Juliana Ramos Harfush (divulgação)

Juliana Ramos Harfush adora Carnaval, é publicitária, casada com Karim e mãe de Juca que era filho único quando o casal resolveu que queria uma segunda gravidez. Até aí, tudo normal. Só que Ju liberou não apenas um nem dois óvulos, mas três! Fato que ela gosta de esclarecer para os que atribuem à virilidade do pai, a gravidez múltipla: “digo logo que a retada sou eu, fui eu que soltei três óvulos”, diz, às gargalhadas. Sim, porque é um caso raro de gravidez trigemelar naturalíssima, feita em casa, por assim dizer. Há 20 semanas, Felipa, Nuno e Tito ocupam o útero da mãe e o ponto central da família que já pirou, respirou e se organiza freneticamente para a chegada dos tri. Eles têm canal no YouTube (detresparaseis), o perfil @detresparaseis no Instagram e muita história pra começar a contar.

Quanta – Qual é a reação das pessoas quando você conta que está grávida de trigêmeos?
Juliana – A mesma que a nossa: incredulidade! Ficam boquiabertas.
Nos segundos seguintes, ouvimos: “mas foi de forma natural mesmo? não fizeram fertilização?”. E daí, partem algumas perguntas sobre se serão idênticos (aproveitando: não serão! cada um tem a sua placenta), sobre os sexos, os nomes, se é a minha primeira gravidez, o que eu senti e como estou lidando com isso, enfim… é um assunto que gera muita curiosidade. Por conta disso, decidimos abrir um perfil no Insta e um canal do YouTube para compartilhar o nosso dia a dia e esclarecer algumas dúvidas e curiosidades.

Q – Qual é o maior desafio enfrentado até agora e qual você acha que será o maior desafio do futuro dessa família que foi “de três para seis”?
J – Até agora, o nosso maior desafio é manter a gravidez saudável e segura para conseguirmos alcançar a nossa meta de atingir o mínimo de 36 semanas. Esta é a prioridade. Junto a isso, até a chegada dos pequenos, é fazer Juca sofrer o mínimo com tantas novidades e mudanças. A chegada de três irmãos e a divisão do nosso tempo e atenção com eles não parece que será tão fácil. Mas incluímos ele, desde já, nesse novo processo, interagindo-o com a barriga e já vislumbrando a sua participação na rotina com os irmãos. Para um futuro mais distante, acho que o desafio será lidar com quatro ao mesmo tempo, sem perder o equilíbrio, a firmeza e a dose de amor necessária para criarmos pessoas felizes, fortes e certas de suas escolhas.

Q – O que já mudou nos seus desejos, no seu olhar para o futuro e relações, com essa gravidez?
J – Pra ser bem sincera, a princípio, o meu maior desejo e preocupação é que esta gravidez, por ser de risco, chegue o mais longe possível. Que eu tenha saúde para proporcionar saúde aos pequenos e que a gente consiga ter os nascimentos com sucesso. Que os três vinguem! A maior coisa que eu aprendi diante disso tudo foi que a gente planeja, mas nem sempre a vida vai nos responder de acordo com as nossas vontades. Não temos o controle das coisas. Então, hoje, eu sei que posso me antecipar com as coisas de ordem prática, com providências da casa, coisas mais estruturais – fiz planos até o segundo mês de vida deles – mas nada além disso.

Q – Vamos falar de questões práticas: quais são as principais demandas e como vc está se organizando?
J – Em primeiro lugar, saúde. Tive que procurar uma nutricionista, pois “passei fome” nos primeiros, meses por não estar comendo corretamente. Falo de forma nutricional, para dar conta de todos. Iniciei a gestação com baixo peso (ainda estou, pois tenho dificuldade de engordar) e precisávamos recuperar isso. Mas já comecei a ter avanços e o que importa é que consegui equilibrar o apetite e todos estão bem. As outras providências de ordem prática foram: preparar a casa para receber a galerinha, enxoval (com a ajuda de minha mãe – sempre ela! – já separamos, lavamos e passamos tudo do 1º trimestre), fraldas (a família novamente se empenhou e conseguimos ganhar muitos pacotes!) e rede de apoio pós-parto (já temos as pessoas que ficarão conosco nos primeiros meses).

Q – Como vc imagina esse parto e os primeiros momentos com eles?
J – Se eu pudesse escolher, manteria a opção do parto natural, que foi a nossa experiência com Juca, mas agora a realidade é outra e bem diferente. Eu sei tudo o que implica ter três bebês na barriga. A grande possibilidade de serem prematuros já inviabiliza o parto vaginal, por diversos fatores de risco. Então, já temos a cesárea como a primeira opção. Mas olha: nada é impossível! Não é uma regra matemática, uma ciência exata! Estamos lidando com a natureza e com organismos que são únicos. Então, sempre sondo a possibilidade do parto vaginal dentro de uma margem de segurança para nós quatro e essa é uma possibilidade bem remota, mas não 100% descartada.

Q – Você amamentou Juca? Como pretende lidar com o aleitamento dos tri?
J – Amamentei Juca de forma exclusiva até o sexto mês e depois segui, junto com a alimentação sólida, até 1 ano e 8 meses. Desta vez, é certo que terei que complementar com fórmula para dar conta de todos. Penso em organizar as mamadas com um rodízio entre eles para que todos recebam o leite materno.

Q – Como é a sua rede de apoio?
J – A imediata, a que ficará comigo fulltime será: Karim, minha mãe, uma tia e a babá de Juca. Nos dividiremos entre os quatro pequenos e o funcionamento da casa. Mas já temos muitos voluntários para intercalar quando necessário. Depois do retorno de Karim ao trabalho, provavelmente, precisarei de alguém para a noite, a princípio. Mas vamos viver e entender as necessidades que surgirão.

Q – Como é a divisão de tarefas entre você e Karim? Como tem sido com Juca e como será quando os tri chegarem?
J – Karim faz absolutamente tudo o que eu faço, a única diferença é que ele não consegue amamentar! De resto, não há diferença: dá banho, arruma, cozinha e dá a comida quando necessário, acorda à noite junto comigo ou se revezando comigo, acompanha a vida escolar, o lazer e as broncas. Dividimos as responsabilidades e os prazeres de sermos pais de Juca e não será diferente com o trio.

Q – Bom, é Carnaval! Você vai levar a barriga pra dar uma olhada na folia?
J – Amo o carnaval! Antes da chegada de Juquinha, marcávamos presença na rua, mas desde a sua chegada, nos alternamos entre circuitos mais alternativos e tranquilos e fuga para Itaparica. Neste ano será diferente: não irei para a rua, para nenhum circuito, por prudência mesmo. Vou focar na arrumação das coisas que faltam e descansar. Talvez, apenas papai e Juquinha devam curtir um pouco a festa.

Em casa
É acolhimento e informação que você quer? Toma, também no Carnaval. Ao som da Banda Didá e com um pocket show de Larissa Luz, a Casa Respeita as Mina foi inaugurada ontem, no Terreiro de Jesus. O espaço oferece informações sistematizadas sobre os diversos tipos de violência contra a mulher – seja sexual, assédio ou físico – e funcionará até a próxima terça, como parte da programação de sua primeira etapa.
Na quarta-feira de cinzas, as portas serão fechadas para reabrirem, no dia dois de março, para as comemorações do Março Mulher.
A Casa Respeita as Mina é uma iniciativa da Maré Produções, em parceria com a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) e tem patrocínio da Bahiatursa, do Goethe-Institut e da UNIDAS – Rede de Mulheres entre a América Latina, o Caribe e a Alemanha, representada pela atriz alemã e membro-fundadora Sibel Kekilli.

Fonte: Correio