Com 794 mortes por coronavírus, Rio prorroga quarentena até 11 de maio

O estado do Rio de Janeiro prorrogou nesta quinta-feira (30) a quarentena imposta desde o final de março para conter a pandemia do novo coronavírus.

Ao contrário das intenções do presidente Jair Bolsonaro, o decreto do governador Wilson Witzel determina que aulas de escolas e universidades, eventos públicos e serviços e comércio não essenciais continuam suspensos até 11 de maio.

Supermercados, padarias e armazéns podem permanecer abertos (respeitando as medidas de distância social), e os restaurantes só podem operar com entregas.

O estado com 17 milhões de habitantes registrou oficialmente 794 mortes e 8.869 casos, mas as autoridades reconhecem que há um alto grau de subnotificação.

“Considerando a subnotificação, devemos ter hoje no estado do Rio algo em torno de 140.000 infectados, 15 a 20 vezes mais que o número oficial”, disse o secretário de Saúde do estado, Edmar Santos, em entrevista à TV Globo nesta quinta-feira. 

Por esse motivo, Santos alertou que o Rio poderá registrar uma situação de colapso nas próximas “três ou quatro semanas” semelhante à de países como Itália, Espanha e Estados Unidos. 

Com esse número de infectados, Santos estima que 7.000 pessoas precisarão ser internadas em Unidades de Terapia Intensiva (UTI), algo “humanamente impossível para qualquer sistema de saúde no mundo”.

Segundo Santos, somando os esforços das autoridades do estado do Rio e de todos os seus municípios, o número de leitos de UTI poderia ser ampliado para 3.400. Mas ainda assim, faltariam equipes de saúde especializadas para atender aos pacientes.

O Brasil registrou até quarta-feira 5.466 mortes e 78.162 casos, segundo dados do Ministério da Saúde. Especialistas indicam que esse número pode ser até 15 vezes maior, devido à falta de testes.

Desde o início da pandemia, Bolsonaro minimizou sua gravidade e criticou as medidas impostas pelos governadores, alegando que as consequências econômicas da paralisação serão piores que as causadas pelo próprio vírus.

Fonte: Agencia Brasil