Lojistas protestam para reabrir os shoppings: 'Somos essenciais'

Um grupo de lojistas fez uma carreata nesta sexta-feira (19) com saída do Salvador Shopping em direção à prefeitura de Salvador. O protesto pediu a reabertura dos shoppings centers, classificados pelos manifestantes como essenciais. A organização da carreata aponta que 150 lojistas participaram do ato.

As pautas são três: reabertura dos shoppings, suspensão da cobrança de IPTU com isenção do período proporcional ao fechamento e isenção na Taxa de Fiscalização do Funcionamento (TFF) para o ano de 2020. Presidente da Associação de Lojistas do Salvador Shopping, Humberto Paiva alega que a capacidade dos operários de se manterem sem operar as lojas está se exaurindo.

“Os shoppings são os mais preparados para reabrir. Já apresentamos um manual de como será feito. Terá uma redução, só 30% de consumidores e 50% das garagens. Além disso, vamos instalar álcool em gel por todo o canto, os vendedores estarão com máscara de pano e acrílico. Os shoppings são mais preparados do que o centro da cidade que tem um movimento louco, hoje eu passei pela Boca do Rio e estava pegando fogo”, disse.

Paiva também afirma que os lojistas seguem pagando condomínio, funcionário e outros custos que são elevados. Questionado pelo CORREIO se não tinha medo de uma eventual abertura agravar o número de casos na cidade, o empresário declarou que “ninguém sabe o que vai acontecer, se vai aumentar ou não” e que “shopping center não é o epicentro da pandemia”.

“Não é aqui que as pessoas vão se contaminar. Os ônibus estão lotados e contaminando mais do que em qualquer lugar. É o que queremos que as autoridades entendam. É uma coisa enorme, 75% dos shoppings no Brasil já reabriram e estão obedecendo espaçamento, quantidade de garagem. Não queremos abrir para entupir e contaminar todo o mundo”, afirma.

Carreata foi composta por vários carros de luxo. Lojistas pedem, entre outras coisas, isenção de IPTU por tempo proporcional (Foto: Marina Silva/CORREIO)

O presidente do Sindicato dos Lojistas da Bahia (Sindilojas), Paulo Motta, diz que entende que o movimento desta sexta foi legítimo, mas que não teve qualquer participação do sindicato.

“Uma série de protocolos precisam ser tomados para dar segurança ao consumidor e ao comerciário. É preciso encontrar mecanismos para atenuar. O sindicato não teve participação, mas entende que foi importante que fosse feita essa demonstração para que as autoridades entendam isso”, disse.

A Prefeitura de Salvador declarou, em nota, que tem discutido frequentemente, junto aos lojistas, sobre os protocolos de reabertura desses estabelecimentos para vendas presenciais e que esses comerciários estão autorizados a fazer vendas no sistema de drive-thru. 

“Os próprios shoppings entendem que o momento ainda não é de reabrir, pois o percentual de ocupação dos leitos de UTI para pacientes com covid-19 ainda não alcançou o patamar desejado – de 70% para baixo. A retomada das atividades econômicas está acontecendo de forma gradual na cidade e seguindo protocolos de segurança específicos para cada setor, visando a proteção de todos. Em relação a medidas econômicas, a Prefeitura estuda a questão”, diz o comunicado do município.

Quem também afirmou não integrar o movimento encabeçado por lojistas do Salvador Shopping foi a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado da Bahia (Fecomercio), que emitiu comunicado logo após a convocação para realização do ato.

Ao encabeçar a manifestação, os lojistas afirmavam, entre outras coisas, que os shoppings centers são “serviços essenciais para milhares de pessoas”.

A Fecomercio alegou que mantém diálogo com o poder público e conseguiu avanços, como a abertura paulatina de alguns serviços comerciais desde o dia 1º de junho e finalizou seu posicionamento dizendo que “trabalha para o restabelecimento das atividades comerciais com a cautela e segurança que o momento pede, sempre priorizando a preservação da vida”.

Mais protestos
Cerca de 80 motoristas do movimento SOS Transporte Escolar foram à prefeitura para pedir ao Município uma abertura de diálogo para incluir esses trabalhadores em medidas de auxílio financeiro.

Motoristas de transporte escolar pedem que a Prefeitura abra diálogo para ajudá-los durante a pandemia (Foto: Marina Silva/CORREIO)

Integrante do movimento, a motorista Isabel Menezes alega que a prefeitura entende que esses motoristas não se enquadram em casos de vulnerabilidade social.

“Não recebemos auxílio do Governo Federal porque ultrapassamos o teto de R$ 28 mil de renda por ano. Mas nossos carros estão parados há três meses, não temos outra renda e precisamos que a Prefeitura olhe pra nós. Nós existimos, temos que pagar nossas contas de água, luz, alimentação, necessidades…”, explica.

De acordo com o SOS Transporte Escolar, Salvador tem cerca de 900 motoristas cadastrados para trabalhar com esse tipo de transporte, mas estima que um público de 700 a 800 pessoas estejam exercendo o ofício.

A reportagem aguarda posicionamento da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob).

*com supervisão da subeditora Clarissa Pacheco

Fonte: Correio