Bahia já registra 7 mortes de policiais militares por coronavírus

(Mateus Pereira/GOVBA)

A Bahia já registra sete mortes de policiais militares vítimas da covid-19. O caso mais recente teve como vítima o capitão da PM Marcelo de Souza Moura, 41 anos, que perdeu a luta contra a doença e teve seu óbito registrado nesta quarta-feira (20).  Ele estava internado no Hospital Geral Prado Valadares, em Jequié, no sudoeste da Bahia, desde  o dia 5 de maio.

Segundo a Polícia Militar, de janeiro até o meio-dia desta quarta-feira (20), foram registrados 126 casos confirmados de contaminação por covid-19 e sete óbitos de PMs – sendo um da reserva, um reformado e cinco da ativa. Atualmente a corporação possui cerca de 30 mil policiais militares em todo estado – 12 mil deles estão em Salvador e Região Metropolitana.

O capitão Marcelo era o subcomandante da Companhia Independente de Policiamento Especializado (Cipe) Central em Jequié e atuava na polícia militar há 21 anos. Ele deixa a esposa e um filho. 

O comandante da Cipe, o major PM Fábio Rodrigo de Melo Oliveira, publicou uma nota de pesar, dizendo que Marcelo era “homem íntegro, amiga, pai de um garoto, esposo de uma honrada policial militar e um filho formidável”. 
Marcelo era referência para os colegas. “Profissional dedicado ao extremo à causa e à missão Policial Militar, condição essa que o rendeu o título de oficial padrão da Cipe Central no ano de 2019”, diz trecho da nota. 

O capitão Marcelo foi a sétima morte na Polícia Militar vítima da covid-19 (Foto: Divulgação)

A nota é encerrada com o major dizendo “meu irmão, camarada e subcomandante, que o Sr. dos Exércitos o acolha em suas fileiras, reforçando sua mensagem de justiça e honestidade, pilares de sua trajetória profissional. Lutou bravamente o bom combate”. 

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) também lamentou a morte do capitão Marcelo. “O subcomandante sempre atuou honrosamente na sua missão de servir à sociedade, mantendo-se firme na linha de frente no enfretamento à pandemia, para proteger a vida dos cidadãos”, diz nota de pesar. 

A PRF concluiu dizendo: “Aos seus familiares e colegas de profissão, a PRF transmite sentimento de solidariedade e respeito pela imensa dor”. 

Em Salvador, oito policiais do Batalhão Águia da PM, esquadrão de motociclistas e grupo de elite da PM, inclusive responsáveis por fazerem a segurança do governador Rui Costa, foram afastados após testaram positivo para a doença.

O governador chegou a fazer o teste para saber se tinha se infectado com a doença, mas recebeu o diagnóstico negativo nesta quarta (20).

Águia
Um policial do batalhão conversou com o CORREIO, mas preferiu não revelar o nome por temer represália da corporação. “Os policiais contaminados estão afastados e com atestados médicos em média de 7 dias. A tropa está assustada, inclusive o Comandante sentiu o clima pesado e está tentando elevar a moral com palavras motivadoras”, disse o PM. 

Ele acrescentou ainda que existem mais policiais afastados, neste caso PMs que apresentaram sintomas típicos da covid-19, como gripe, febre e falta de ar, e que aguardam o resultado dos testes. No entanto, há policiais que estão apenas com sintomas gripais e continuam trabalhando, o que é totalmente contrário às recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde, que alertam para a necessidade do cumprimento de quarentena para esses funcionários.

“Existem suspeitas, mas a ordem do secretário de Segurança Pública é pra afastar depois da confirmação por médicos da corporação”, declarou.

O secretário em questão é Maurício Barbosa, que passou pelo teste e deu resultado inconclusivo. O governador Rui Costa se confundiu e chegou a dizer que o titular da pasta estava infectado, mas a informação foi corrigida pela governadoria e pela SSP nesta quarta. Barbosa passou por mais duas contraprovas, em um laboratório público e outro privado, e ambas apontaram resultados negativos.

O CORREIO perguntou em relação à ausência desses policiais que foram afastados pela covid-19, como a tropa está fazendo para dar conta da demanda de serviço. A fonte respondeu: “existem demandas na PM que são supridas com policiais em horas extras, e com a baixa desses policiais, somada à liberação dos presidiários por conta da covid-19, aumenta o sofrimento do cidadão frente a insegurança pública”.  

O PM relatou também como a tropa está indo trabalhar. Se usa máscara, luva, faz uso do álcool gel, se a unidade tem água e sabão para lavar as mãos. “Medidas estão sendo tomadas, contudo, são insuficientes. Devido ao dinamismo do serviço, há grande fluxo de policiais que usam as mesmas armas, os mesmos coletes suados que são passados a outros policiais. Ou seja, não há higiene ou equipamentos suficientes para a tropa, o que torna a polícia um grande vetor de disseminação do coronavírus”, declarou. 

Delegada
Os indícios surgiram em um almoço com a família. “Comia cozido quando fui avisada: ‘cuidado com a pimenta’, mas não senti arder e taquei mais. Foi aí que percebi algo de errado comigo”, relatou a delegada Thais Siqueira do Rosário, titular da 18ª Delegacia (Camaçari), que, por conta da covid-19, está presa no próprio quarto. Perdas de olfato e paladar já são apontados por especialistas como sintomas comuns da doença.

Diante da situação pouco comum, a delegada buscou fazer exame e testou positivo para a doença. “Vinha lendo muito sobre a doença e acompanhando os noticiários. Uma vez que estou na linha de frente, nos primeiros sinais, me isolei por conta própria. Fiquei em casa e fui fazer o exame. Assim que passar tudo isso, voltarei para a linha de frente, afinal, os crimes continuam, independente da pandemia”, relatou ela ao CORREIO na manhã desta quarta-feira (20), no seu 11º de contágio da doença e vem se recuperando bem. 

“Não saio para nada. Isso para a pessoa que é ativa, é ainda mais complicado. Mas é melhor ficar presa em casa do que em um hospital. Apesar de estar com os sintomas leves, chega a ser assustador porque a gente fica com o medo de agravar”, completou.

A delegada acredita que tenha se infectado quando foi ao mercado durante o final de semana, e não na unidade de trabalho. “Na delegacia a gente toma todos os cuidados, controla a entrada de pessoas na unidade, todo mundo usa máscara e o tempo todo com álcool em gel. Mas acredito que foi no supermercado. Como os shoppings estão fechados, tudo mundo foi passear no supermercado, que estava cheio. No dia seguinte, no almoço em família, tive a perda do olfato e paladar”, contou ela, que garantiu que não há outros casos da doença na 18ª Delegacia.

Fonte: Correio