Passos firmes para a retomada

O distanciamento social como forma de prevenção contra o novo Corona Vírus vem sendo flexibilizado e alguns segmentos receberam autorização para voltar a funcionar na forma presencial. No entanto, vale salientar que, mesmo com o retorno às atividades, permanecem as exigências quanto aos cuidados de higienização dos locais, além da responsabilização por contaminação para colaboradores e clientes. 

Para que as empresas possam retornar às atividades com segurança e o máximo de tranquilidade possível, o Correio reuniu dicas que vão desde a organização dos espaços até a gestão das pessoas, sem esquecer sugestões para garantir a proximidade com a clientela.  

Para a gerente da unidade de Gestão Estratégica do Sebrae-Bahia, Isabel Ribeiro, enquanto a vacina contra a COVID-19 não chegar, todo o cuidado será pouco para garantir os requisitos higiênico-sanitários recomendados pela Organização Mundial de Saúde. “Há de se ressaltar que o retorno à uma situação em que efetivamente o vírus não foi debelado, vai implicar em custos adicionais não previstos originalmente por determinadas tipologias de empreendimentos com aquisição de equipamentos de proteção individual (EPI)”, diz, ressaltando que alguns desses itens, especialmente aqueles que não são produzidos no Brasil, deverão sofrer elevação nos preços. “Para essas situações, é recomendável recorrer às entidades representativas de classes empresariais para atuação em rede, visando aquisição de grandes lotes com preços mais acessíveis”, sugere.

A representante do Sebrae Bahia, Isabel Ribeiro lembra que os custos adicionais com a higienização precisa ser computado para o processo de retomada (Foto: Divulgação)

Novos tempos

O presidente da seccional Bahia da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-BA) Wladimir Martins diz que o retorno das atividades não pode ser feito de qualquer maneira e que é fundamental preparar os colaboradores para esse novo momento. “Se a quarentena pegou a todos de surpresa, o momento de retomado precisa ser muito bem planejado e comunicado de modo muito claro”, defende Martins.

O presidente da ABRH-Bahia salienta a importância de compreender que a retomada será lenta e precisará ser feita em etapas (Foto: Divulgação)

Wladimir acredita a retomada será feita em três momentos: a sobrevivência, a manutenção e o avanço. “As empresas não voltarão a atuar do jeito que saíram. A sociedade mudou e não adianta querer atropelar o processo, do contrário, será impossível viver e sobreviver aos desafios econômicos que os empreendimentos terão adiante”, esclarece. 

A gerente do Sebrae salienta ainda que, como nesse momento ainda haverá regras para evitar aglomeração, condicionando a circulação e permanência de clientes nos estabelecimentos, não se pode desprezar os impactos no fluxo de caixa. “Dessa maneira, os empreendedores, mesmo estando autorizados a funcionar, devem considerar a elevação de custos relacionados aos cuidados com a higienização e declínio das receitas, devendo controlar minuciosamente os fluxos de caixa”, completa. 

Digitalização dos negócios

Isabel Ribeiro chama atenção também para o fato de que a quarentena alterou os hábitos de consumo, especialmente nas plataformas digitais. “A migração forçada e em velocidade acelerada para os meios digitais implicou em um processo de transformação para um número importante de empreendimentos que, sequer, consideravam tal alternativa”, pontua.

Se por um lado, a transformação digital trouxe para os empreendimentos vantagens como uma redução nos custos fixos e variáveis, a exemplo consumo de água, energia, papel, manutenção de equipamentos, gastos com deslocamentos, entre outros. Por outro também exigiu uma nova visão de gestão de trabalho, uma vez que o colaborador passou a ficar em casa e ter jornada de trabalho, trabalhos domésticos e proximidade com os familiares, com um novo estresse proveniente desse momento. “A adoção total e parcial do home office é um aspecto organizacional que deve ser levado em consideração para o novo momento”, diz a representante do Sebrae.

As transformações digitais também incluíram uma nova forma de comunicação com os clientes, que exigiram uma profissionalização do uso das redes sociais e os serviços de delivery ou lojas virtuais. “No entanto, essa nova forma de prospectar e vender ainda exige ajustes que garantam a de fidelização e ampliação da clientela, além de preparar uma retaguarda: logística, distribuição, embalagens”, ressalta. 

Por fim, Wladimir Martins salienta que, para acolher bem o perfil novo de consumidor, os colaboradores também precisarão ser alvo desse cuidado e, por isso mesmo, precisam ser acolhidos e tratados como peças importantes para essa retomada. “O resultado é importante, mas ele chegará com mais dificuldade se o empresariado não se der conta que esse será um momento de reconstrução lenta”. 

Guia para o pós quarentena 

•    Sempre e antes de qualquer iniciativa, avaliar se realmente tem condições de adotar medidas preventivas de proteção ou minimização da circulação do vírus no ambiente onde está funcionando as atividades empresariais;

•    Considerar predominantemente atitudes preventivas para o contágio das pessoas – clientes e fornecedores: uso de EPI, distanciamento, evitar aglomerações, ventilação dos ambientes, intensificação da higienização;

•    Estudar possibilidades do uso de multicanais de interações para vendas e relacionamentos com clientes, ou seja, adicionar aos canais presenciais alternativas virtuais (e-commerce, central de relacionamento, redes sociais, plataformas). É o momento de resgatar e ampliar a carteira e clientes;

•    Gestão de recursos financeiros: analisar perdas e/ou restrições de receitas durante e pós o isolamento social, considerando gastos adicionais com insumos para higienização, EPI, amortização de financiamento, caso tenha tido acesso; negociações com fornecedores e antecipação de receitas junto a cliente.

•    Gestão de recursos humanos: o isolamento por si só alterou o comportamento dos seres humanos frente a um vírus para o qual, até o momento, não se encontrou um tratamento eficaz (vacina). Além disso, a retração na economia, com medidas governamentais, que permitiram a flexibilização nas relações trabalhistas,  levou a profundas incertezas quanto à renda de sobrevivência para os  empregados. Para os empregadores, fortes incertezas na geração de receitas, associada à sensação de abandono por parte do poder público, especialmente nas questões pertinentes ao acesso ao crédito. O clima de incertezas e temores precisam ser administrados nos ambientes corporativos e requisitam revisões nestas relações que considerem a empatia e cuidado com o outro, a cooperação e a criatividade para encontrar alternativas de sobrevivência, harmonização nas relações de trabalho e melhorias no clima organizacional.
(Fonte: Isabel Ribeiro)

Emoções positivas e a produtividade

Uma pesquisa realizada pela psicóloga Barbara Fredrickson, pesquisadora da Universidade da Carolina do Norte, mostrou que as empresas que replicavam apenas más notícias em momentos de crise apresentavam resultados financeiros inferiores. Por outro lado, as empresas que levavam com maior frequência artifícios positivos para seus funcionários, apresentavam resultados financeiros superiores. A equação desse equilíbrio, conhecida como Razão de Losada pode ser uma boa estratégia para a retomada, porque o impacto da emoção positiva nos colaboradores traz redução de estresse e o aumento do bem-estar e da produtividade.

Emoções positivas dentro das organizações:

1- Empatia: Ter líderes preparados para acolher e demonstrar interesse pelos desconfortos e desafios de seus colaboradores;

2- Investir em encontros: Organizar eventos, mesmo que virtuais, onde as pessoas possam compartilhar suas conquistas, aprendizados e desejos;

3- Estimular o bem-estar: Implantar programas treinamentos e workshops para redução de estresse e promoção de bem-estar.

(Fonte: Rebeca Toyama, especialista em estratégia de carreira)
 

Fonte: Correio