Gato e rato: CORREIO flagra nova aglomeração na Feira do Rolo

Parece briga de gato e rato. Basta a fiscalização sair para os vendedores retornarem ao local e promover aglomeração. A luta do poder público no combate a Feira do Rolo em plena pandemia se mostra tão difícil quanto conter a propagação do coronavírus. Neste domingo, o CORREIO flagrou nova aglomeração na feira, que fica na Baixa do Fiscal. Bem menor do que o normal, é verdade, mas ainda assim uma grande aglomeração, com cerca de 300 pessoas.

Vendia-se de tudo: pássaros, celulares e capas, aparelhos eletroeletrônicos, bicicletas, tênis, ferramentas, cadeiras, canecas e outros tantos objetos. Quando a reportagem chegou no local, por volta das 11h15, os agentes da Secretaria Municipal da Ordem Público (Semop) tinham acabado de deixar o local. Segundo o diretor do órgão, Adriano Silveira, a operação aconteceu das 7h às 11h.

No total, foram apreendidos 12 sacos de produtos irregulares, entre sapatos velhos, roupas, peças de carros, peças de bicicleta e gaiolas de passarinhos silvestres. A operação contou com o reforço da Guarda Municipal, Polícia Militar e Transalvador. Cerca de 15 minutos depois, como mostram nossas fotos, muitos vendedores já tinham retornado. A maioria usava máscara. Outros, nem isso. Alguns usavam a máscara no queixo.

“É sempre isso aí. Basta a fiscalização sair e eles vão retornado aos poucos. Daqui a pouco tá todo mundo aqui de novo”, disse um taxista, que preferiu não se identificar. “A operação na Feira do Rolo faz parte do pacote de ações da prefeitura contra o coronavírus, porém se faz necessário a conscientização da população em não formar aglomerações. Reforçamos o pedido à população para permanecer nas suas casas e não formar aglomerações”, disse o diretor da Semop.

A Feira do Rolo acontece aos domingos, a poucos metros do Complexo Policial da Baixa do Fiscal, onde funciona o Grupo de Repressão a Furtos e Roubos em Coletivos (Gerrc) e a Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos (DRFR). A luta da prefeitura para pôr fim à aglomeração da Feira do Rolo vem desde o dia 22 de março, quando foi feita a primeira operação após os primeiros decretos municipais para que só serviços essenciais funcionassem.

A operação conduzida pela Semop recolheu 12 sacos de materiais ilegais (foto/Alexandre Lyrio)

Naquele domingo, enquanto as principais ruas e avenidas de Salvador estavam vazias, fiscais da Semop flagraram mais de 800 pessoas reunidas na Feira do Rolo. Além da grande quantidade de pessoas, os fiscais apreenderam, junto com a Guarda Civil Municipal e a Polícia Militar, três caminhões de material irregular.

No dia 5 de abril, o próprio CORREIO flagrou uma multidão no mesmo local. Um emaranhado de gente de todas as idades – crianças, jovens, adultos e idosos, homens e mulheres – comprando e vendendo mercadorias diversas. Além da intensa aproximação, naquela ocasião, quase ninguém usava máscara. 

O diretor da Semop diz que o local é de “altíssimo” risco e que a prefeitura sempre precisa de reforço para atuar na região. “Não tem condições da prefeitura atuar lá sozinha. O local é de altíssimo risco. Ali estão bandidos, que vendem mercadorias ilegais. Não é comércio formal. Muitos ali são bandidos de pequenos furtos. Por isso é necessária a participação da Polícia Militar”, disse o diretor da Semop, Adriano da Silva Silveira. 

Fonte: Correio