Hospital Sagrada Família começa a funcionar nesta terça-feira com 38 leitos

Com água benta, fé e a presença de autoridades políticas, mais um hospital de campanha foi inaugurado, na manhã desta terça-feira (26), em Salvador. A unidade, voltada para atender pacientes com covid-19, fica no Hospital Sagrada Família, na rua Plínio de Lima, número 1º, no Monte Serrat, bem ao lado do Bonfim – o bairro deixou nesta terça-feira a lista dos locais de Salvador com medidas restritivas mais duras.

A unidade, que fica próximo da Basília do Bonfim, foi requisitada administrativamente pela Prefeitura de Salvador, e será gerida pela Associação Obras Sociais Irmã Dulce (Osid). A unidade começa a funcionar já nesta terça com 38 leitos, sendo cinco de UTI e 33 de enfermaria clínica. Os primeiros pacientes começam a chegar às 14h.

Até o dia 8 de junho, serão implantados na unidade novos leitos a cada dia, de maneira gradativa. Segundo a prefeitura, até esta data, serão 75 leitos funcionando, sendo 20 de UTI e 55 de enfermaria.

Além do Sagrada Família, Salvador tem outros hospitais de campanha:  do Wet’n Wild, na Paralela, o Itaigara Memorial, o da Fonte Nova, o Hospital Espanhol e o do Hospital do Subúrbio. Além disso, foi inaugurado na semana passada o primeiro de seis gripários, na UPA dos Barris, com 24 leitos voltados para pessoas com sintomas leves da covid-19.

Para o prefeito ACM Neto, que participou da entrega junto com o vice-prefeito, Bruno Reis, e com o secretário municipal de Saúde, Leo Prates, mesmo com a criação de hospitais de campanha, foi percebido, pela demanda, que seria necessário ampliar ainda mais a quantidade de leitos.

“Quando entramos na pandemia, Salvador já tinha um Hospital Municipal, mas que já vinha com poucos leitos de UTI disponibilizados. Havia os hospitais filantrópicos também, mas ainda com grandes limites. Quando percebemos que a crise traria uma demanda ao sistema de saúde, decidimos implantar o hospital de campanha do Itaigara, do Wet – que agora funciona com 100% da sua capacidade – e estamos ampliando com 20 leitos clínicos e de UTI”, disse.

Segundo Neto, o modelo desejado para o Hospital Sagrada Família era de contratualização, mas, diante da demanda, optou-se pela requisição administrativa. “De qualquer modo, estamos comprometidos a ajudar a instituição. Quem sabe após a pandemia não tenhamos um novo hospital para contarmos na rede pública”, acrescentou o prefeito.

Aniversário da santa baiana
Por enquanto, a unidade será gerida pela Osid e o prefeito destacou o fato de o hospital estar sendo inaugurado no dia que Santa Dulce completaria 106 anos. Para ele, a crise enfrentada ela gestão durante a pandemia é, também, o momento mais impactante de sua geração. “Mais uma vez, ela (Santa Dulce) está aqui pra operar milagres. Sinto isso no meu coração. Sinto que ela vai tocar no coração de cada profissional que vai trabalhar aqui. Com o exemplo dela, como tudo o que ela fez e vai continuar fazendo, vamos salvar muitas vidas. Eu não posso deixar de fazer publicamente a minha prece a Irmã Dulce. Que ela nos dê forças e condicoes para enfrentar as dificuldades”, declarou.

“Nós vamos prestar um serviço à Prefeitura, buscando dar aos pacientes toda assistência médica, cuidado e carinho”, explicou Maria Rita Lopes Pontes, sobrinha de Santa Dulce dos Pobres e atual superintendente da Osid.

“Fico imaginando o que Irmã Dulce faria se estivesse nessa pandemia. Acho que ela iria se proteger, é claro, mas sem deixar de cuidar dos doentes. E é isso que vamos fazer, com a missão de amar e servir”, completou Maria Rita. 

 O capelão da Osid, Frei Mario, também esteve no local com um pote de água benta, que foi aspergida no hospital, como acontece em todos ao ser inaugurados, na tradição católica. “Serve para proteger quem vai cuidar e quem será cuidado. É uma proteção das influências do mal”, disse o frei.

Equipe
O Sagrada Familia vai contar com uma equipe de 544 profissionais, sendo 44 médicos plantonistas com especialidade em UTI e 7 médicos diárioss nas UTIs. A equipe contará com infectologistas, cirurgião, médicos para a enfermaria, radiologista, enfermeiros, bioquímicos, fisioterapeutas, nutricionistas, asisistentes sociais, técnicos de enfermagem, além da equipe administrativa e de suporte operacional.

Todos esses profissionais já vão trabalhar com o número de leitos divulgados para a primeira etapa. Não está descartada, no entanto, a abertura de novos leitos em uma segunda etapa. Caso seja necessário, a prefeitura pensa em abrir mais 36 leitos.

“Nosso desejo é que todos os leitos de UTI estejam funcioando até segunda (1º). A taxa de ocupação de UTI é mais alta do que de leitos clínicos. Caso seja necessário, vamos abrir mais 36 leitos numa segunda etapa, 20 leitos de UTI e 16 de enfermaria”, disse o prefeito.

Na unidade, serão feitos exames de laboratoriais de análises clínicas, tomografia, eletrocardigorama, além de hemoterapia, hemodiálise e diálise de urgência para internados. Também será possível fazer procedimentos invasivos de pequeno porte. Além dos leitos, também foi entregue uma câmara fria para os óbitos que acontecem após às 14h – nesses casos, obrigatoriamente, o sepultamento só pode ser feito no dia seguinte. 

Fonte: Correio