Escritor Sérgio Sant'Anna morre, aos 78 anos, vítima do coronavírus

O escritor carioca Sérgio Sant’Anna, um dos maiores autores em atividade no país, morreu na madrugada deste domingo (10), aos 78 anos, em decorrência da Covid-19. Ele estava internado desde o domingo (3) no hospital Quinta D’Or, no Rio de Janeiro.

De acordo com seu filho, o também escritor André Sant’Anna, o pai vinha melhorando e saindo da sedação – mas teve uma parada cardíaca nesta madrugada.

Conhecido pela experimentação formal, ele transitou e foi elogiado por seu trabalho em diversos gêneros, mas era celebrado principalmente como um dos grandes nomes do conto brasileiro  – ao lado de Rubem Fonseca e Dalton Trevisan.

Mesmo com a idade avançada, chamava a atenção o fato de Sant’Anna continuar não só produzindo, mas mantendo a qualidade à altura de sua obra pregressa. Seu último livro inédito foi “Anjo Noturno”, de 2017.

No ano passado, ele, que era advogado de formação, completou 50 anos de carreira literária. Sua estreia foi em 1969, com o livro “O Sobrevivente”, uma edição do autor paga com dinheiro emprestado de seu pai. Com a obra, ganhou uma bolsa em um programa da Universidade de Iowa, nos Estados Unidos, voltado para escritores.
Sant’Anna fez carreira como funcionário público – uma tradição entre autores brasileiros- no Tribunal do Trabalho e também foi professor na Escola de Comunicação da UFRJ, onde ficou até 1990 e era idolatrado pelos alunos. Depois desse período, passou a se dedicar somente à literatura.

Dentro das experimentações promovidas por San’Anna estava o diálogo com outros campos, como as artes plásticas, o teatro, o cinema -além da promoção da mistura de gêneros literários. Entre seus livros mais famosos estavam obras como “Confissões de Ralfo”, “Um Crime Delicado, “O Concerto de João Gilberto no Rio de Janeiro” e “O Homem-Mulher”, entre outros. Sua obra é publicada pela Companhia das Letras.

Torcedor do Fluminense, escreveu também histórias sobre futebol -caso de um de seus últimos contos, publicado no caderno “Ilustríssima”, da Folha de S.Paulo”, no qual narra o treino do time a partir do ponto de vista de uma velha trave.

Também era conhecido por ler assiduamente autores de novas gerações – e, recentemente, comentar suas leituras no Facebook -, além de manter diálogo com eles. Essa postura foi simbolizada na Flip de 2018, quando o mestre dividiu uma mesa com o escritor Gustavo Pacheco, que estreava com o volume de contos “Alguns Humanos”.

No debate, Sant’Anna chegou a lançar uma provocação: “não tenho tempo de ler esses livros todos. Tenho a opinião de que no Brasil está se escrevendo demais. O Brasil tem que ter mais leitores e menos escritores”.

O autor também arrancou risos da plateia ao contar que optou por ser contista e não romancista porque se angustia ao escrever – e que, por isso, não seria bom escrever algo mais longo.

Fonte: Agencia Brasil