Caixão é deixado em cemitério e ausência de parentes chama a atenção de vendedores

Um caixão numa sala de velório de um cemitério público de Salvador não é novidade. O que chamou a atenção na manhã desta sexta-feira (1º) foi a ausência de alguém para velar o corpo, se despedir do ente querido. Foi isso que vendedores de flores, que trabalham justamente em frente a uma das salas de velório do Cemitério Quinta dos Lázaros, na Baixa de Quintas, observaram no início da manhã.

Por volta das 7h15, um caixão de madeira, embalado em um plástico – protocolo usado em alguns casos de morte por covid-19 – foi deixado por uma funerária na sala de velório que fica do lado de fora do cemitério, pouco antes do portão que dá acesso ao local. Em seguida, o funcionário da funerária deixou o local, mas não apareceu ninguém para velar o corpo.

De acordo com a Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab), que administra o cemitério, o caixão foi deixado no local por volta das 7h15, mas a família desistiu de fazer o sepultamento em uma das gavetas do cemitério – que, segundo a Sesab fica em uma área que, assim como a sala de velório, também não é administrada pela pasta.

“Enquanto os familiares foram dar providências para o sepultamento em outro local, deixaram o caixão lá. Por volta das 8h30, o caixão foi retirado”, inormou a Sesab, em nota.

Por conta da ocorrência, a secretaria determinou que só serão permitidos velórios no local para os corpos que já estiverem com a guia de sepultamento para o próprio cemitério.

Em entrevista à TV Bahia, o responsável pela funerária afirmou que recolheu o corpo no Hospital Municipal de Salvador, na Boca da Mata, e que o deixou no cemitério à espera da família, que é da cidade de Serrinha, no Nordeste de Bahia. O corpo acabou sendo levado para a cidade, onde será sepultado.

Ainda de acordo com funcionário da funerária, a pessoa que teve o corpo deixado no local morreu de câncer, mas há uma suspeita de que tivesse contraído covid-19. O CORREIO procurou a Secretaria Municipal de Saúde de Salvador (SMS), mas ainda não há confirmação de que o corpo tenha saído do Hospital Municipal, nem que houvesse uma suspeita de morte pelo novo coronavírus.

A Arquidiocese de Salvador, que administra parte das carneiras no interior do cemitério, pertencentes a irmandades da Igreja, também foi procurada, mas disse que não é responsável pelo local onde o caixão foi deixado.

Fonte: Correio