Máscaras: marcas baianas mudam negócios para sobreviver na pandemia

Proprietário da marca GRV Modas, Glebsson Almeida viu o comércio de streetwear parar com a quarentena. Certo dia, olhando para as pessoas na rua, viu uma vizinha usando uma máscara de pano e pensou: por que não? “Tinha a matéria prima nas mãos, minha produção estava parada e chamei as costureiras e alguns parceiros e começamos a trabalhar com a ideia”, conta.

Hoje, a marca produz cerca de 1 mil unidades por dia. “Os clientes nunca compram apenas uma máscara, geralmente, compram para família toda até porque uma pessoa necessita no mínimo de três máscaras para utilizar durante o dia”, diz, ressaltando que a clientela sempre leva algum outro produto, fato que possibilita movimentar o comércio.

O novo fôlego possibilitado pela fabricação de máscaras também ajudou a comunidade de Ilha Amarela, em Salvador, onde a fábrica funciona.

“A situação permitiu que reuníssemos um grupo de amigos que arrecadam alimentos junto aos comerciantes e outros moradores. Montamos as cestas básicas e acrescentamos duas máscaras a cada uma delas como uma forma de contribuir e envolver todo mundo numa corrente de proteção e solidariedade para a comunidade e para os mais necessitados”, conta Glebsson.

Negócios solidários

A solidariedade e as sobras de tecido também deram um novo fôlego à marca Cambodja. Com as lojas fechadas e o trabalho das costureiras parado. Fátima Berenguer e as sócias perceberam na quarentena uma possibilidade de ajudar o Hospital das Clinicas com a doação de máscaras e jalecos impermeáveis.

“Acredito muito na boa vibração que a solidariedade traz, pois essa doação se reverteu em vendas e uma movimentação muito positiva com as nossas máscaras, que possuem as mesmas estampas das roupas”, conta a empresária, que retirou a sobriedade do branco e deixou a proteção com ares fashions.

A marca comercializa através das redes sociais kits com 3, 5 e 10 máscaras sortidas, com as estampas que fizeram a marca uma das queridinhas locais. Segundo Fátima, o maior destaque tem sido as máscaras com tecido camuflado, que virou um hit em pouco tempo depois do lançamento. “Para além da pandemia, as máscaras são acessório de etiqueta social, então acho que elas têm grandes chance de se incorporarem ao vestuário”, defende.

Máscaras com as mesmas estampas das roupas fazem sucesso entre os clientes da Cambodja, mostrando que os acessórios podem ser fashion (foto: Divulgação)

Investimento seguro

No entanto, antes de sair investindo em equipamentos e tecidos, o gestor de atendimento e analista técnico do Sebrae Bahia, Wagner Gomes, salienta que as máscaras têm uma comercialização muito específica para este momento da pandemia e que não é indicado investimento em aquisição de equipamentos com custo alto. “Se o objetivo for apenas fabricar máscaras nesse período, deve ser feito por quem já atua com costura, artesanato ou tem os equipamentos mínimos e quer aproveitar o momento para garantir uma renda mínima sem muitos investimentos”, sugere.

Se a proposta for começar um empreendimento que envolva um ateliê, o representante do Sebrae sugere que esse empreendedor faça a  Carteira Nacional do Artesão ou se registre como microempreendedor Individual(MEI). Além disso, é preciso  ter um espaço de trabalho, máquina de costura, demais materiais, instrumentos e equipamentos (tecido, elástico,  fita, linha, viés, tesoura, caneta mágica ou fantasma, giz de alfaiate, cortador, fita métrica, alfinetes, tábua de corte, régua, mesa de apoio, iluminação, energia elétrica, cadeira, entre outros) e, acima de tudo, habilidade para esta atividade. “ Para dar início a um ateliê, o investimento gira em torno de R$ 1.300,00, se considerarmos alguém que vá começar do zero, que já saiba costurar e não tenha nada”, esclarece.

Wagner faz questão de ressaltar que a fabricação de máscara artesanal caseira não é indicada para quem quer começar a empreender apenas com isso. “O custo médio do material de produção de uma máscara fica em torno de R$ 3,00, o valor médio de comercialização da unidade tem sido R$10,00. Consideramos que seria necessário então produzir e vender em torno de 170 máscaras para liquidar os custos com o investimento inicial”, diz.

Uma dica do analista é comercializar um número mínimo por pedido, por exemplo, de três máscaras por pedido, para agilizar o retorno e facilitar também a operacionalização da produção. Ele defende que essa é uma oportunidade valiosa para quem quer continuar no ramo de costura ou artesanato. “Há grandes chances de ampliar a clientela  com a comercialização de máscaras nesse período da pandemia, além de diversificar o que produz”, finaliza, reforçando a necessidade de investir na qualidade do produto ofertado e no atendimento.
 

Fonte: Correio