Vítimas procuram polícia para relatar agressão em atos pró-governo em Brasília

Outras vítimas de agressão durante os protestos durante o final de semana passado, em Brasília, registraram queixas junto às autoridades de segurança do Distrito Federal. A polícia informou que três ocorrências foram registradas na tarde de terça-feira (5) por meio da Delegacia de Polícia Eletrônica.

Os casos agora foram repassados para o 5º Distrito Policial, que vai proceder com a investigação. As novas queixas se somam a outros pedidos de apuração das agressões.

Na terça, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios requisitou à Polícia Civil que investigue as agressões contra jornalistas e enfermeiros durante as manifestações em Brasília.

A Polícia Civil deve remeter os resultados da investigação de volta ao Ministério Público em um prazo de até 30 dias, para a tomada das providências cabíveis. O documento é assinado pelos promotores Leonardo Borges de Oliveira e Gilberto Teles Coelho, do Ncap (Núcleo de Investigação e Controle Externo da Atividade Policial).

A polícia do DF informou que, com os novos registros, foram instaurados termos circunstanciados –quando se tratam de infrações de menor gravidade– para apurar os fatos, além da investigação solicitada pelo Ministério Público. “Todos os envolvidos serão ouvidos”, informou a Polícia Civil, por meio de nota.

Os novos registros se referem todos ao episódio do dia 1º de maio, na Praça dos Três Poderes, e foram os primeiros boletins de ocorrência registrados junto às autoridades de segurança para esse caso. Naquela data, um grupo de enfermeiros realizava durante a tarde um protesto pedindo melhores condições de trabalho e em defesa do distanciamento social, para conter o novo coronavírus.

Cerca de dez militantes bolsonaristas passaram a filmar os enfermeiros e ofendê-los verbalmente. Em um momento de maior tensão, um homem cuspiu em algumas pessoas e chegou a segurar uma de maneira mais brusca.

Reportagem do UOL mostrou que se trata de um ex-funcionário terceirizado do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, comandado por Damares Alves. Renan da Silva Sena trabalha para a G4F Soluções Corporativas Ltda, que presta serviços operacionais e de apoio administrativo.

A pasta de Damares afirmou inicialmente que o desligamento do funcionário já havia sido pedido para a empresa prestadora de serviço, o que teria se efetivado em 23 de abril. Posteriormente, o ministério e a G4F Soluções Corporativas afirmaram que o desligamento oficial aconteceu no dia 4 de maio –ou seja, três dias após a agressão.

No domingo (3), um novo protesto com pautas antidemocráticas ocorreu na frente da rampa do Palácio do Planalto e teve a participação do presidente Jair Bolsonaro. Durante a manifestação, jornalistas foram agredidos verbal e fisicamente, entre eles a reportagem do jornal Folha de S.Paulo.

Um repórter fotográfico do jornal O Estado de S. Paulo chegou a ser derrubado de uma pequena escada e depois agredido com chutes e socos. Um boletim de ocorrência foi registrado pelo profissional.

A Polícia Civil afirmou que, “como se trata de vias de fato”, seria instaurado um termo circunstanciado e o caso seria encaminhado para o Juizado Especial Criminal.

Fonte: Agencia Brasil