Baú de Marrom: a Bahia também ensina ao mundo como cantar e dançar forró

Por muito tempo 2020 ficará definitivamente marcado na memória do brasileiro  como o ano em que não foi realizada a festa mais querida do povo nordestino: São João. Quem nasceu, viveu ou vive nos estados da Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Maranhão e Piauí sabe muito bem o que significam os festejos juninos cujo ponto alto é a noite de 23 de junho (véspera do feriado) quando se rende homenagem a São João  Batista (e se estende a São Pedro, dia 29) com muita bebida típica, destacando-se o licor  de jenipapo, maracujá, baunilha entre outros; as comidas maravilhosas a exemplo do milho e seus derivados: pamonha, canjica e mingau. Sem falar no amendoim e na laranja.

Acrescente a essa farra gastronômica a música. Principalmente o forró, imortalizado por gênios como Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Dominguinhos, Marinês,  Sivuca, Trio Nordestino (todos já nos deixaram) além de nomes que estão na ativa como o impagável Genival Lacerda, Flávio José, Sandro Becker (que ficou conhecido pelo seu forró malicioso) e o chamado neo forró representado pelo Mastruz com Leite, Magníficos, Calcinha Preta e tantos outros que surgem a cada ano.

Como maior estado da região e com forte tradição musical com destaques em vários gêneros e famosa por revelar artistas como João Gilberto, Raul Seixas, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Maria Bethânia, Simone, Novos Baianos e toda uma geração da Axé Music, é natural que a Bahia também faça bonito no forró. Nomes como Zelito Miranda, Carlos Pitta, Adelmário Coelho e Del Feliz representam o chamado primeiro time. E o mais importante: eles exportam o autêntico forró nordestino para o mundo. Claro que o forró não tem o mesmo peso, entre os gringos, como a Bossa Nova. Mas muita gente lá fora não resiste ao som de uma safona, zabumba e triângulo.

Del Feliz, Lucy Alves e Chambion do Acordeon forrozando na big Apple(foto: divulgação)

E quem melhor sabe disso é Del Feliz que vem levando o ritmo nordestino para os quatro cantos do mundo. Dos Estados Unidos à Europa ele tem mandado ver fazendo, pelo menos, uma excursão por ano. “Aquele menino, de Barreiros, Riachão do Jacuípe, jamais imaginaria girar o mundo levando forró e difundindo a cultura nordestina.  Desde 2009, começando pelo forró da Lavagem de Madeleine, organizado por Robertinho, junto com Jota e Rubinho que eu venho cumprindo essa bela missão que muito me satisfaz”, revelou o artista em conversa com o CORREIO. Em Paris, além da Lavage Del fez uma apresentação no Bairro Latino.

Dois anos depois, em 2011 a convite da baiana Silvana Magda, Del Feliz foi para New York onde participou da Lavagem da Rua 46. Eu fui como convidado da produção e vi a boa receptividade que o forró teve com os americanos que acharam exótica aquela dança, mas alguns resolveram aprender. E os brasileiros saudosos eram só alegria. Em 2012 ele repetiu a dose em New York dessa vez prestou uma homenagem ao centenário de Luiz Gonzaga. No mesmo ano seguiu para a China acompanhado do cantor, compositor Edu Casanova, fazendo uma dobradinha da axé music com o autêntico ritmo nordestino. “Foi uma experiência muito marcante também, cantar num lugar tão longe e homenagear o Rei do Baião, pontuou o artista.

Foi em Paris durante a Lavage de La Madeleineque Del Feliz levou pela primeira vez o forró (foto:divulgação)

E New York deu tão certo que Del Feliz voltaria mais duas vezes. Em 2013 ele foi acompanhado de Adelmário Coelho. Lá cada um gravou um clipe e juntos fizeram um especial que foi exibido pela TVE mostrando os baianos forrozando na mais importante cidade do mundo. Inclusive os dois foram até Hoboken, em New Jersey, onde nasceu Frank Sinatra. Em 2014 ele voltou a NY e dessa vez com uma programação mais extensa.

Mias uma participação na Lavagem de New York com os convidados Xambinho e a cantora Lucy Alves. Nesse mesmo ano foi feito o lançamento do filme Gonzagão de Pai Para Filho no qual Chambinho do Acordeon representou o Rei do Baião. E Del fez, numa única noite três shows na Forroteria do Hotel Carlton, na SOBs e na BB King Blues. Eu estive presente nas duas coberturas e numa delas o repórter Jony Torres que fez uma bela matéria para a TV Bahia.

Consolidada a América, Del Feliz voltou as baterias mais uma vez para a Europa e investiu pesado em Londres onde foi primeiro em 2014 e engatou uma sequência nos anos seguintes de 2015, 2016, 2017, 2018, 2019 e 2020. Ele fez três apresentações na capital da Inglaterra e chegou poucos dias antes da pandemia se instalar no Brasil. Ainda no chamado Velho Continente ele se apresentou em Lisboa (2016) onde participou de dois eventos: o Festival de Forró de Portugal e o Festival Forró Feliz. Na distante Noruega também teve o primeiro Festival de Forró de Oslo, em 2017. Do Brasil ter decretado

O autêntico ritmo nodestino chegou à China (Foto: divulgação)

Atuando como um verdadeiro embaixador do forró pelo mundo, Del Feliz foir para o México. Onde cantou no evento La Noche Mexicana, em Mérida, junto com o grupo Sons do Sisal. “Ai eu levei de presente especial uma música composta por nós com instrumentos feitos do sisal, 50 anos depois de recebermos essa planta de lá, do México”, explicou.

Do México para o Japão em duas oportunidades em 2018 e 2019. “Foi muito marcante porque fui muito bem recebido, inclusive pelo renomado cheff Juneck, e homenageado na sua escola. Além de ser a principal atração do Dia do Brasil em Hamamatsu, também fui atração do Festival de Forró da Brasil A2, uma referência por lá, no ensino do forró”, lembra o artista.

A jornada continuou em 2019 dessa vez na Turquia, “ Que emoção incrível ser recebido por Murat e sua esposa Bengu, ambos turcos, professores de forró, e poder cantar e ver mulheres de diversos países, como Irã, Iraque, Síria e da própria Turquia, dançando, livres, vestidas do seu jeito, com saia, calça, bermudas e, principalmente,  sem burca ou nada que lhe escondesse o sorriso”. Isso me marcou muito conclui o nosso embaixador.

Se ligue que vai ter São João no CORREIO:

Fonte: Correio