Saiba o que Bolsonaro precisa fazer para impedir saída de Moro

Apesar de a assessoria do ministro da Justiça, Sergio Moro, ter negado a saída dele do governo de Jair Bolsonaro, o desembarque será inevitável caso o presidente da República não ceda às exigências de um de seus principais quadros. Segundo o portal Uol, os pedidos do ex-juiz da Lava Jato envolvem a escolha de um substituto para o lugar de Maurício Valeixo no comando da Polícia Federal.

A princípio, a própria decisão de tirar Valeixo, uma indicação de Moro, da direção da PF já havia sido motivo de um primeiro desgaste. No entanto, segundo informações dos bastidores do Planalto, Moro até aceitaria a troca no cargo, mas por alguém que também fosse indicado pelo ministro da Justiça.

Ainda de acordo com o Uol, os generais tentam saídas para evitar a demissão de Moro, tentando buscar um possível “nome de consenso” entre o presidente e o ministro, que parece irredutível na prerrogativa de escolha do cargo estratégico.

No entanto, Bolsonaro deseja nomear para o lugar de Valeixo o delegado Alexandre Ramagem, atual diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência). Caso isso ocorra, Moro deve entregar o cargo, levando ao governo Bolsonaro uma crise com desfecho imprevisível, no momento em que o presidente tem queda brusca na sua popularidade – parte do que resta de positivo sustentada pela presença de Moro no ministério. 

“O impasse está sério”, avaliou um assessor presidencial sobre o momento de disputa entre presidente e ministro.
 o ministro Sergio Moro (Justiça) dá sinais de cansaço e tem se negado a fazer uma defesa enfática do presidente durante a crise do novo coronavírus.

Ex-aliada de Bolsonaro, a deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP) afirmou, na tarde desta quinta, que a decisão do presidente para a troca na cúpula da PF teria relação com a investigação contra “financiadores das milícias digitais”, nas quais teriam pessoas próximas de Jair Bolsonaro envolvidas.

Desgaste no cargo
Esse não é o primeiro embate entre Bolsonaro e Moro desde que o ex-juiz aceitou participar do governo. No entanto, desta vez, o momento é mais delicado, diante da crise do coronavírus – a própria Rosângela Moro, mulher do ministro, chegou a criticar a postura do presidente durante a pandemia, dizendo estar ao lado da ciência em detrimento ao “achismo”. 

O jornal Folha de S.Paulo também destaca que o ministro da Justiça dá sinais de cansaço e tem se negado a fazer uma defesa enfática do presidente durante a crise da covid-19.

Lembra ainda que durante a pandemia, Moro se mostrou por mais de uma vez irritado por ser pressionado por interlocutores do Planalto e pelo próprio presidente em reunião no Palácio da Alvorada a defender o fim do isolamento social.

Moro chegou a afirmar que se manteria em silêncio caso questionado, mas que não iria contrariar suas convicções e defender algo que não acreditava.

Fonte: Correio