Quer economizar? Veja como gastar menos combustível no seu veículo

Quando a pandemia passar, a economia estará fragilizada e todo o gasto desnecessário deverá ser cortado para atenuar a situação. Mas há despesas fundamentais, como o abastecimento do carro. Não adianta culpar o valor do combustível, pois gasolina e diesel seguem o preço internacional do petróleo e seu valor oscila de acordo com a cotação do barril. Além disso, o Brasil tem uma alta carga de impostos sobre esses produtos. A solução é fazer o combustível render mais.

A economia começa na compra do carro. O Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) coordena o Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV), que verifica o nível de eficiência de consumo e emissão de gases, tanto poluentes como os de efeito estufa (CO2). Ou seja, como em uma geladeira ou ar-condicionado, os veículos novos saem de fábrica com etiqueta de consumo fixada em um dos vidros. Dessa forma é importante entender a classificação de consumo do automóvel que está sendo comprado – essa escala que vai das letras A até E, de acordo com a categoria do veículo. Nesse selo do Inmetro, é indicado o consumo esperado para o veículo, se for bicombustível irá constar o consumo em etanol e gasolina.

Com o passar dos anos, o Inmetro instituiu um fator de correção, para aproximar os ensaios da vida real. Em testes para o caderno Autos do CORREIO, sempre verifico os dados e, em alguns casos, na prática, a média chega a ser melhor que a apontada pelo instituto governamental. Mas vários fatores influem. Desde a altitude  à intensidade do vento, passando pela carga do carro, entre outros itens.

CUIDADOS AO GUIAR

É importante levar em consideração diversos fatores para entender o consumo do carro. O primeiro deles é zerar o hodômetro sempre que abastecer – o ideal é manter fidelidade a um posto e acompanhar a sua reputação. É preciso ter precisão e bom senso para entender se o veículo está gastando muito ou não. Para isso, observe a média de consumo e também a velocidade média do período, se foi uma semana com muitos engarrafamentos, o consumo será maior.

Ao ir ao posto, calibre sempre os pneus. Se eles estiverem com a pressão abaixo do recomendado, o automóvel terá mais atrito e vai gastar mais para fazer as rodas girarem. Geralmente, a indicação de pressão fica na porta do motorista ou na tampa de combustível – justamente para que o condutor lembre-se de fazer a aferição. Se não encontrar nesses locais, consulte o manual, não confie no frentista, cada carro e tipo de pneu tem uma pressão estipulada pelo fabricante. Algumas marcas indicam ainda uma pressão maior para o carro gastar menos, como consequência, o pneu ficará mais duro. Em alguns, modelos é possível checar a pressão pelo painel de instrumentos.

Outro ponto é se livrar do peso extra. As cadeiras de praia ou a bicicleta que você só usa no final de semana ou um material de trabalho que fica no porta-malas irá impor mais carga ao veículo. Estudos recentes apontam que, para 50 kg extras, o consumo em ciclo urbano regulamentado sobe 2% e no ciclo rodoviário, 1,6%. Se você transportar quatro pessoas de 75 kg, por exemplo, vai gastar mais 12%. Não é a toa que os taxistas e aplicativos de transporte cobram mais quando levam mais que duas ou três pessoas.

Muitas pessoas questionam sobre os vidros: fechar ou deixar aberto? Aconselho fechar e, eventualmente, abrir recirculação do ar-condicionado. O equipamento ligado vai elevar o consumo, em média, em 0,5 litro de combustível por hora. Com as janelas fechadas você evita assaltos e aumenta a segurança em caso de capotamento. Se acontecer um acidente com os vidros abertos os braços tendem a sair e sofrerem severos traumas. Perceba que os vidros laterais são posicionados um pouco para dentro, eles não ficam rente à carroceria justamente para ampliar essa proteção. Além disso, muitos já são laminados, como o para-brisas.

Se você usa algum navegador via GPS para checar o trajeto, desde o nativo do seu carro ou algum aplicativo como Waze ou Google Maps, confira as opções de caminho. Muitas vezes eles indicam duas opções: rápido ou econômico/ecológico.

A manutenção do carro deve ser feita com regularidade, mas se você notar um excesso de consumo – por isso é importante acompanhar e zerar o hodômetro – vá até uma oficina ou concessionária para uma checagem extra. Sugira que chequem se os filtros foram trocados e se as velas e seus respectivos cabos estão bem encaixados e em boas condições. Esses componentes são essenciais para promover a queima ideal do combustível. Quanto maior o seu gasto com combustível, maior será a emissão de poluentes na atmosfera. Por isso, sempre que possível, dê preferência ao etanol. Nesse caso, faça a proporção para entender se ele é vantajoso para o seu bolso. Para isso, precisa ser 30% mais barato que a gasolina.

CONHECENDO SEU CARRO


 

Os veículos são muito diferentes entre si. Se você trocou de carro, o comportamento do atual não será como o anterior. Componentes, motorização e a transmissão são responsáveis por isso. O tipo de assistência para direção que é utilizada no seu carro também pode interferir no consumo. Se ela for hidráulica, por exemplo, o motor será responsável por fornecer força para aliviar o esforço que o motorista faz no volante. Se ela for elétrica, haverá um motor dedicado para essa função.

Se a tração for integral, que atua sobre todas as rodas, também haverá maior consumo. Em primeiro lugar, ela é mais pesada, segundo, porque transfere força para todas as rodas. Isso vai privilegiar a segurança e não o gasto de combustível.

É importante observar os tipos de transmissão. Nos carros manuais, observe no manual em que faixa de giro (rpm) está o torque máximo do motor. Não ultrapasse esse ponto, depois dele, não adianta mais acelerar. Troque a marcha.

Se o seu veículo é automático, é bom entender qual é o tipo dessa transmissão. As do tipo CVT têm um funcionamento muito específico, o ideal é pressionar o pedal gradualmente, esperando que os giros do propulsor subam de forma linear.

TENHA ATENÇÃO A ESSES ITENS:
1 – Observe a etiqueta de consumo antes da compra;
2 – Mantenha os pneus com calibragem correta;
3 – Crie uma rotina de abastecimento e zere o hodômetro;
4 – Faça as revisões indicadas pelo fabricante;
5 – Entenda qual é a faixa de giros ideal para trocar as marchas. 

VEJA QUAIS SÃO OS 10 CARROS A COMBUSTÃO MAIS ECONÔMICOS DO PAÍS:

O Chevrolet Onix Plus na versão 1.0 LT com transmissão manual foi aferido pelo Inmetro como o modelo a combustão que menos consome (Foto: Fabio Gonzalez/GM)

1 – Chevrolet Onix Plus
Versão 1.0 LT manual

Nota A
Consumo cidade – 10,1 km/l (etanol)
Consumo estrada – 12,5 km/l (etanol)
Consumo cidade – 14,3 km/l (gasolina)
Consumo estrada – 17,7 km/l (gasolina)

2 – Toyota Corolla
Versão 1.8 Altis Hybrid CVT

Nota A
Consumo cidade – 10,9 km/l (etanol)
Consumo estrada – 9,9 km/l (etanol)
Consumo cidade – 16,3 km/l (gasolina)
Consumo estrada – 14,5 km/l (gasolina)

3 – Renault Kwid
Versão 1.0 Life manual

Nota A
Consumo cidade – 10,3 km/l (etanol)
Consumo estrada – 10,8 km/l (etanol)
Consumo cidade – 14,9 km/l (gasolina)
Consumo estrada – 15,6 km/l (gasolina)

4  – Chevrolet Onix Hatch
Versão 1.0 manual

Nota A
Consumo cidade – 9,9 km/l (etanol)
Consumo estrada – 11,7 km/l (etanol)
Consumo cidade – 13,9 km/l (gasolina)
Consumo estrada – 16,7 km/l (gasolina)

5 – Fiat Mobi Drive
Versão 1.0 Drive manual

Nota A
Consumo cidade – 9,7 km/l (etanol)
Consumo estrada – 11,5 km/l (etanol)
Consumo cidade – 13,8 km/l (gasolina)
Consumo estrada – 16,4 km/l (gasolina)

6 – Volkswagen Up
Versão 1.0 170 TSI Connect manual

Nota A
Consumo cidade – 9,6 km/l (etanol)
Consumo estrada – 11,1 km/l (etanol)
Consumo cidade – 14,1 km/l (gasolina)
Consumo estrada – 16 km/l (gasolina)

7 – Peugeot 208
Versão 1.2 Active manual

Nota A
Consumo cidade – 9,6 km/l (etanol)
Consumo estrada – 10,7 km/l (etanol)
Consumo cidade – 13,9 km/l (gasolina)
Consumo estrada – 15,5 km/l (gasolina)

8 – Fiat Argo
Versão 1.0 Drive manual com start-stop

Nota A
Consumo cidade – 9,8 km/l (etanol)
Consumo estrada – 10,3 km/l (etanol)
Consumo cidade – 14,2 km/l (gasolina)
Consumo estrada – 14,5 km/l (gasolina) 

9 – Ford Ka
Versão 1.0 S manual

Nota B
Consumo cidade – 9,3 km/l (etanol)
Consumo estrada – 10,8 km/l (etanol)
Consumo cidade – 13,3 km/l (gasolina)
Consumo estrada – 15,6 km/l (gasolina)

10 – Ford Ka Sedan
Versão 1.0 SE manual

Nota B
Consumo cidade – 9,3 km/l (etanol)
Consumo estrada – 10,8 km/l (etanol)
Consumo cidade – 13,3 km/l (gasolina)
Consumo estrada – 15,6 km/l (gasolina)

Fonte: Correio