Estudantes de Medicina da Uneb monitoram pessoas com sintomas de coronavírus

Quando a jovem Caroline Almeida deixou a cidade de Itamari em direção a Salvador para cursar Medicina na Universidade Estadual da Bahia (Uneb), ela não imaginou que poderia encarar uma pandemia que tem desafiado sistemas de saúde do mundo todo. Atualmente, suas aulas até estão suspensas e ela voltou para o interior baiano, mas isso não a impediu de contribuir para a saúde pública. 

Junto com oito colegas do último ano da faculdade, ela monitora, com mediação tecnológica, cidadãos com sintomas da covid-19, atendidos em Unidades de Saúde da Família (USFs) de Salvador. A iniciativa é do projeto Uneb contra o Corona, em parceria com as unidades que atendem às comunidades de Canabrava e Vale do Cambonas, no distrito sanitário de Pau da Lima.  

Nesses locais, os estudantes realizavam o estágio prático de Medicina de Família e Comunidade. “O projeto surgiu como uma ideia dos próprios profissionais das USFs para que os internos que estavam prestando assistência no local continuassem atuando por teleatendimento, já que as aulas foram suspensas”, explicou Caroline. 

Como funciona
Para a realização do monitoramento, as equipes das USFs produzem planilhas com os dados dos pacientes e compartilham com a equipe médica e os estudantes. 

Os discentes, de posse das informações e orientados pelos professores Victor Santana e Talita Rocha, entram em contato periodicamente com os atendidos por telefone. Durante os contatos, é feita a apuração do estado de saúde, a avaliação da necessidade de atendimento presencial e a divulgação de medidas para prevenção e distanciamento dos familiares. 

Caroline também está inscrita no programa Tele-Coronavírus, que criou uma central de saúde, via web-telefônica, para atuar na triagem de casos suspeitos e orientar a população no combate à doença. “Essa vivência tem sido muito rica, pois nós conseguimos ouvir, ter empatia e fornecer o cuidado para as pessoas através da tecnologia, do celular”, disse Caroline.  

Para o professor Victor Santana, o projeto promove a atenção primária à saúde, associada a ferramentas de comunicação que garantem um isolamento social com qualidade. “É muito importante expandir leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), mas também cuidar dos casos leves e identificar precocemente os graves, que podem vir a se beneficiar desses leitos”, disse. 

Outro estudante que tem atuado no monitoramento de pessoas atendidas em unidades de saúde com sintomas de covid-19 é o estudante Caio Cunha, do último semestre do curso. “Essa é uma forma de não ficarmos ociosos e de nos sentirmos úteis nessa pandemia”, explicou. Caio fez questão de lembrar que os estudantes não podem prescrever medicação ou algo que é exclusivo dos médicos formados. “Portanto, não se trata de um exercício ilegal da medicina”, destacou.  

Atualmente, o grupo acompanha 48 pacientes. “Mas esse número é maior se pensarmos nas famílias que são alcançadas, pois a gente também se preocupa com os moradores da mesma residência. Em um caso, identificamos que a esposa de um paciente também apresentou sintomas da doença e incluímos ela na planilha. Juntos, eles evoluíram bem e não precisaram ser testados”, disse Caroline.   

O projeto Uneb contra o Corona foi criado pelos professores do Departamento de Ciências da Vida (DCV) para o enfrentamento da pandemia da Covid-19. Com o protagonismo dos estudantes, a iniciativa contém outras ações, como a produção de materiais informativos e podcast para circular entre as pessoas das comunidades em que atuam.  

“Ao passo em que estamos protegendo o estudante, mantemos também uma relação solidária com o atendimento público de Saúde. Estamos ainda incentivando o aprendizado dos discentes, que são supervisionados e participam das decisões nas atividades, aprendendo a como atuar na área clínica”, explicou o professor VIctor Rocha, um dos coordenadores do projeto.  

*Com supervisão da chefe de reportagem Perla Ribeiro

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Fonte: Correio