Coronavírus: país tem um dos piores índices de testes por milhão de habitantes

Enquanto países como a Islândia, Luxemburgo e Noruega, que aplicaram até 69.000 testes de coronavírus por milhão de habitantes, alcançam sucesso com a testagem em massa da população para combater a pandemia, o Brasil caminha a passos lentos para conseguir realizar grandes volumes de diagnósticos – são 655 por grupo de um milhão de pessoas, índice 105 vezes menor que das nações consideradas exemplo. 

A medida é vista pela Organização Mundial da Saúde como uma das mais eficazes para entender a disseminação do vírus pelo país e traçar políticas públicas contra a crise sanitária. Conforme dados do Ministério da Saúde obtidos pela reportagem do jornal O TEMPO, foram menos de 190.000 testes aplicados neste ano no país nos laboratórios centrais de saúde pública.

Os números ainda englobam diagnósticos de outras doenças respiratórias causadas por vírus, como gripes e pneumonias. Desse total, 132.467 foram específicos para o coronavírus, o que reduz a taxa por milhão de habitantes para 628, e outros 56.613 ainda estão em análise – quase 30% do total.

Atualmente, a capacidade dos laboratórios da rede pública espalhados pelo país – são 27, além das unidades da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) –, é de 11.000 testes por dia. “Com o compartilhamento dos equipamentos da Rede de Carga Viral do HIV e a Rede de Teste Rápido Molecular de Tuberculose estima-se dobrar a capacidade de processamento”, promete a pasta.

Ainda conforme o ministério, foi firmada uma parceria público-privada com a rede de laboratórios Dasa para o processamento das amostras de pacientes com suspeita de coronavírus. O contrato emergencial prevê a realização de três milhões de exames, com capacidade de analisar até 30 por dia. Também foi aberto um chamamento público para a aquisição de 12 milhões de testes rápidos de coronavírus.

Comparação com outros países

Há quase oito semanas, a pandemia do coronavírus se disseminou em dezenas de países de todos os continentes e diversas medidas emergenciais já foram tomadas para conter o número de mortes e casos. Além do isolamento social, que começa a ser flexibilizado em parte das cidades brasileiras, a disponibilização de testes da doença é um indicador de preparação de cada país, segundo a OMS.

Até agora, o Brasil só testou os casos graves – o número de mortes ultrapassou hoje quatro mil e já foram quase 59.000 confirmações. Enquanto o país tem média de 655 exames por milhão de habitantes, a Islândia  tem o índice mais alto e realizou mais de 69.000 diagnósticos a cada um milhão de pessoas. Já no Chile, o número é três vezes maior que a média brasileira e chega a 2.500 testes por milhão de habitantes.

Nos Emirados Árabes, que também tem promovido a testagem em massa, o índice ultrapassa 10.000 exames a cada milhão de pessoas, número próximo aos da Noruega, Luxemburgo e Áustria.

Média em Minas é ainda menor

Apesar de ser o segundo mais populoso do Brasil, com mais de 20 milhões de habitantes, Minas é o décimo Estado no ranking de casos de coronavírus, conforme balanço do Ministério da Saúde. E com menos de 12.000 exames realizados pela Fundação Ezequiel Dias (Funed), a taxa é ainda menor na comparação com a média do país – são 569 exames de coronavírus por milhão de pessoas.

A capacidade diária da fundação é de 700 exames – ainda há a parceria com os laboratórios da UFMG e do Hemominas para colocar os resultados em dia.

 

Fonte: Agencia Brasil