O prefeito ACM Neto, presidente nacional do Democratas, pediu nesta quinta-feira (21) que o Congresso Nacional e o governo federal “apertem” os bancos para que facilitem o acesso ao crédito, especialmente para micro e pequenos empresários.

Durante seminário online promovido pelo Democratas e pelo Instituto Liberdade e Cidadania (Ilec), o prefeito de Salvador ainda reforçou a necessidade de diálogo para que o país supere a crise provocada pela pandemia do novo coronavírus com mais rapidez. 

O evento online contou também com a participação do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta; do governador de Goiás, Ronaldo Caiado; do vice-governador de São Paulo, Rodrigo Garcia; e do presidente do Ilec e ex-ministro da Educação, Mendonça Filho. No webinar, os participantes discutiram ações para minimizar os efeitos da crise e debateram medidas necessárias para proteger a população. 

“Faço um apelo ao Congresso, ao governo federal, que apertem os bancos, tem que apertar. Não existe banco bilionário com país pobre, quebrado. O dinheiro não está chegando na ponta. Hoje fiz uma reunião com representantes do comércio e não adianta ter uma taxa de juros mais baixa da história se o banco não disponibiliza o crédito, especialmente para o micro e pequeno empresário”, afirmou Neto. 

No final de março, quando a situação começava a se agravar, Neto já havia defendido medidas duras contra os bancos. A dificuldade para conseguir crédito, contudo, permanece. “Vi outro dia, com pesar, a Febraban fazer uma campanha publicitária dizendo que os bancos estão ajudando os brasileiros. Não é verdade. Os bancos precisam ser obrigados pelas nossas autoridades, já que não estão fazendo por bem, a ajudar os brasileiros, e a forma de fazer isso é dar dinheiro fácil, principalmente para o micro e pequeno empresário não quebrar”, frisou. 

O prefeito disse que o diálogo é o caminho mais rápido para superar a crise, a partir do desenho de um protocolo nacional, que possa gerar convergência entre o governo federal, estados e municípios. “Apelo que o governo federal possa, através do Ministério da Saúde, se aproximar mais de prefeitos e governadores para coordenar as ações, porque tenho certeza que assim a gente consegue superar esse momento crítico da pandemia com mais rapidez”, afirmou. 

Ações
Durante o debate, ACM Neto destacou as ações realizadas pela prefeitura, o que levou à redução da taxa de contaminação. O prefeito fez uma apresentação detalhada sobre as medidas adotadas pela prefeitura antes mesmo de os primeiros casos serem confirmados e ressaltou as ações mais recentes, setorizadas em bairros que estavam registrando aumento no número de casos. 

O prefeito também frisou a necessidade de “apertar o cinto” e promover um ajuste nas contas, para permitir, assim, o funcionamento dos serviços básicos e o investimentos nas áreas social e da saúde. “Não tem como o governo federal pagar uma conta incontável. Prefeitos e governadores têm que fazer a sua parte”, disse, ressaltando que, na capital baiana, a situação de controle e equilíbrio das contas permitiu à prefeitura garantir o funcionamento dos serviços, o auxílio à população que mais precisa e os investimentos necessários em saúde.

Segundo o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, sua gestão no Ministério da Saúde teve como pilares a ciência, a vida e o SUS. “Se não fosse o SUS, teríamos uma carnificina nesse país. Nesse momento, 100% da população é dependente do SUS. Precisamos, agora, discutir um complexo industrial para produção de vacina. Se não tivermos capacidade de produção, vamos ficar na fila”, disse. 

Mandetta ainda informou que o Democratas, ao lado do Ilec, está preparando um trabalho para pensar o pós-coronavírus, “esse novo normal, as novas legislações que terão que emergir, um bom conteúdo de debate”. 

Ronaldo Caiado e Mendonça Filho fizeram coro à crítica de ACM Neto à limitação do crédito pelos bancos. Caiado, inclusive, defendeu que a facilitação do crédito ao cidadão seja uma meta do partido. 

O governador de Goiás, por sua vez, apresentou ações realizadas em seu estado para combater o coronavírus. Além de expandir a rede estadual, que só estava presente em três municípios, Caiado salientou a necessidade do isolamento social para que o sistema de saúde consiga atender a todos os infectados que precisem de leitos de UTI e respiradores, por exemplo. 

Rodrigo Garcia, por sua vez, falou sobre as medidas adotadas em São Paulo e criticou a dicotomia entre saúde e economia, ressaltando que o isolamento social é fundamental para salvar vidas. Ele apresentou dados da Suécia, que não aderiu às medidas mais restritivas, e a Dinamarca, que decidiu restringir diversas atividades. O primeiro país teve 3.675 mortes, enquanto o segundo, 543. 

“É falso esse dilema entre saúde e economia. O único caminho possível é evitar mortes, evitar que as pessoas fiquem doentes. A economia nós vamos ter que recuperar de qualquer maneira lá na frente. O inimigo não é a quarentena, mas o vírus”, salientou.

Fonte: Correio