Mudança no governo põe em xeque versão de Bolsonaro sobre reunião

O Jornal Nacional (JN) divulgou nesta sexta-feira (15) que um ato do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) põe em xeque a versão dele mesmo para o que disse na reunião ministerial. O gestor alega que as queixas que fez, ameaçando até demitir ministro, se referiam à segurança dele, da família e de amigos no Rio de Janeiro e à tentativa frustrada de substituir pessoas do setor.

O presidente mesmo disse que a segurança dele é responsabilidade do Gabinete de Segurança Institucional (GSI). Mas, de acordo com o JN, 28 dias antes da reunião, o presidente tinha promovido o responsável pela segurança, em vez de demiti-lo. E ainda promoveu, para o lugar dele, o número dois da diretoria.

E, ainda de acordo com o Jornal, mesmo no Rio de Janeiro, houve troca na chefia do escritório do GSI menos de dois meses antes da reunião ministerial.

O general André Laranja Sá Correa é o comandante da Oitava Brigada de Infantaria Motorizada do Exército, localizada em Pelotas (RS), desde o dia 31 de março deste ano. É uma posição importante na estrutura do Exército, já ocupada, entre outros, pelo atual ministro-chefe da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos.

Mas, até o dia em que foi promovido, o general Sá Correa era diretor do Departamento de Segurança Presidencial, cargo que ocupava desde o começo do ano passado. O Departamento de Segurança Presidencial faz parte da Secretaria de Segurança e Coordenação Presidencial do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI). Ou seja, o general Sá Correa, subordinado ao ministro do GSI, Augusto Heleno, era o diretor que cuidava da segurança do presidente.

Ainda de acordo com o JN, a promoção de Sá Correia para general-de-brigada e a nomeação para o comando da brigada no Rio Grande do Sul foi publicada no dia 26 de março e entrou em vigor em 31 de março. Por causa dessa promoção, ele deixou no mesmo dia a direção da Segurança Presidencial, conforme decreto assinado pelo presidente Bolsonaro.

O até então diretor-adjunto, Gustavo Suarez, assumiu o posto. Pela lei que trata da promoção de oficiais das Forças Armadas, as promoções de oficiais-generais que ocorrem no dia 31 de março são feitas por escolha do presidente da República. “Dentre os mais credenciados para o desempenho dos altos cargos de comando, chefia ou direção.”

A mudança no comando do departamento que trata diretamente da segurança pessoal do presidente contradiz a versão apresentada pelo Planalto para a declaração de Jair Bolsonaro na reunião do último dia 22 de abril. A fala de Bolsonaro está no centro da investigação do Supremo Tribunal Federal contra o presidente da República e o ex-ministro Sergio Moro.

A reunião foi gravada em vídeo, e o material está sendo periciado pela Polícia Federal.

Fonte: Correio