais os retornos que vocês têm do público sobre o som e a festa que vocês fazem, o que mais eles gostam? E pra vocês, o que é mais legal disso tudo?
A gente recebe muitos relatos legais, nosso público chega junto mesmo. Recebemos mensagens pelas redes sociais e também recebemos abraços e feedbacks pelas ruas. E o mais legal é vê a diversidade do nosso público. As pessoas mais velhas costumam relatar alguma lembrança do seu interior, das festas de família, das brincadeiras. As pessoas mais novas falam que começaram a se aproximar do samba de roda através do nosso som, procuram pesquisar e entender melhor. Algumas crianças fazem as coreografias e até conhecem algumas músicas, pois também nos aproximamos do lúdico. A gente fica tão feliz quando vê as pessoas saindo suadas e com um sorrisão no rosto, quando as pessoas nos dizem que o nosso samba é uma terapia. No último final de semana estava na rua e uma menina me disse, um dia após o nosso show: “tô aqui com as pernas doendo de ontem, viu?! Que negócio bom!”. Ouvir isso pelas ruas é tão bom e nos enche de vontade para colocar o samba ainda mais pra frente. A gente ama receber o retorno do público e o mais legal é sempre fazer uma festa junto do público.

Fonte: Correio