Amigos e familiares do grafiteiro espancado e morto a tiro na madrugada desta quinta-feira (13), no Imbuí, organizaram um encontro na pista de skate dos Barris para reunir afeto e levantar apoio financeiro para custear o enterro. O artista Jailson Galdino Souza dos Santos, 27 anos, conhecido como Scank foi assassinado enquanto trabalhava com um amigo, que também foi espancado, em uma obra na Avenida Jorge Amado.
 
Professora de antropologia da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e ex-sogra dele, Roca Alencar esteve no ato e falou com o CORREIO sobre a trajetória artística de Scank em Salvador. Ele tinha 19 anos quando a docente o conheceu num evento na Ufba sobre arte de rua, que reuniu pesquisadores de São Paulo, entre eles Djan Cripta, pixador paulista reconhecido internacionalmente. 

“Ele era alguém que você via o brilho no olhar. Desde 2011, vínhamos ajudando a alavancar a carreira dele porque ele era um grande talento, era genial. Era o melhor calígrafo de Salvador”, comentou a professora universitária Roca Alencar.

O pixador Djan Cripta também manifestou tristeza pela morte do artista. ” É muito triste porque a expectativa que a gente tava nele era muito grande, um talento sem igual. Tinha certeza que ele ia despontar. Mas é isso, a gente vai seguir na luta com a memória dele”, comentou.

Scank foi o artista responsável pela pintura de uma das vacas da CowParade, leiloada e exposta atualmente no Centro de Treinamento do Bahia, em Dias D’ávila. O grafiteiro pertencia ao Coletivo Lama Original Marginal, que realiza festivais de rap na cidade e que inclui na programação atividades audiovisuais, de pixação e poesia. Scank era irmão do ator e cantor Vírus, artista apresentado pelo rapper Baco Exu do Blues.

No Instagram, Vírus escreveu que a morte de Scank significava a perda de um dos “maiores artistas plásticos/pixador de todos os tempos”. O pixador era irmão mais velho do cantor. Vírus disse ainda que Scank lhe ensinou muito, que se espelhava no irmão e que era seu maior fã, mesmo com as diferenças entre eles. “Hoje não foi um dia fácil”, resumiu ele, ao agradecer as condolências de conhecidos.

Em nota, o Coletivo Lama também se manifestou sobre o falecimento. “Ainda não caiu nossa ficha também. Qualquer pessoa que acompanhe minimamente a pixação sabe da relevância dele para o movimento em Salvador e no Brasil. Mais do que isso era nosso amigo e também um dos organizadores de tudo que fizemos até hoje com esse coletivo. Não temos palavras para descrever o que sentimos nesse momento”, escreveram eles, que reuniram dinheiro do caixa do coletivo para ajudar no sepultamento. Baco, inclusive, repostou nos stories do Instagram a foto-mensagem. 

 

Fonte: Correio