Aluna é alvo de racismo em mensagens trocadas por colegas: 'Ela não é gente'

Uma adolescente negra de 15 anos foi alvo de racismo na escola particular que frequenta, no bairro das Laranjeiras, no Rio de Janeiro. Em mensagens trocadas através de um aplicativo, Ndeye Fatou Ndiaye foi xingada por ser negra. A família de Ndeye Fatou Ndiaye fez um boletim de ocorrência.

As mensagens enviadas tinham teor claramente racista. “Para comprar um negro, só com outro negro mesmo”, diz um dos estudantes. “Quando mais preto, mais preju”, afirma outro. “Um negro vale uma bala”, continua um terceiro. “Fede a chorume”, afirma outra mensagem. Há várias outras com teor semelhante.

O coordenador do colégio repudiou os comentários em vídeo e afirmou que providências seriam tomadas.

“O Colégio Franco-Brasileiro repudia qualquer tipo de atitude racista ou discriminatória. Nos 105 anos de história da nossa instituição, preservamos vários valores que são caros para nós. Entre eles, o da igualdade racial. Assim que soubemos do conteúdo de uma conversa de algumas pessoas no âmbito privado que inclui alunos do Franco-Brasileiro, nós imediatamente agimos. Enviamos um ofício para o Conselho Tutelar, que é o órgão competente para fazer a averiguação, e cobrar explicações de cada um dos envolvidos. Queremos expressar a nossa solidariedade às pessoas que foram atingidas”, destacou Luciano Moraes.

A adolescente afirmou que o episódio mostra como o racismo segue entranhado na sociedade brasileira. “O meu colégio é de excelência, um dos melhores do Rio de Janeiro. A gente vê que, mesmo com pessoas que têm todos os acessos à educação, à informação, continua se propagando coisas extremamente racistas. É uma forma de mostrarmos que o racismo está em todos os lugares e a gente vai combater não só judicialmente, mas com conhecimento”, disse ela ao G1 Rj. 

Com a repercussão do caso, famosos se solidarizaram com a estudante, que recebeu apoio da cantora Iza e da atriz Taís Araújo. “Como você é maravilhosa! Linda demais. Nunca deixe que nenhuma pessoa, por mais idiota e baixa que ela seja, diminuir a sua força e seu brilho”, escreveu Iza.

Identificados
Cinco alunos da escola que escreveram as mensagens ofensivas foram identificados pela polícia e serão ouvidos na 9ª Delegacia, segundo O Globo. Um representante da escola também foi chamado. Depois de todos serem ouvidos, o caso será encaminhado ao Ministério Público.

O pai de Ndeye, o professor universitário Mamour Sop Ndiaye, 45, estuda acionar judicialmente o Colégio Franco-Brasileiro e também os alunos responsáveis pela ofensa. A adolescente não tem mais frequentado as aulas on-line e o pai diz que vai tirá-la do colégio.

A jovem está no colégio desde os 5 anos. As mensagens não foram encaminhadas para ela, mas ditas em um grupo em que um amigo de Ndeye participava. Ele saiu da conversa, mas antes tirou prints e encaminhou para a adolescente.

Fonte: Correio