SUS terá consulta virtual em saúde da família em meio a crise do coronavírus

Na tentativa de evitar idas frequentes aos postos de saúde em meio à crise pelo novo coronavírus, o Ministério da Saúde lançará uma plataforma para oferecer consultas virtuais por médicos e equipes de saúde da família que atuam nestes locais.

O objetivo é dar alternativas para manter ou retomar o atendimento de pessoas com doenças crônicas, como diabéticos e hipertensos, além de gestantes e outros pacientes já acompanhados nas unidades.

A oferta da consulta virtual ocorrerá a critério do médico e equipe e também sob pedido ou concordância do paciente. Neste caso, o atendimento presencial pode ser intercalado com as consultas a distância, disse à reportagem o secretário de atenção primária em saúde, Erno Harzheim.

“Não estamos dizendo como as equipes vão ter que trabalhar, mas dando uma ferramenta para ampliar o acesso da telemedicina”, afirma. “É como fazer um consultório virtual para a Saúde da Família. A partir de agora pode trabalhar presencialmente ou virtualmente, dependendo de cada caso, da queixa do paciente e da necessidade. Será mantida a autonomia do profissional, que poderá decidir.”

Cadastramento pendente ainda

A plataforma foi desenvolvida pelo Ministério da Saúde em parceria com o Hospital Israelita Albert Einstein, que já tem ferramenta semelhante e faz parte do programa Proadi-SUS. Para colocar em prática a medida, a pasta deve lançar nesta semana um cadastramento de médicos e equipes interessadas no serviço.

Com isso, os profissionais receberão treinamento para uso da plataforma e um certificado digital ICP-Brasil, necessário para fazer os atendimentos e emitir documentos como atestados e receitas médicas digitais. “Será uma garantia de segurança”, diz.

Como vai funcionar?

Para fazer a consulta, o médico enviará um endereço eletrônico ao paciente para videoconferência. Também haverá a opção de fazer a consulta por telefone. A decisão ficará a cargo do profissional e paciente, afirma o secretário. No final, o paciente deve receber por email uma pesquisa de satisfação.

Segundo Harzheim, essa será a primeira ferramenta de teleconsulta entre médico e paciente a nível federal. Até então, as estratégias existentes visavam apoio a diagnóstico e ocorriam apenas entre profissionais, sem contato direto com o paciente.

O projeto terá duração de oito meses, com possibilidade de renovação. O investimento deve ser de R$ 4 milhões. “Pretendemos que com o tempo todas as equipes de saúde da família tenham seu consultório virtual. É uma estratégia de expansão de acesso. Será para os pacientes que a equipe já conhece, com quem o médico pode fortalecer o vínculo”.

Fonte: Agencia Brasil