Hospitais no interior de São Paulo já têm leitos de UTI para Covid-19 lotados

O aumento nos casos de coronavírus já leva aos primeiros registros de lotação total de leitos de tratamento intensivo em hospitais do interior de São Paulo. O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu tinha, na manhã desta terça-feira (5), 100% de ocupação em leitos de UTI destinados à Covid-19. O hospital é referência para casos graves da doença em 68 municípios da região central do Estado. A direção anunciou que vai investir recursos próprios – sem verba adicional do governo – para abrir mais oito leitos de UTI, dobrando a capacidade atual para casos graves da doença.

O HC de Botucatu conta com 54 leitos para tratamento intensivo, incluindo UTIs adultos, coronariana, pediátrica e neonatal. Destes, oito foram destinados para tratamento exclusivo de pacientes com coronavírus. São leitos em quartos independentes e isolados, de acordo com os protocolos da Secretaria da Saúde do Estado. Além de todos os leitos da UTI da Covid estarem lotados, existem outros 26 pacientes positivos ou suspeitos internados em enfermaria, com risco de terem o quadro agravado. Nas últimas semanas, o hospital deu alta para dez pacientes e oito morreram com a covid. 

Conforme a direção, o hospital tem espaço reservado para mais 14 leitos, o que elevaria a capacidade para 30 pacientes simultâneos. Para que sejam disponibilizados, é preciso que o Estado envie respiradores e libere verba para a contratação de recursos humanos. Segundo o superintendente André Balbi, o aumento da capacidade é uma medida necessária. “Nossa assistência já estava se preparando para um futuro aumento de casos, e pensando em todos os pacientes que precisarão ser atendidos neste período. Tenho certeza de que esta foi a melhor decisão a ser tomada pelo HC”, disse.

Em Sorocaba, nesta terça-feira, dos 20 leitos de UTI do Hospital Estadual Adib Jatene, 19 estavam em uso – ocupação de 95%. O hospital é referência para 32 municípios. Com o mesmo número de leitos para tratamento intensivo, a Santa Casa tinha ocupação de 45%, mesma média dos três hospitais privados com UTI para Covid-19. A cidade registra 159 casos positivos e 23 óbitos. Em São José dos Campos, a ocupação de leitos de UTI era de 45,5%, enquanto em Ribeirão Preto, de 21%.

Na Baixada Santista, com 335 pacientes internados, a lotação hospitalar atingiu 80% dos leitos de UTI, segundo o prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa (PSDB). Os nove municípios da região têm 1.200 casos suspeitos e já registraram 136 mortes pela doença. Um estudo baseado na aplicação de testes rápidos indicou que há potencial para que outras 23 mil pessoas adoeçam. O trabalho apontou que 60,3% das pessoas dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS) para atendimento, o que faz aumentar a preocupação com o risco de colapso hospitalar.

O Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista (Condesb), presidido por Barbosa, pediu ao governo Estadual que assuma um dos hospitais municipais da região e destine pelo menos 137 respiradores para transformar leitos de UTI em enfermaria. Santos, Praia Grande, Cubatão e Itanhaém tem hospitais nessa condição. Em Santos, já são 158 pacientes internados e 18 óbitos pela covid. Há ainda 716 casos confirmados e 300 suspeitos. Em Praia Grande, a situação também é alarmante, com 535 casos positivos, 32 mortes e 27 pacientes internados. No Guarujá, são 236 casos, 51 pessoas internadas e 16 óbitos confirmados.

Fonte: Agencia Brasil