'A maioria das pessoas vai engordar na quarentena. É natural', afirma Daniel Cady

O que comer durante a quarentena para ter uma alimentação mais saudável? Esse foi o tema da live Saúde & Bem-Estar, que aconteceu nesta terça-feira (12), no instagram do jornal CORREIO (@correio24horas) – assista completa abaixo. Ao responder os leitores, o nutricionista Daniel Cady (@danielcady) defendeu uma nutrição mais compreensiva e uma alimentação com menos culpa e mais equilíbrio. Ele também foi enfático ao dizer que, por grande parte das pessoas estarem isoladas em casa, é natural engordar neste momento de pandemia. 

“Quem não engordar na quarentena está no lucro. A maioria vai ganhar peso. É natural. Depois, a gente retomar à rotina e poderá voltar ao nosso peso normal. Nesse momento a gente precisa trabalhar muito a mente. A gente tem que se amar do jeito que a gente é. Isso não é um discurso pra você se desleixar. O importante, não só nesse momento, é você estar bem, se sentir belo(a) e não ficar se punindo e ligando para a opinião do outro”, afirmou o especialista, que é formado em Nutrição pela Universidade Federal da Bahia (Ufba) e pós-graduado em Nutrição Clínica Funcional pela Universidade Cruzeiro do Sul.

Questionado por uma leitora sobre a pressão que muito estão sofrendo e até mesmo cobranças pessoais para emagrecer neste momento, Cady falou sobre o quanto os padrões de beleza não são benéficos para a saúde das pessoas. “Existe uma ditadura da beleza na nossa sociedade. O que hoje é bonito, no passado foi visto como algo terrível. Infelizmente, existe essa pressão da mídia, dos famosos, e uma grande indústria do ‘engorda emagrece’. As mulheres estão mais vulneráveis a isso. Não existe um corpo padrão. Nós somos diversos. O que eu digo é o seguinte: não fiquem presas a isso. A gente tem que se aceitar. Não podemos nos resumir a um corpo. A gente tem que evitar de consumir tudo isso: revista que fica dizendo isso, blogueira que fica perseguindo isso (…)”, exemplifica, ao falar sobre comportamentos restritivos.

“A gente precisa também consumir informação saudável. Precisamos acompanhar pessoas que saiam dessa coisa rasa. Todos nós vamos envelhecer. O peito vai cair, o cabelo vai ficar branco… Eu mesmo já fui muito ligado a essa parte estética. A gente vai crescendo e vê que isso não importa. Se cuide, se ame, cuide do corpo e da mente. Faça as pazes com o corpo e a comida”, completa ele.

Ansiedade
Para o nutricionista, o problema está quando a pessoa não descobre um prazer além da comida. “Quando existe isso, é preciso tentar modificar. Está todo mundo agoniado, preocupado com o futuro, com medo de perder emprego… O grande lance é você perceber que às vezes você está mastigando seus medos e angústias (ansiedade). No momento que você perceber isso, você pode voltar atrás e buscar o equilíbrio. Muita gente tá aproveitando esse momento pra mudar o estilo de vida. Eu vejo pontos positivos nesse momento”, acredita.

Ele mesmo revelou que, no início do isolamento social, estava muito ansioso e começou a ler muitos livros sobre meditação, respiração e ansiedade. Foi quando começou a fazer um curso de jardinagem e descobriu um novo hobby. “Está sendo super bacana. Minha ansiedade diminuiu. Tenho tentando dar minha contribuição também com conteúdo e lives aqui no Instagram. No início eu estava assistindo o noticiário 24 horas por dia e isso era péssimo. O que eu aconselho as pessoas é buscar formas de controlar a ansiedade, porque isso, além de fazer mal, pode nos fazer comer mais”, explica.

Questionado diversas vezes pelo jornalista Jorge Gauthier, do CORREIO, sobre alimentos específicos, como farinha e tapioca, ele ressaltou que “não existe alimento vilão e nem alimento mocinho”. “Se a tapioca fosse tão ruim assim, os índios não teriam vivido tanto. Eles comem com peixes, legumes e outras frutas. Se você souber rechear, combinar com outras coisas, não tem nenhum problema. Ela é um alimento prático, rápido, gostoso e não é caro. Não vamos colocar culpa nos alimentos”, afirma.

O especialista defende que tudo demais não faz bem. “Ninguém tá falando que pão ou farinha é veneno. Agora, se você não sabe combinar os alimentos, a farinha pode prejudicar. O grande lance é o que você vai colocar no pão, por exemplo. O ideal é você acrescentar nutrientes em um alimento que não é tão nutritivo. E também dosar as quantidades”, recomenda.

Alimentos para fortalecer a imunidade
“E quais alimentos são bons para fortalecer a imunidade?”, questionou Gauthier, logo no início da live. “São muitos. O segredo é buscar a variedade. E quase todos são alimentos simples, baratos. O que a gente sabe é que muito açúcar, muita gordura, muito sódio, frituras e industrializados não são bons. Não existe relação entre imunidade e preço. A gente lê muito sobre a vitamina C e frutas cítricas, por exemplo. Limão, laranja, acerola, etc. Outros alimentos que são coloridos, os fitoquímicos, também agem em prol da nossa imunidade. Qualquer fruta vai ser bem-vinda nesse momento. Aqui em casa mesmo estamos fazendo muita coisa com coco e abacate. Caquí, que é muito rica em Vitamina A, está na época. Aposte em verduras e legumes de forma geral e não deixe de lado uma saladinha. Pensar nessa questão da variedade ao longo da semana”, indica Daniel.

Para dar sabor, ele indicou o uso de especiarias, que também ajudam a fortalecer o sistema imunológico. “Orégano, manjericão, gengibre. Dá para temperar e também fazer sucos. Tem a cúrcuma, que pode ser tempero para arroz, frango, etc. Tem também alimentos ricos em probióticos”, afirma. 

Comida de criança?
Outra questão abordada na live foi a alimentação da criançada, que está em casa nesse período de coronavírus. “Não gosto muito de classificar ‘comida de criança’ e ‘comida de adulto’. Quem faz isso é o mercado. Se você pensar assim, a comida de criança vai ser sempre altamente industrializada, cheia de corantes. Acho que a comida de casa é uma só pra quem tem filhos”, afirma. 

Ele exemplificou que, em sua casa, por exemplo, procura variar ao máximo a alimentação dos filhos – Marcelo, 10 anos, Marina e Helena, 2 – frutos do casamento dele com a cantora baiana Ivete Sangalo. “As bolachas, por exemplo, evitamos comprar recheadas. Mas de vez em quando tem. Minhas filhas comem ovo quase todo dia no café da manhã. Faço mexido, cozinho, dou de codorna e elas adoram. Eu não ultrapasso três ovos por dia”.  

No ao vivo, Daniel também deu dicas para diabéticos – ele até cita uma receita lá nos 40 min da conversa – falou sobre a alimentação para quem é vegetariano; e deu dicas sobre vitamina D. “A gente não vai dar bronca em ninguém. Vamos trocar a bronca pelo abraço. A gente tem que acolher a pessoa, tentar fazer com que ela descarregue essa ansiedade em outras coisas”, falou. Assista.

Ex-atleta de natação, Cady é o nutricionista de artistas e atletas de diversos esportes, tendo grande expertise em Nutrição Personalizada, Esportiva e Funcional. Já acompanhou a Seleção Brasileira Paralímpica de Natação e Seleção Olímpica de Maratonas Aquáticas, além de atletas do Futebol, MMA, Triathlon, Atletismo, Remo, dentre outras modalidades. O premiado atleta baiano, de maratonas aquáticas, Allan do Carmo é orientado pelo nutricionista.

Daniel Cady é um dos nomes atuantes da nutrição esportiva brasileira, em defesa da comida, acreditando na busca do equilíbrio e fazendo da forma de se alimentar, um estilo de vida. Este pensamento criou o Cadyway, um label que promove programas, produtos e serviços que levam a assinatura do nutricionista.

A live Saúde & Bem-Estar é apresentada, às terças-feiras, pelo jornalista Jorge Gauthier, especializado em Jornalismo Científico & Tecnológico com ênfase em Saúde (UFBA) e integrante do CORREIO. 

Fonte: Correio