Dirigente da OCDE diz que Brasil terá de explicar graves acusações de Moro

O chefe do grupo de trabalho anticorrupção da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), Drago Kos, disse neste sábado (25) em entrevista à BBC News Brasil que o Brasil vai ter que explicar os motivos que levaram o então ministro da Justiça Sergio Moro a renunciar com as acusações feitas ao presidente Jair Bolsonaro de interferência no trabalho da Polícia Federal.

O dirigente avaliou as declarações de Moro como “extremamente preocupantes”. Nessa sexta-feira (24), ao anunciar a demissão do governo, o então ministro disse que o presidente desejava trocar o chefe da Polícia Federal para ter acesso a relatórios de inteligências e andamento de investigações, o que foi negado por Bolsonaro horas depois.

“Deve ter havido uma razão muito forte, muito ruim, para que ele (Moro) tenha chegado à conclusão de que não tinha mais condições de continuar no governo”, afirmou Kos, que comanda a área de combate à corrupção no órgão desde 2014.

O governo de Jair Bolsonaro tem buscado apoio para ingressar na OCDE. No início deste ano o presidente americano Donald Trump sinalizou com o apoio ao pleito brasileiro. Para que isso aconteça, entretanto, o Brasil deve enviar relatórios à organização sobre avanços em temas como saúde, educação e combate à corrupção. Drago Kos considerou que a troca ministerial, em si, não é problema, “mas quando o ministro da Justiça faz acusações de interferência grave em seu trabalho de combate à corrupção, isso é sério e isso nos interessa. O Brasil vai ter que explicar o que está acontecendo”, avaliou.

A próxima reunião entre Brasil e OCDE está agendada para junho e será de forma remota.

Fonte: Agencia Brasil