Comida com cuidado: conheça as precauções necessárias na hora de pedir refeições em casa

Já se passaram mais de dois meses desde que a recomendação ‘fique em casa’ tomou conta do país. Sem poder sair de casa, a não ser para atividades indispensáveis, a opção de delivery acabou se fazendo ainda mais presentes na rotina de quem está de quarentena. Lanchonetes e restaurantes tiveram que adaptar seus serviços e até quem os pede precisou mudar um pouco a forma de receber os alimentos. Seja qual for a etapa da ‘viagem’, é preciso alguns cuidados para evitar que o pedido de comida represente qualquer risco.
 
O cuidado redobrado com a higiene para evitar a proliferação do novo coronavírus precisa estar presente, segundo os especialistas, durante todo o processo do pedido: desde a compra dos insumos até o momento antes de consumir o produto, já com o pedido entregue para o cliente. As medidas podem acabar interferindo, inclusive, na escolha do que pedir.
 
“É sempre bom que o primeiro cuidado seja no momento de escolher o restaurante. Pedir em um lugar que já conheça, que saiba dos bons hábitos de higiene, que tenha confiança é sempre melhor, principalmente agora”, opina a médica sanitarista Eliana de Paula, professora da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública. Outro ponto que influencia a própria escolha diz respeito ao que pedir. “Evitar comidas cruas e preferir as que tenham passado por algum processo de cozimento é uma forma de proteção, não só contra o coronavírus, mas também da exposição a outros tipos de bactérias”, completa.
 
Escolhido o pedido, passa-se para os cuidados com a forma de recebê-los. Evitar o contato com o entregador e preferir realizar o pagamento remoto – pelos aplicativos – ou em cartão são formas de proteção. “O dinheiro precisa ser a última opção, pra que a gente evite o contato. Outra preocupação são as embalagens. Quando a comida chegar em sua casa, o que for descartável se joga fora e se higieniza as mãos novamente antes de comer”, aconselha a médica infectologista Clarissa Ramos.
 
Dependendo da embalagem, o que não for descartável, deve ser higienizado com água e sabão antes do consumo. É justamente o cuidado que tem tomado a funcionária pública Ivone Silva. “Por continuar trabalhando, mesmo de casa, o tempo fica curto e muitas vezes preciso recorrer ao delivery até pra refeições do dia a dia mesmo. Mas quando chega, eu lavo as embalagens com água e sabão antes de abrir para comer”, relata.
 
No grupo oposto, a bióloga Juliana Marinho tem evitado os pedidos de delivery. “Por mais que a embalagem venha com todo cuidado, a gente não tem como se assegurar de como foi realizado o preparo. A gente sabe que os restaurantes têm que tomar um cuidado, mas nesse momento acabo ficando insegura e preferindo cozinhar em casa” diz.
 
Na cozinha
Dentro do ambiente de preparo dos alimentos os cuidados com higiene já são parte comum da rotina. Mesmo assim, com a pandemia, novidades surgiram para redobrar a atenção. “Algo que não era comum era o uso de máscaras, que agora estamos fazendo, e investindo também num maior distanciamento entre quem está na cozinha. Temos também profissionais de nutrição diariamente acompanhando os trabalhos, principalmente quanto a essas práticas”, detalha o empresário Carlos Alexandre, do Restaurante Rei do Pirão.
 
A ideia é que os novos hábitos de proteção sejam levados para o dia a dia. “Se o funcionário se cuida em casa também não é bom só para o cliente, mas pra ele, pra saúde do próprio colaborador”, acredita. No restaurante, as mudanças também passam pela entrega. O entregador usa máscara e luvas e a máquina de cartão, higienizada constantemente, vai embalada em papel filme. 
 
Para a empreendedora Maria Claudia, que criou um serviço de quentinhas veganas durante a quarentena, os cuidados são muitos. “Antes disso tudo a gente só tinha protocolo pra higienizar os hortifrutis. Agora concentro o mercado em um dia, deixo todas as sacolas de feira do lado de fora da casa e higienizo absolutamente todas as embalagens”, conta ela.

Os cuidados precisaram ser disseminados, inclusive, pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes na Bahia (Abrasel-BA). “Desde os primeiros casos da doença, montamos um gabinete de crise para tratar dos impactos da pandemia nos restaurantes. Não só relativos ao delivery, mas também a outras questões como dúvidas legais, por exemplo.Temos feito lives diárias para esclarecer esses temas com os restaurantes, inclusive os não associados, e temos tido um ótimo retorno”, comenta Leandro Menezes, presidente da associação . “Quanto ao delivery, já trouxemos para esses encontros um profissional de nutrição para falar dos cuidados e donos de restaurantes que já operam delivery há muito tempo deram dicas. Tudo isso porque, realmente, muitos restaurantes nunca tinham tido essa opção de serviço”, revela.

Segundo dados da Abrasel, Salvador tem pouco mais de 12 mil bares e restaurantes em funcionamento na cidade. No início do período de isolamento, em março, 28% dessas empresas operam a modalidade delivery. Segundo o acompanhamento da associação, no início do mês de maio, o último monitoramento já mostra 37% das empresas utilizando a modalidade para funcionar

Adaptações
Os próprios aplicativos de entrega tiveram que adaptar suas rotinas. No iFood, por exemplo, itens de higienização passaram a ser distribuídos aos entregadores. “O iFood distribui álcool em gel aos entregadores para segurança e proteção daqueles que utilizam sua plataforma e evita aglomerações de pessoas com uso da tecnologia. Os kits de álcool em gel e material informativo serão entregues por meio de vans itinerantes em diversos pontos das cidades. O entregador receberá um chamado para ir até a van como se fosse coletar um pedido. Esta combinação de veículos espalhados pelas cidades e os chamados individuais evitará aglomerações e grandes deslocamentos dos entregadores”, explica a nota enviada ao CORREIO.

De acordo com a plataforma, apenas no mês de março, 175 mil pessoas enviaram documentos para validação, o que representa uma alta de mais de 100% com relação a fevereiro (85 mil). Se todos os cadastrados forem validados para realizar as entregas, o número de entregadores ativos, que hoje é de 170 mil, segundo a empresa mais que dobrará. “Ao solicitar o cadastro, todos os potenciais entregadores parceiros precisam ter mais de 18 anos e incluir os dados e documentos solicitados que variam de acordo com o modal de escolha e região de atuação. Na sequência, os perfis passam por um processo de análise e validação para que possam fazer entregas com o app”, esclarece o iFood sobre o processo até o cadastrado poder realizar entregas.

Um desses entregadores, Luciano Matos, 28 anos, trabalha através da plataforma há cerca de onze meses e agora viu sua rotina mudar. “Comecei a entregar porque não tava conseguindo um trabalho fixo, tenho filho pequeno e não posso ficar sem dinheiro. Mas, agora, cada dia de trabalho fico com medo. Não dá para parar, mas eu tenho tomado muitos cuidados, estado de máscara, luva, até peço para que o cliente pegue a encomenda direto do bagageiro para evitar ao máximo o contato. Pela minha segurança e pela dele”, conta.

Já a Uber Eats passou a passou a oferecer a possibilidade de entrega sem o contato físico entre o entregador e o cliente, além de dar visibilidade a restaurantes menores e locais em sua plataforma. “O Uber Eats também é o único aplicativo a oferecer a esses restaurantes parceiros pequenos e independentes a opção de receber repasses diários, em vez de esperar até o final da semana, para ajudar na manutenção do fluxo de caixa”, disse em nota a empresa.

EPIs na cozinha

  • Touca
  • Luva
  • Avental impermeável
  • Máscara
  • Sapato Fechado

 EPIs do entregador

  • Máscara
  • Luva
  • Álcool gel ou 70%

 Na hora de pedir:

  • Peça de restaurantes que sejam de sua confiança
  • Evite comidas cruas
  • Prefira o pagamento virtual ou no cartão
  • Busque o pedido de máscara
  • Mantenha distância do entregador
  • Descarte as embalagens
  • No caso de embalagens reutilizáveis higienize com água e sabão

 * Listas elaboradas pela médica sanitarista Eliana de Paula

O que evitar (Se for pedir, prefira restaurantes que já conhece e confia)

  • Saladas em geral
  • Saladas de fruta
  • Japonês 

Mais seguro pedir

  • Pratos quentes 
  • Pizza
  • Comida congelada – cujo cozimento vai ser feito em casa

Participaram da reportagem

  • Rei do Pirão: 3044-2888 @reidopirão
  • Pé na Jaca  (comida vegana) 98349-5396 @penajaca.veg

*sob orientação da subeditora Clarrisa Pacheco

Fonte: Correio