Meu Domingo: confira a seleção especial de Letieres Leite

Idealizador e maestro da Orkestra Rumpilezz, Letieres Leite, 59 anos,  tem uma trajetória musical que vai da música instrumental à MPB.  Além do elogiado trabalho com a orquestra baiana, ele tem desenvolvido outras experiências, como a do Quinteto Letieres Leite, que explora uma musicalidade mais próxima ao jazz e com o qual ele lançou no ano passado o álbum O Enigma de Lexeu, pela gravadora carioca Rocinante.

Pela mesma gravadora, lançou no final do ano, o álbum Canção da Cabra, parceria  com o Sylvio Fraga Quinteto, do Rio de Janeiro.  E ainda  finaliza um disco de releituras do Coisas, álbum histórico de Moacir Santos, desta vez com  a Orkestra Rumpilezz. Convidado da coluna Meu Domingo desta semana, o maestro viaja em sua rica formação musical e indica 5 álbuns pra gente conhecer ou matar saudades.  Confere e corre pra ouvir.  

Top 6

1.    Imyra, Tayra, Ipy (1976) Taiguara – Esse disco, por tudo o que representa, eu considero o mais importante dos que já escutei em toda a minha vida. E é seríssimo, isso. Ele traz uma seleção brasileira de músicos incríveis, as composições de Taiguara, letras e músicas incríveis, e os arranjos de Hermeto Pascoal. Eu tinha um LP e praticamente furei ele. Eu o indico pra todo mundo a vida inteira e pra mim é o disco mais importante que eu conheço. “Imyra, Tayra, Ipy”, de Taiguara, esse é o carro chefe da minha lista.

2.    Zabumbe-Bum-A (Remasterizado) Hermeto Pascoal – Do Hermeto eu poderia indicar vários discos, a obra dele é um marco em todos os sentidos da música instrumental brasileira. Mas o Zambumbe-Bum-A resume várias linhas que o Hermeto desenvolveu, e foi meu disco de cabeceira por muito tempo, e por isso eu o indico

3.    Araça-Azul (1972) Caetano Veloso –  Na época que saiu me chamou muita atenção porque ele não cumpria as estéticas da indústria, e até hoje eu o considero um disco de vanguarda, que avança. Acho que Caetano é um futurista sempre.

4.    Clube da Esquina 2 – Eu gosto muito do 1, mas o Clube da Esquina 2 é um dos discos que têm mais canções amorosas construídas com um rigor harmônico e melódico absurdo. E traz não só canções do Milton como de outros compositores também, e eu tenho uma impressão tão boa desse disco, de verdade e de amorosidade, eu gosto.

5.    Wheater Report – Sempre foi uma banda de cabeceira minha, acho que não perdia um LP, quando saía eu comprava. Mas eu fico com o Heavy Wheater por que é um marco, e tem os estilos que se firmaram nesse disco. Talvez não seja o que eu goste mais, mas é o mais representativo dessa banda que pra mim foi fundamental pra entender as possibilidades do fusion das músicas étnicas com o jazz, com a improvisção, o eletrônico e tudo mais, enfim, o fusion em geral.

6.    Kind Of Blue (Legacy Edition) Miles Davis – Não poderia ficar de fora esse disco, um dos que eu mais escutei e me fez apaixonar pelo jazz. O Kind Of Blue é um disco fundamental pra entender o estilo e as possibilidades que a música pode ter no jazz. É um disco padrão, não só pros conhecedores, mas pra todo mundo que quer ouvir uma música feita com um rigor e uma verdade absurdas. Esse disco é poderoso.

Fonte: Correio