Coronavírus: Brasil processa metade dos testes e atinge 0,06% da população

O Ministério da Saúde processou 132.467 testes RT-PCR (moleculares) para detectar o novo coronavírus, o equivalente a 0,06% da população. O número é uma parcela das 259.218 amostras respiratórias já enviadas aos Lacen (Laboratórios Centrais de Saúde Pública) até 20 de abril.

Dentre os 126 mil restantes, 56.613 estão em análise, 30.474 em triagem (em trânsito para o laboratório), e 39.664 são consideradas não realizadas por não conformidade (amostra insuficiente ou danificada). Segundo o governo, 451.432 testes RT-PCR tinham sido distribuídos aos estados até 16 de abril.

Foram 630 testes moleculares feitos para cada milhão de habitantes. Como comparação, até a mesma data e usando o mesmo parâmetro ajustado para a população de cada país, o Chile realizou 6.430 testes e a Bolívia, 370.

Entre os estados brasileiros, São Paulo fez 595 exames por milhão de habitantes; o Rio de Janeiro, 524; o Amazonas, 1.282; e o Ceará, 954.

Os dados foram informados pelo Ministério da Saúde com base no GAL (Gerenciador de Ambiente Laboratorial), sistema que gerencia as requisições de exames e recebe os resultados dos laboratórios.

Em números totais, o Distrito Federal foi o que menos realizou exames RT-PCR. Foram 132, segundo o GAL. Por outro lado, a diretoria do Lacen-DF afirma que foram feitos 5.300 exames moleculares e que não usa o GAL para registros de exames de Covid-19.

Marcelo Gomes, pesquisador do Programa de Computação Científica da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), diz que o sistema é bom e confiável, mas com a ressalva de que ele não é integrado ao Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep-Gripe), onde são registrados os atendimentos para casos de Síndrome Respiratória (SR) e Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).

“Tem que uma pessoa da secretaria municipal ou estadual entrar no GAL, pegar o resultado do exame e registrá-lo manualmente no Sivep. Isso tudo demanda tempo, gente e tecnologia, e contribui para a demora no registro”, diz.

A coleta de amostra respiratória é o primeiro passo para verificar se uma pessoa foi contaminada pelo Sars-CoV-2. O método recomendado pelo Ministério da Saúde é o nasofaríngeo, em que um swab (tipo de cotonete) é inserido via nariz ou boca até o fundo da garganta, onde a faringe se encontra com a cavidade nasal.

A amostra é enviada ao Lacen mais próximo, e o profissional da saúde preenche a ficha de pedido no GAL com informações como o tipo de coleta e o exame requisitado. O laboratório do estado recebe o pedido, faz a análise e coloca o resultado no sistema.

Até 12 de março, porém, apenas os laboratórios do Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, da Fiocruz, no Rio de Janeiro, e do Instituto Evandro Chagas, em Belém, estavam autorizados a receber as amostras e processá-las no exame RT-PCR. Cada estado devia encaminhar ao laboratório de referência a amostra do caso suspeito de coronavírus.

Depois, os laboratórios centrais de cada unidade da federação foram autorizados a fazer o exame. Entre eles está a Fundação Ezequiel Dias (Funed), o Lacen de Minas Gerais.

Para Rodrigo Souza Leite, vice-presidente da Funed, não ter que encaminhar a amostra ao laboratório de referência é um dos motivos para a redução da fila de exames. Elas foram zeradas nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo, anunciaram os respectivos governos na quarta (22).

Outro é a mudança no procedimento de casos suspeitos. “Até então eram realizados exames para pelo menos outras nove síndromes respiratórias, e, caso desse negativo, elas iam para a Fiocruz”, diz.

A rede privada não tem um número consolidado de exames RT-PCR feitos. A Dasa diz que realizou 40 mil, mesma quantidade que o Grupo Fleury afirma ter realizado.

Carlos Eduardo Ferreira, presidente da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial, estima que, no total, foram feitos 600 mil exames moleculares nos laboratórios particulares.

“Não deve passar disso”, diz. Ele ressalta que o número de testes não é o mesmo de pessoas testadas. “Eu mesmo peguei Covid-19 e fiz o exame três vezes.”

Os exames RT-PCR são mais complicados pois necessitam que o material genético da amostra seja extraído, o que pode ser feito manualmente ou de forma automatizada.

“Temos sete, oito laboratórios que conseguem fazer uma demanda grande de amostras, e de grande entende-se como 3.000 testes por mês, Se o laboratório faz esses exames em um dia, ele é grande”, diz.

Na rede pública, os problemas de equipamento defasado e pouca mão de obra não são de hoje. Gomes fala que em momentos de surtos, quando a demanda de amostras é muito grande, eles não têm capacidade de processamento diário para dar conta do volume. “Chegam mais amostras por dia do que eles conseguem processar.”

Em 24 de março, o Brasil anunciou compra de 22,9 milhões de testes para o novo coronavírus. Na terça (20), o Ministério da Saúde aumentou a previsão para 46 milhões, dos quais 24,2 milhões de testes são RT-PCR e 22 milhões, testes rápidos –menos confiáveis, com chance de acerto de 25% em resultados negativos.

Fonte: Agencia Brasil