Presidente de associação de aéreas vê futuro nebuloso para o setor

O presidente da Associação Brasileira de Empresas Aéreas (Abear) Eduardo Sanovicz fez da palavra “sinceridade” seu norte durante a Live do Tempo realizada nesta quarta-feira (10). De acordo com ele, o setor está sendo muito atingido pela pandemia de coronavírus (Covid-19) devido à complexidade e diversidade de fatores que a gerem. Segundo ele, os voos domésticos foram eliminados em quase 95%, enquanto os internacionais foram rebaixados a quase zero, salvo raras exceções.

“Fizemos a revisão da malha, voávamos com pouco e chegamos a 180 voos diários, sendo que antes da crise a média era de 2.700. Só não foi pior porque de Brasília para cima, por exemplo, a única via de chegada de equipamentos de saúde é por via aérea e não há plano B. Mas estamos nos preparando para passar por esse processo duríssimo, com pouca demanda de passageiro e com protocolos de saúde muito fortes já implantados. Mas o futuro ainda é bastante incerto, devo ser sincero, e com poucos números para serem falados”, explicou.

De acordo com Sanovicz, o que se espera é que até o fim do ano 50% dos voos no país sejam retomados, pelo menos no que diz respeito ao campo doméstico, já que no cenário internacional o Brasil é visto com desconfiança pela forma como vem lidando com a pandemia, sendo que alguns países já restringiram a chegada de brasileiros.

“Poderemos apontar algo em torno de 20% da malha voando em julho, mas não há possibilidade de cravar como estaremos no fim do ano, variando entre 50% e 65% de atividade. Não podemos cravar porque ninguém hoje é capaz de dizer a capacidade de retomada econômica, além da questão sanitária. E outra preocupação que vai surgir agora e servirá de critério de viagem é perceber como funciona o sistema de saúde de determinado lugar, aceita meu plano de saúde? São preocupações legítimas”, afirmou, antes de reconhecer que haverá necessidade de o Itamaraty trabalhar para que o Brasil tenha as fronteiras reabertas por outros países.

“É um fato (que países fecharam as fronteiras para o Brasil), com mais de um país restringindo o tráfego para brasileiros. Não nos cabe conduzir essa negociação enquanto empresa com um governo estrangeiro. Cabe ao Itamaraty (Ministério das Relações Exteriores) negociar com governos estrangeiros a rebertura, e eles vão demandar provas concretas de que é seguro receber nossos voos. O problema é quem desce dele contaminado. É um desafio para nós, mais um dos temas a impactar no sentido de retardar nossa conectividade internacional e retomada”, garantiu.

Protocolos sanitários

Eduardo Sanovicz fez questão de sanar uma dúvida de uma internauta da Live do Tempo que com certeza é a mesma de muitos brasileiros: “Como criar coragem de voltar a entrar num avião mesmo após a pandemia?”.

“Começamos há 14 dias a informar nossos protocolos de vigilância sanitária que já está em vigência. Primeiro, no aeroporto entra só quem vai viajar, despedidas devem ser feitas em casa ou no máximo na porta. Já dentro, máscara todo mundo. Pedidmos para que seja feita adigitalização da passagem via celular, mas o balcão do checkin está todo protegido, mas queremos evitar a troca de documentos e a mala deve ser autoetiquetada. Já no raio-X os aeroportos estão instalando um tapete para limpar o pé e tentar criar uma área sanitariamente isolada. Na fila, os chamados são aos poucos, mantendo distância. Mas um grande desfio pe a educação das pessoas À bordo, temos um filtro (de ar-condicionado) que em sua pot^ncia máima, a cada três minutos troca quase 100% do ar da cabine o que comprovadamente gera um ambiente bastante limpo. Além de tudo isso, um processo de higieninzação da aeronave radical, ele já existia e se aprofundou com novos produtos. Quanto ao serviço de bordo, como estamos operando apenas com voos curtos, ele está cancelado, e quando forem retomados os voos mais longos, ele será repensado”, completou.

Fonte: Agencia Brasil