Daniela Mercury dedica live à Moraes Moreira: 'nos deu voz'

Depois de Claudia Leitte, Bell Marques e Ivete Sangalo, agora foi a vez da cantora baiana Daniela Mercury fazer uma transmissão ao vivo, direto de sua casa, nesta sexta-feira (29). A artista aproveitou a oportunidade para homenagear Moraes Moreira, cantor e compositor baiano, que morreu, aos 72 anos, no dia 13 de abril.

“Eu sou essa Bahia, apaixonada pelo que somos (…). Me pediram pra dançar dentro de casa. Me pediram para ter a sensação de que estava dançando na rua. Agora sintam-se na rua, cantem comigo. Essa live é em homenagem a Moraes Moreira, que deu voz ao trio elétrico. Que nos deu voz, como cantores do Axé”, disse Daniela, antes de emendar a música Baianidade Nagô, música que ficou conhecida em sua voz como símbolo do Carnaval. 

Logo no início da música, ela acrescentou o nome de Moraes: “Eternos (Moraes) Dodô e Osmar”, cantou Daniela. O show, que está no YouTube (abaixo), também passou por duas horas no canal Multishow, na TV a cabo. As filhas da baiana também participaram, dançando junto com ela em diversos momentos.

Clássicos como Nobre Vagabundo e Canto da Cidade, estiveram no repertório da apresentação. Canções de seu mais recente álbum, Perfume, também foram apresentados, como como Proibido o Carnaval, que ela gravou com Caetano Veloso, Rainha da Balbúrdia e Confete e Serpentina, que fez sucesso no Carnaval.

A apresentação contou com a banda de Daniela – os músicos estavam todos bem afastados e de máscara. A cantora ficou sozinha na sala, distante dos seis integrantes da banda. 

“Escolhemos a sala da casa para reforçar essa importância de ficar em casa. E resolvi fazer de um jeito mais humanizado, embora tenha a banda um pouco reduzida e a equipe técnica muito reduzida. Queria algo com mais espontaneidade, por isso, fazer com a banda era importante. Já fiz umas lives rápidas, com as bases dos meus discos. Mas a gente discutiu muito e viu que dava pra fazer com banda”, disse ela, antes da transmissão.

As doações realizadas pelos fãs serão dirigidas para o Unicef – órgão de que Daniela é embaixadora – e para o Instituto Nice, que atende à comunidade LGBTQI+. A direção foi de Chico Kertész, que dirigiu o documentário Axé – Canto do Povo de um Lugar.

Lives de outros artistas
Daniela destacou que assistiu algumas lives e disse ter gostado especialmente de algumas: “Vi desde algumas mais simples a outras mais produzidas. Os artistas com quem não tenho muita afinidade, não assisti muito. Até observei uns, mas prefiro não comentar. Eu gostei muito do Jota Quest, de Alceu com violão – adorei ouvir as histórias dele -, achei que Marilia Mendonça foi muito direta e natural. Há uma tensão para o artista porque é tudo muito novo pra gente, a gente não tem público na nossa frente e isso cria um outro universo”.

Futuro da arte
Outro assunto que preocupa a cantora é o futuro da arte, especialmente após a pandemia, assunto que ela falou em entrevista ao CORREIO antes da live. Para sustentar sua preocupação, ela critica o neoliberalismo e o estado atual do capitalismo. “O capitalismo acumulou riquezas demais. Muitas pessoas achavam que os ‘mercados’ iam mandar no mundo e que o liberalismo é o caminho, mas essas pessoas agora estão repensando essa ideia. Nesse cenário, as artes já vinham sofrendo muito, porque se o sistema não valoriza o ser humano, não valoriza a arte. E a arte é produção humana. Então, diante de tudo que estamos passando, espero que a gente valorize mais a vida”.

A cantora não poupa críticas ao atual governo federal: “Quando a sociedade valoriza algo, os governos são obrigados a valorizar porque o governo representa uma parte da população. E esse governo que está aí representa um grupo de pessoas que tá mais ligado a coisas que a pessoas”.

Daniela, que conversou com o CORREIO na terça, 25, estava atenta à tramitação da Lei de Emergência Cultural, que acabou sendo votada e aprovada pela Câmara ontem. Agora, segue para aprovação no Senado. O projeto prevê a destinação de R$ 3,6 bilhões na aplicação de ações emergenciais de apoio ao setor cultural em razão do isolamento provocado pela pandemia.

“A lei foi criada para um grupo de pessoas que trabalham com arte e que vive de pequenos espetáculos. Ela não é para grandes artistas, é um valor pequeno para as instituições que estão sem perspectiva de volta e a lei exige uma contrapartida: grupos de arte que recebam o auxílio deverão oferecer espetáculos para a população de graça quando acabar tudo isso”, observa Daniela.

Fonte: Correio