Baiano faz sucesso com ilustrações fofas do BBB20 na internet; veja

É só puxar uma conversar com Abel Marcelino, 30 anos, no Whatsapp para depois de duas frases trocadas ele vir com uma figurinha. No caso, feita por ele mesmo. “Aleluia, arrepiei”, dizia o sticker com  Rafa Kalimman e compartilhado por ele como resposta ao convite de conversa com nossa reportagem. O assunto? O sucesso de suas ilustrações sobre o Big Brother Brasil na internet.

(Ilustração: @petitabel)

Pouco antes da quarentena, o baiano foi fisgado pelo reality. Essa não foi a primeira vez que isso aconteceu. Em 2010, Abel também se envolveu fortemente com os participantes e compartilhou seus desenhos de fã na rede.”Era o início do Twitter no Brasil, não dava nem para compartilhar imagens, tinha que pôr um link, mas consegui um alcance enorme já naquela época. Eu nem trabalhava com isso, era algo que eu fazia de forma ainda muito rudimentar”, lembra. O sucesso dos desenhos fez até com que ele fosse convidado a ilustrar um livro de contos da ex-BBB Angélica Morango.

Dez anos depois, Abel se viu ligado novamente ao reality pelas questões raciais e de gênero que marcaram a edição. “Eu só passei a acompanhar essa edição depois que as discussões sobre assédio e relacionamentos abusivos começaram a crescer”, lembra o baiano, natural de Tucano, e formado em Belas Artes pela Universidade Federal da Bahia. “Como meu trabalho é pautado pelo ativismo, achei importante ficar mais ligado nesse assunto, que era o que estava rendendo na internet. Esse BBB tocou em temas essenciais, e enfim a população estava aberta para a discussão”, avalia.

(Ilustração:  @petitabel)

Com um desenho fofo, marcado pelas formas arredondas e pelas candy colors – também conhecidas como “cores pastéis”, de tonalidades suaves -, as caricaturas dos brothers (e principalmente das sisters) assinadas por Abel ganharam a internet. Não só o Twitter e o Instagram, onde ele mesmo compartilhava o material, mas também o Whatsapp. “As pessoas começaram a fazer isso de forma espontânea. Quando vi, meus desenhos já estavam virando figurinha”, diz ele, cuja única preocupação é que preservem a sua marca @petitabel.

Ele lembra que as figurinhas bombaram quando ele decidiu fazer uma série de desenhos do Babu. “O Babu vinha sendo pintado como um monstro por ser um homem negro que se posicionava, e eu nunca tinha visto ele daquele jeito. Eu achava ele a coisa mais fofa! Então, decidi fazer os desenhos de como eu via ele”, recorda.

Se no Babu os pente garfo aparecia dentro do cabelo black power, nos desenhos de Thelminha, sua favorita desde sempre, ele pôs uma coroa. “Abracei ela desde o início, insisti que a edição a boicotava e que ela estava sendo invisibilizada. Quando eu resolvi assumir essa página, eu coloquei como princípio jogar luz sobre temas. Prezo pela consicentização, pelo diálogo. Sou pessoa LGBT, ativista, e decidi não mudar a minha essência artística para conseguir like. O reconhecimento vem pela minha autenticidade”, afirma. As ilustrações de Babu e Thelma foram usadas por ativistas negros em diversos posts nas redes sociais

(Ilustração: @petitabel)

Por isso, mesmo com toda fofura, ele não abriu mão de desenhar as situações como as interpretava, mesmo que isso viesse a causar “tretas” na internet. Foi assim, por exemplo, com a ilustração que fez sobre o show de Dua Lipa, em que Manu aparece visivelmentee emocionada e os concorrentes atônitos com o possível favoritismo da sister que ganhou um show internacional só para ela.

“Isso gerou uma discussão, veio gente me trazendo outros pontos de vista, e é isso que acho importante.Existia meu favoritismo, mas eu não posso passar pano para as coisas, fingir que elas não aconteceram. A idealização é que gera a cultura do cancelamento”, opina. “Minha ideia é transformar a ilustração em um fio condutor para uma conversa,  um textão, uma conduta”, arremata.

(Ilustração: @petitabel)

Fonte: Correio