Mais de 70 mil pessoas não receberam diagnósticos de câncer no Brasil

Desde o início da pandemia, pelo menos 70 mil pessoas já deixaram de receber diagnóstico de câncer. As estatísticas, levantadas pelas Sociedade Brasileira de Patologia (SBP), refletem o medo dos pacientes de contraírem o coronavírus. Para conscientizar a população que os riscos podem ser muito maiores do que o receio, o grupo Oncoclínicas criou a campanha “O câncer não espera. Cuide-se já”.

O fundador e presidente do Conselho de Administração do grupo Oncoclínicas, Bruno Ferrari, ressalta que o objetivo é alertar sobre o perigo da interrupção do tratamento ou adiamento de consultas. “Nos casos de câncer, o diagnóstico precoce, associado ao tratamento adequado, é fundamental para aumentar as chances de cura”, destaca Ferrari.

Para minimizar os impactos, o grupo tem apostado em medidas de segurança como intensificação nos protocolos de higiene e testagem quinzenal dos médicos e colaboradores. “Nos dois primeiros meses, a taxa de tratamentos interrompidos ficou entre 30% e 40%. A partir daí, começamos a desenvolver ações para transmitir ainda mais tranquilidade ao paciente, fizemos uma busca ativa junto a eles para mostrar os novos fluxos que foram criados. Agora, essa taxa caiu para menos de 10%”, explica Ferrari.

O grupo tem 850 médicos e 2.400 colaboradores. A cada duas semanas, praticamente todos são testados, mesmo sem sintomas, como forma de se antecipar a qualquer sinal da Covid. Até agora, mais de 6.000 testes foram aplicados. “Nós adaptamos nosso laboratório para desenvolver um teste combinado de PCR e sorológico. Além dos profissionais, também testamos pacientes que apresentem o mínimo sintoma”, explica Ferrari.

 

De acordo com dados da SBP, o número de biópsias realizadas em Minas Gerais caiu 80% em relação ao ano passado. No grupo Oncoclínicas, que normalmente atende 40 mil novos casos por ano, a procura desse tipo de paciente, que ainda não sabe se tem ou não a doença, caiu pela metade. “O índice de cura está intimamente ligado ao diagnóstico precoce. Daí a nossa preocupação em fazer esse alerta e mostrar a importância de fazer os exames, pois o câncer não espera”, destaca Ferrari, lembrando que, embora a área de atuação do grupo seja o câncer, a campanha serve de alerta para pacientes portadores de qualquer outra doença que precisa de acompanhamento.

Adaptações na rotina

A engenheira Patrícia Bustamante Gontijo tem medo da Covid, mas teme ainda mais os riscos de interromper o tratamento do câncer de mama. Além das medidas tradicionais como uso de máscara e isolamento, ela arrumou uma estratégia para reduzir as idas à clínica. “Eu tomava uma injeção a cada 21 dias e buscava medicamento a um medicamento a cada 21 dias. Conversei com o médico para poder atrasar a injeção e ir sair só uma vez”, conta.

Fonte: Agencia Brasil