Conheça Sara Winter, a ex-feminista radical que virou bolsonarista ferrenha

A prisão desta segunda-feira (15) não foi a primeira de Sara Winter durante um protesto. No dia 15 de agosto de 2012 ela também foi parar atrás das grades após radicalizar em um protesto. A diferença é que oito anos atrás ela foi presa durante um protesto feminista por estar nua durante o ato.

Além de espectro político, a ativista também mudou de nome. Em sua certidão de nascimento consta Sara Fernanda Giromini, de 27 anos. 

Outra mudança dela é em relação a quais influências ela tem da Ucrânia. Se hoje ela fala em ‘ucranizar’ o país, fazendo referência aos movimentos neo-nazistas e de extrema direita existentes no país do Leste Europeu, quase 10 anos atrás ela fundava o Femen Brasil, inspirado em um movimento ucraniano.

O Femen original, fundado em 2008 na Ucrânia, é considerado um dos movimentos feministas mais radicais do mundo, sendo famoso por suas integrantes protestarem de topless – razão que levou Sara a prisão em 2012.

Mas a reviravolta política não chega a ser uma surpresa. Isso porque, em uma entrevista dada a Folha de S. Paulo em 2012, ela disse que admirava Plínio Salgado – líder do movimento integralista brasileiro, considerado o facismo dos trópicos. Outro ídolo da então feminista era Ronald Reagan, um ícone conservador americano.

Na época ela chegou a ser criticada por seu apoio ao facismo, mas Sara rebateu dizendo que isso era “um erro do passado”. Em 2012 a militante já tinha, acima do seio esquerdo, uma uma tatuagem que reproduz a cruz de ferro, símbolo germânico popularizado durante o regime nazista, quando se tornou a principal condecoração de guerra.

A própria admitia na época que teve relações, na internet, com pessoas do movimento neonazista entre seus 15 e 17 anos.

Sara também dizia que passou por diversos abusos, inclusive sexuais, quando jovem. Em 2010, as 17 anos, ela teria sido prostituta durante 10 meses, quando disse ter passado por experiências ruins durante o período, além de ter sofrido agressões por parte de seu ex-marido.

Sara durante protesto no Rio de Janeiro, em 2013, contra o turismo sexual (Foto: Vanderlei Almeida / AFP)

Mudança
Em 2014, Sara Winter passou por uma mudança radical e começou a se posicionar contra as pautas que defendia no movimento feminista.

Em seu site oficial ela diz que defende as causas  pró-vida e pró-família e “luta contra o aborto, a ideologia de gênero, as drogas, a doutrinação marxista, a jogatina e a prostituição”. Sobre seu passado, ela diz que antes “militava contra o cristianismo, em favor da homossexualidade e do aborto”.

Após sofrer um aborto, contudo, “se converteu ao cristianismo e escreveu seu primeiro livro, no qual narra os bastidores e os fatos pouco conhecidos do feminismo no Brasil”.

Candidata à Câmara e ao BBB
Sara Winter já tentou entrar para a política. Em 2018, a blogueira se candidatou ao cargo de deputada federal pelo Democratas do Rio de Janeiro, mas não se elegeu. Ela era filiada ao partido até poucos dias atrás, quando o prefeito de Salvador ACM Neto a expulsou da legenda.

Quatro anos antes, Sara Winter se candidatou a uma vaga no Big Brother Brasil (BBB). No vídeo enviado à produção do programa da TV Globo, a ativista disse que sua luta “é contra o machismo em geral. Levo minha vida protestando e ajudando as pessoas”. Contou, à época, que respondia a 12 processos criminais de atos obscenos e vandalismo.

Na gravação, a jovem diz que chegou a ser prostituta por 10 meses. Em 2013, Sara tentou invadir a “Casa de Vidro” do BBB, em um shopping de São Paulo. Afirmou que tentava fazer com que as pessoas se interessassem por outros temas. No ano seguinte, em 2014, falou que queria entrar na atração para fazer essa mudança “por dentro”.

300
O capítulo mais recente da trajetória da blogueira é como líder do movimento 300 do Brasil, que atraiu os olhares da mídia após protestar com tochas na frente ao Supremo Tribunal Federal (STF). O modus operandi do grupo remeteu à Ku Klux Klan, seita de supremacistas brancos dos Estados Unidos.

Já neste sábado (13), o grupo tentou invadir o Congresso Nacional. Os manifestantes chegaram a subir na parte externa do monumento, onde ficam gôndolas próximas às cúpulas do Parlamento.

Mais cedo, esses mesmos ativistas, que estavam acampados na Esplanada dos Ministérios, foram retirados em uma ação da Polícia Militar do Distrito Federal.

Também na noite desse sábado, os integrantes do movimento lançaram fogos de artifício no Supremo Tribunal Federal (STF) e ofenderam e ameaçaram os ministros da Corte, dizendo que o ato era “para mostrar para eles [ministros] e pro GDF [Governo do Distrito Federal] que se preparem”.

Prisão
A bolsonarista ferrenha foi presa na manhã desta segunda-feira (15), ao lado de outros cinco integrantes do 300 do Brasil. A prisão ocorre dentro do inquérito que investiga o financiamento de protestos antidemocráticos e não tem relação com a investigação sobre a produção fake news. O mandado atende a um pedido da Procuradoria Geral da República (PGR).

Ministro responsável por autorizar a abertura do inquérito, em maio, Alexandre de Moraes disse que “é imprescindível a verificação da existência de organizações e esquemas de financiamento de manifestações contra a Democracia e a divulgação em massa de mensagens atentatórias ao regime republicano, bem como as suas formas de gerenciamento, liderança, organização e propagação que visam lesar ou expor a perigo de lesão os Direitos Fundamentais, a independência dos Poderes instituídos e ao Estado Democrático de Direito, trazendo como consequência o nefasto manto do arbítrio e da ditadura”.

Fonte: Correio