Prefeitura abre 39 leitos de UTIs em Salvador, em parceria com hospitais filantrópicos

Salvador recebeu nesta terça-feira (21) 39 novos leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) disponíveis para pacientes do covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. O anúncio foi feito numa entrevista coletiva realizada por videoconferência, na manhã dessa terça, em pleno feriado de Tiradentes. “A gente não estaria aqui numa manhã de feriado nacional se não fosse algo necessário”, declarou o prefeito de Salvador, ACM Neto.  

Os leitos estão disponibilizados em quatro hospitais particulares e filantrópicos de Salvador: cinco no Hospital Português, 10 no Martagão Gesteira, 14 no Santa Izabel e, finalmente, 10 no Hospital Municipal de Salvador, administrado pela Santa Casa da Bahia. “São leitos completos, com respiradores, monitores e toda infraestrutura necessária para dar assistência aos pacientes com coronavírus”, garantiu Neto. 

Dos 39 leitos, oito já estão ocupados. É que, antes do ato de publicização feito pela prefeitura, houve a necessidade de internamento de três pacientes no Santa Izabel, e cinco no Hospital Municipal. Não houve negativa. O número é um reflexo do aumento na demanda por leitos de UTIs na capital baiana.    

“Infelizmente, a partir de agora, o número de leitos ocupados vai crescer numa velocidade absurda. De anteontem para ontem, esse número saltou de 50 para 76, contando a rede particular e pública. Isso significa um aumento de 50% de um dia para outro”, disse ACM Neto.  

Esse dado não significa que a capital baiana esteja num risco iminente de colapso no sistema de saúde, como já acontece em outras cidades ou estados brasileiros. O anúncio desses novos leitos de UTIs permitem que haja uma oferta maior do que a demanda atual, explica.

Sistema de saúde 
Nesta segunda-feira (20), o prefeito ACM Neto também entregou 83 novos respiradores. A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) afirmou ao CORREIO que Salvador deve ter 243 leitos de UTIs viabilizados pela Prefeitura de Salvador. “Na próxima semana, 187 desses leitos já estarão funcionando”, garantiu Neto, na ocasião 

Na coletiva desta terça, o gestor afirmou que o que se vislumbra como algo concreto é que Salvador tenha 700 leitos voltados para tratar a covid-19. Esse número engloba a oferta do estado, município e da rede particular. “Uma parte desse esforço é do governo do estado, que está expectando a chegada de uma quantidade grande de respiradores na cidade”, disse Neto.   

No entanto, o prefeito confirmou que há um risco concreto de vivermos, no final de maio, o colapso do sistema de saúde, caso as medidas de distanciamento social sejam relaxadas. “Todo esse esforço poderá ser insuficiente se não houver uma contenção ainda maior do crescimento dos casos em Salvador”, afirmou.  

(Foto: Max Haack/Divulgação)

Esse colapso significa que mais pessoas podem demandar mais respiradores e leitos de UTIs do que se tem disponível. Para o prefeito, como Salvador tem tido um número de casos menor do que foi projetado e a situação seja mais confortável do que em outros lugares, pode ser criado uma ilusão de que não haverá colapso na capital.  

“O que temos visto é que nenhuma cidade grande vai escapar desse colapso. Por isso, a importância das medidas preventivas. O esforço que é feito para diminuir os casos de coronavírus tem um impacto absurdo para que no futuro não seja demandado os leitos de UTIs”, disse Neto.  

Na medida que os 39 leitos ofertados sejam ocupados, a Prefeitura vai disponibilizar as vagas no Itaigara Memorial, que deve ficar pronto essa semana, seguido do Hospital de Campanha do Wet’n Wild, cuja previsão de entrega é na próxima semana. Só depois é que serão utilizadas as vagas no Hospital da Sagrada Família, cujo espaço foi requerido administrativamente pela prefeitura. 

Se a oferta da rede pública for toda explorada pela demanda, a prefeitura não descarta a possibilidade de, em parceria com o governo do estado, adquirir leitos dos hospitais particulares. “Na pandemia, não há distinção se o leito é particular ou público, se o paciente é rico ou pobre”, afirmou o prefeito.  

Reunião 
Também nesta segunda, o governador do estado, Rui Costa, se reuniu com ACM Neto por videoconferência e, juntos, alinharam estratégias de como enfrentarão a pandemia do novo coronavírus em Salvador. Uma das principais medidas definidas na reunião foi a adoção do uso de máscara por todos que saíram às ruas de Salvador. 

Na reunião com Rui Costa e ACM Neto, participaram também os secretários de Saúde do estado, Fábio Vilas-Boas, e de Salvador, Léo Prattes (Foto: Max Haack/Divulgação)

“Nós fizemos uma avaliação completa do quadro até aqui e do desempenho da doença no estado e na cidade. Agora, Prefeitura e Governo do Estado vão fazer decretos conjuntos para mostrar que o momento é de atenção”, reforçou Neto.  

O prefeito garantiu que os decretos já assinados para estimular o distanciamento social continuam válidos até o dia 4 de maio e podem ser prorrogados.  

“Acho muito difícil que a situação volte ao normal antes do dia das mães. Nossa decisão não tem se pautado em questões políticas e sim técnicas. E assim será até o fim da pandemia”, disse Neto. 

“Se a gente liberar tudo agora e tiver um processo desenfreado de mortes em Salvador, quem vai ter coragem de ir para o shopping fazer compra? Quem vai querer ir para o Porto da Barra no domingo de manhã, vendo cenas de caixões para cima e para baixo? Não há como ficar entre economia e saúde. É saúde!”, reforçou.   

*Com orientação da chefe de reportagem Perla Ribeiro

Fonte: Correio