Conheça carros que são vendidos na América do Sul, mas não chegam ao Brasil

Até o começo da década de 1990 o mercado nacional era fechado, restrito aos automóveis produzidos aqui e raríssimos modelos importados. Bem diferente da diversidade de veículos oferecida atualmente. Mas mesmo assim muitos carros e marcas ainda não são acessíveis aos brasileiros. Há ainda casos de modelos e versões que são produzidos localmente, mas não são comercializados aqui.

O Jeep Renegade ostenta o título de único SUV compacto a diesel do Brasil, mas a Ford também fabrica um modelo assim em Camaçari. No entanto, o EcoSport equipado com motor 1.5 litro a diesel não pode ser vendido aqui. Isso acontece porque o veículo tem tração 4×2 e a legislação brasileira impede a venda. 

Desde novembro de 1976, o uso e a venda de automóveis movidos a diesel são proibidos no Brasil. Para um produto ser comercializado com motor diesel no país é necessário que seja 4×4 com reduzida e/ou tenha capacidade para transportar pelo menos uma tonelada. Dessa forma, o Ford feito na Bahia é vendido no Chile. Por lá, custa 14,44 milhões de pesos, o equivalente a R$ 95.066. No passado, sempre para exportação, outras empresas produziam carros de passeio a diesel no país, como o Peugeot 207 e o Volkswagen Gol, por exemplo. 

No Paraná, a Renault produz uma versão 4×4 da Duster Oroch e exporta para Argentina, Bolívia, Chile, Peru e Uruguai. O utilitário utiliza um sistema similar ao que era utilizado no Duster 2 litros, mas, diferentemente do modelo brasileiro, o sistema de tração nas quatro rodas não foi adaptado à motorização flex na picape. De acordo com a Renault, a demanda no país por essa configuração seria baixa.

Fabricada no Brasil, a configuração com tração nas quatro rodas da Duster Oroch não é vendida aqui (Foto: Antônio Meira Jr. / CORREIO)

A garagem dos vizinhos

De qualquer forma, outras versões desses dois modelos são oferecidas no país. A nossa inveja dos vizinhos é maior quando um modelo é comercializado na América do Sul, mas não chegam às concessionárias brasileiras. Na Argentina, é comercializada inclusive uma marca que não chega ao Brasil, a italiana Alfa Romeo.

Um dos carros que se destaca é o Fiat 500X. Inspirado no visual do subcompacto 500, o SUV é fabricado na Itália, sobre a mesma plataforma do Jeep Renegade. É vendido nas versões Pop Star e Cross Plus, como a que testamos lá no final de 2018. Outros modelos testados pelo CORREIO, como o Ford Kuga e o Renault Koleos são oferecidos no país vizinho.

Na Bolívia, a Honda oferece uma picape, a Ridgeline. O utilitário utiliza um motor V6 (280 cv) a gasolina e sua plataforma é monobloco, como a adotada na Fiat Toro e na Renault Duster Oroch. No entanto, a picape, que é produzida no Alabama (EUA), tem o porte de uma Toyota Hilux. A picape da Honda tem 5,35 metros de comprimento, enquanto a Hilux tem 5,31 m.

Já o Chile é o mercado mais aberto da região. De acordo com a Asociación Nacional Automotriz de Chile (ANAC), mais de 70 marcas são vendidas no país. Isso inclui algumas que já passaram pelo Brasil, como a espanhola Seat ou a japonesa Mazda. Existem ainda algumas inéditas no mercado brasileiro, como as chinesas Brilliance e Great Wall.

A Opel, marca alemã que foi da General Motors, que atualmente pertence a PSA, é outra inédita no Brasil e que oferece seus produtos aos chilenos. Assim, é possível comprar, entre outros modelos, um Opel Corsa por lá.

Previsto para chegar ao Brasil em breve, a versão esportiva do Chevrolet Onix já está à venda na Colômbia desde março. Produzido no Brasil, o modelo é baseado na versão LTZ e tem a mais que a versão intermediária os faróis com projetor, lanternas traseiras de LED e LED diurno na dianteira. Assim, caso o modelo brasileiro siga o que é feito na Colômbia, o RS ficará entre o LTZ e o Premier, sendo o Onix manual mais caro.

No mercado colombiano, a Chevrolet oferece ainda modelos inéditos no Brasil, como os SUVs Blazer RS, Traverse e Tahoe. Por lá, a marca da General Motors trabalha também com ônibus e caminhões – que no passado já foram comercializados aqui.

Na Colômbia, a Mitsubishi já promoveu a estreia da L200 Triton atualizada, modelo que ainda vai demorar mais alguns meses para chegar ao mercado brasileiro. O preço inicial da picape equivale a R$ 190 mil.

O Equador também saiu na frente do Brasil com a nova geração do Nissan Versa. As concessionárias da marca japonesa país são abastecidas por modelos produzidos no México, onde o sedã também é produzido. Para o mercado brasileiro, o novo Versa deveria estrear em julho, mas deverá ser atrasado por conta da pandemia. Os equatorianos podem também escolher modelos da Nissan que não são oferecidos no mercado nacional, como os SUVs Qashqai e Pathfinder.

O Paraguai é outra nação sul-americana que tem novidades em relação ao Brasil. Por lá, a Volkswagen tem em suas concessionárias o Touareg, um luxuoso utilitário esportivo que não oferece mais no Brasil. Na Jeep, acontece o mesmo caso. Nas concessionárias do Paraguai a empresa tem à disposição o Cherokee, que depois da atualização deixou de ser importado para o nosso país.

No Peru, chama a atenção o portfólio da Hyundai. A empresa sul-coreana oferece caminhões, ônibus, modelos híbridos e elétricos. Até o esportivo Veloster, que chegou a ser vendido no Brasil, é oferecido no Peru em sua nova geração. 

Entre os modelos que estavam nos planos da marca para o mercado brasileiro está o Ioniq, que chegou a vir para o Salão do Automóvel de São Paulo em 2016 e que foi avaliado pelo CORREIO em 2017, na Coreia do Sul. O automóvel está nas lojas peruanas em duas configurações: híbrida e elétrica.

O importador da Kia para o Uruguai é o mesmo que o do Brasil, o Grupo Gandini. No entanto, o catálogo é diferente do oferecido aqui, Um dos destaques é o Niro, um SUV menor que o Sportage e que está cotado para por aqui.. É oferecido com motorização híbrida e seu preço é anunciado em dólar americano: US$ 43 mil, o equivalente a R$ 226 mil.

Mercado venezuelano

A Venezuela vive um momento conturbado, não apenas por conta da pandemia, mas mesmo assim algumas marcas continuam operando no país. É o caso da Toyota, que consultada pelo CORREIO informou que “segue com sua planta na Venezuela, mas por conta da pandemia do novo coronavírus ela se encontra fechada, com previsão de volta à produção em 13 de julho”. 

Entre os modelos que a marca japonesa oferece por lá e não comercializa aqui está o Land Cruiser 71 LX, um SUV da mesma família do Bandeirante, que já foi feito no Brasil. Já a Fiat Chrysler Automobiles (FCA) comercializa apenas dois produtos lá: Ram V 700 Rapid e o Jeep Renegade. Ambos são produzidos no Brasil, e o Ram V 700 Rapid é o Fiat Fiorino rebatizado.

Mas outras empresas encerraram a operação no mercado venezuelano, como a Chevrolet. O site da Renault, por exemplo, está ativo e indicam dois modelos, Sandero e Kangoo. Mas não há indicação de preços, pois não existem unidades disponíveis.

Na Venezuela a FCA vende o Fiat Fiorino furgão como Ram V 700 Rapid (Foto: FCA)

Primazia brasileira

O Brasil também tem seus destaques. O Kicks, por exemplo, estreou mundialmente no país, que em 2016 foi sede das Olimpíadas, que tinha a Nissan como patrocinadora. Dessa forma, o mercado brasileiro saiu na frente até mesmo do México, primeiro país que produziu o modelo e que abasteceu inicialmente as concessionárias daqui. Posteriormente, a fábrica da marca em Resende, interior do Rio de Janeiro, começou a montar o veículo. Na mesma época, o Kicks começou a ser vendido nos Estados Unidos, que recebeu as unidades feitas no México.

Neste mesmo ano, a segunda geração do Compass debutou primeiro no mercado brasileiro. Isso aconteceu porque o SUV da Jeep começou a ser produzido em Goiana, Pernambuco.

O Ford EcoSport é outro que estreou no Brasil e depois ganhou o mundo. O veículo, que foi desenvolvido em Camaçari, é atualmente produzido e comercializado em vários mercados.

Outro utilitário esportivo, o Volkswagen Nivus, foi desenvolvido no país e será lançado na semana que vem no mercado nacional. Só daqui a alguns meses o SUV com estilo coupé começará a ser produzido na Espanha para atender o mercado europeu.

Em 2016,  Brasil foi o primeiro país a comercializar o Nissan Kicks (Foto: Marcos Camargo / Nissan)

Importação direta

É claro que qualquer pessoa pode importar de forma independente qualquer modelo para o país, desde que todas as taxas sejam pagas. Há, inclusive, empresas especializadas nesse comércio. No entanto, é preciso respeitar as leis vigentes no Brasil. Um carro de passeio a diesel, por exemplo, não pode ser importado.

Fonte: Correio