Primeiro dia de pagamento do vale-alimentação da rede estadual é marcado por filas em mercados

Uma fila de pessoas mascaradas se formou nas portas dos supermercados da rede Cesta do Povo nesta segunda-feira (20). O motivo para que tantas pessoas tenham saído de casa para ir ao mercado é a liberação do vale-alimentação para os estudantes da rede estadual de ensino, que começou a ser repassado hoje. O pedreiro Balbino Silva, 50 anos, era um dos que encarou a fila para poder comprar alimentos na unidade da rede que fica no Ogunjá. Ele é pai de duas estudantes do Colégio Estadual Luiz Viana.

Junto com as filhas, Ediani e Andreia, Balbino chegou no supermercado por volta das 11h. Até poder entrar para fazer as compras foi mais de uma hora de espera. “Tinha muita gente do lado de fora, mas lá dentro não tinha aglomeração. Os funcionários estavam passando orientação pra quem estava na fila. Mesmo assim, algumas pessoas ficavam perto e não faziam o que estavam mandando. Lugar com muita gente não tem jeito, mas com o tempo a fila foi se educando sobre o que tinha que fazer”, contou o pedreiro.

Todos os 800 mil estudantes da rede estadual de ensino vão receber o vale-alimentação no valor de R$ 55. Para acelerar o processo, o Governo do Estado assinou um contrato com as redes de supermercados, assegurando que 284 mil estudantes tenham acesso ao benefício a partir desta segunda. O restante do grupo vai receber, diretamente das escolas, cartões com o valor do auxílio. Ao todo, o vale-alimentação totaliza um investimento de R$ 44 milhões. 

Balbino tem duas filhas na rede estadual e foi à Cesta do Povo comprar alimentos para a família (Marina Silva/CORREIO)

Com muitas pessoas sem renda ou recebendo menos, é normal que a procura pela retirada do benefício seja alta nos primeiros dias. “Sempre existe uma procura maior nos primeiros dias, mas estamos dentro da expectativa. São muitas famílias que têm o direito. Nos esforçamos para atender todo mundo”, afirmou o diretor da rede Cesta do Povo, Joel Feldman.

Para o pedreiro, o auxílio do governo estadual é de grande ajuda durante a quarentena. Com o coronavírus, as obras pararam. Sua esposa, que trabalha como diarista, também ficou sem emprego. A situação fez com que a família de 4 pessoas perdesse a renda de cerca de R$ 1.600. “Qualquer ajuda nesse momento é bem-vinda porque estamos sem trabalhar. Com o vale, deu para comprar as coisas mais necessárias. Eu também estou esperando o auxílio de R$ 600 do governo”, disse Balbino.

Com os R$ 110 do vale das duas filhas, a família pôde levar pra casa arroz, feijão, biscoitos. A carne, entretanto, teve que ficar de fora da compra pois iria gastar uma fatia muito grande do vale. Balbino calcula que os alimentos devem durar cerca de oito dias.

As filas do lado de fora das lojas são consequência da proibição dos supermercados de possuírem aglomerações dentro das unidades. Válido desde a última sexta-feira (17), um decreto da prefeitura de Salvador limita acesso dos clientes aos  estabelecimentos que possuem área acima de 200 metros quadrados.

O grande número de pessoas dificulta a prevenção contra o coronavírus. Por esse motivo, a Cesta do Povo emprega ações de higienização nas filas e dentro do supermercado. Para evitar a transmissão, funcionários da rede orientam que os clientes mantenham uma distância entre si, é ofertado álcool 70º para os compradores e cada carrinho ou cesta é higienizada antes de ser utilizado. “A equipe de funcionários utiliza máscaras e colocamos barreiras de proteção no mercado”, ressaltou Feldman.

De acordo com Feldman, a rede de supermercados alertou o governo da Bahia e a Prefeitura de Salvador sobre o número de pessoas que iriam comparecer os estabelecimentos. “Tem uma demanda de alimentos das famílias. Trabalhamos para encontrar a melhor forma de atender essa demanda protegendo a saúde das pessoas e atendendo a necessidade de alimento. Respeitamos o decreto da prefeitura, mas pedimos o bom senso da gestão pois estamos tratando da necessidade de alimento”, afirmou Feldman.

Saiba mais sobre o benefício
Quem tem direito?

Qualquer estudante da rede estadual de ensino que vive em um dos 22 municípios com unidades da Cesta do Povo e do Assaí. Já têm acesso ao vale 284 mil pessoas. O restante dos alunos vai receber, diretamente das escolas, cartões com o valor do auxílio.

De quanto é o vale e onde usar?

Cada aluno pode gastar até R$ 55 em alimentos em um supermercado de uma das duas redes conveniadas: Assaí e Cesta do Povo

Como usar o vale?

É necessário entrar no Portal da Educação e buscar o nome da pessoa que tem o CPF cadastrado na unidade escolar em uma lista disponível no site. Os estudantes ou seus responsáveis devem realizar as compras nos supermercados que foram designados. É preciso se identificar para um funcionário da loja com um documento com foto para poder fazer as compras. 

Preciso imprimir um vale?

Não, a entrada nas lojas e a compra dos alimentos é feita mediante a apresentação do documento de identificação com foto e do número do CPF.

Posso escolher os produtos?

Os beneficiários podem escolher qualquer produto alimentício vendido pelo supermercado. As compras têm o limite máximo de R$ 55 por aluno.

Até quando?

O benefício pode ser retirado enquanto as aulas da rede estadual de ensino estiverem suspensas.

Cuidados na fila
O grande número de pessoas na fila do supermercado para usar o vale-alimentação pode causar aglomerações e aumentar as chances de transmissão do novo coronavírus (Covid-19). Por esse motivo, é necessário se prevenir ao fazer as compras.

Ao comentar a ação, o secretário estadual da Educação, Jerônimo Rodrigues, ressaltou que é necessário utilizar máscara ao ir ao supermercado. “Apesar de serem 39 lojas abertas e bem espalhadas, pedimos aos responsáveis ou alunos, que, se puderem, só reservem a uma pessoa a tarefa de ir ao mercado, que evitem aglomerações”, aconselhou o gestor.

As medidas de prevenção indicadas pelo ministério da saúde também devem ser seguidas ao sair de casa para fazer as compras. O uso frequente do álcool 70% é indicado em situações em que não é possível lavar as mãos, como na fila dos supermercados.

É importante ficar atento para observar se há alguém espirrando ou tossindo ao seu lado. Nesse caso, o ministério da saúde indica manter uma distância de 2 metros da pessoa. Já se você for tossir ou espirrar, cubra o nariz e a boca com um lenço ou com o braço. Mesmo sem os sintomas, é necessário manter a distância dos outros na fila.

Também é importante evitar tocar olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas. Ao encontrar um conhecido no mercado, o ideal é deixar os abraços, beijos e apertos de mão de lado.

*Com orientação da subeditora Fernanda Varela

Fonte: Correio