Salvador não tem previsão de reabertura de shoppings; em Feira, prefeitura autorizou

Coordenador regional da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce-BA), Edson Piaggio informou que não há previsão de retorno do funcionamento dos shoppings em Salvador. Na semana passada, o prefeito ACM Neto (DEM) prorrogou até 30 de junho as medidas de combate à pandemia, que determinaram o fechamento de shoppings, comércio de rua e outras atividades. Em Feira de Santana, o shopping Boulevard Feira reabriu na última quinta-feira, 18 de junho.

Mesmo sem data prevista de reabertura em Salvador, Piaggio diz que os shoppings já estão preparando um protocolo de segurança que está sendo debatido com a equipe técnica da prefeitura. Segundo ele, o protocolo é endossado pelo Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo, que também prestou consultoria para o Boulevard Feira. 

“A Abrasce se reuniu com eles para saber qual a maneira segura de reabrir, quais medidas devem ser adotadas. A decisão de quando o shopping vai reabrir é do prefeito, mas nós temos que estar preparados para quando ele determinar a data de abertura. Claro, o prefeito levará em consideração o aspecto e capacidade do sistema de saúde da cidade para decidir quando reabrirá. A nós, cabe estarmos preparados para quando isso for anunciado”, disse o coordenador.

O protocolo tem, até agora, 23 itens de segurança, entre eles: abertura em horários que não sobrecarreguem o transporte público; testes em todos os funcionários do centro comercial, inclusive terceirizados; medição de temperatura de todos os clientes com impedimento de entrada de pessoas com temperatura elevada; estabelecer lotação máxima para todas as lojas; manter distanciamento entre os clientes, com demarcação no piso; disponibilizar álcool gel na entrada dos shoppings e na entrada de todas as lojas; não realizar promoções ou eventos que provoquem aglomerações.

Segundo Piaggio, o país tem 448 grandes shoppings centers. Em Salvador, existem pelo menos 11 grandes centros comerciais, que geram 30 mil empregos diretos, conforme dados da Abrasce. No anúncio da prorrogação dos decretos de restrições, o prefeito ACM Neto justificou que as medidas visam ampliar o isolamento social e aliviar a pressão sobre o sistema de saúde.

Reabertura em Feira de Santana: MP-BA pediu explicação

No mesmo dia da reabertura do shopping de Feira, o Ministério Público da Bahia (MP-BA) solicitou explicações do prefeito Colbert Martins (MDB) para que a administração municipal de Feira de Santana apresentasse informações técnicas que justificassem a flexibilização da restrição de funcionamento do comércio local. 

O MP-BA pediu que a prefeitura apresente a taxa semanal de aumento de casos nos últimos 30 dias, além da taxa semanal de óbitos por covid-19 no mesmo período, entre outros dados, como índice de isolamento social na cidade. De acordo com a gestão, as informações já foram encaminhadas ao órgão.

Feira de Santana soma, ao todo, 1416 casos confirmados, dos quais 740 ainda estão ativos e 37 morreram, segundo dados do boletim epidemiológico da Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab) desta segunda. Salvador acumula 23.639 casos, dos quais 9.982 ainda estão com o vírus ativo e 919 pessoas morreram. Ainda de acordo com o boletim, Feira ficou entre os 50 municípios baianos com crescimento maior do que 6% nas últimas 24h. A cidade é a terceira com mais casos no estado, atrás de Salvador e Itabuna.

Em resposta nesta segunda-feira (22), o MP-BA recomentou que a prefeitura promova medidas sanitárias para evitar situações que permitam a proliferação da covid-19 durante as datas comemorativas de São João e São Pedro na cidade. A recomendação foi encaminhada pelo promotor de Justiça Audo da Silva Rodrigues à Secretaria Municipal de Saúde. Segundo o promotor, os últimos boletins epidemiológicos têm mostrado “avanço de casos e de óbitos por Covid-19 em Feira de Santana”.

Também nesta segunda-feira (22), o prefeito de Feira de Santana prorrogou até dia 29 de junho a autorização para reabertura de parte do comércio de rua de forma escalonada. Segundo o gestor, todas as decisões têm sido tomadas com base na ciência e em dados. Para ele, a cidade teve uma retomada consciente do funcionamento do comércio.

Agora, os estabelecimentos comerciais com até 200 m² poderão abrir entre às 9h e 16h, mas em dias específicos a depender do setor. Nas segundas, quartas e sextas-feiras, estão autorizadas a funcionar, por exemplo: óticas, locadoras, concessionárias, lojas de conveniência, floristas e outros. Nas terças, quintas e sábados, funcionam: material de construção, barbeira, salão de beleza e outros.

Aos domingos, haverá a suspensão de todas as atividades, com exceção de serviços essenciais, como farmácia e supermercado, que não tem restrição para o funcionamento. No caso dos shoppings, poderão abrir de segunda a sexta até o dia 29 de junho, mas entre 12h e 19h. Permanecerão fechadas, entretanto, as praças de alimentação. O Centro de Abastecimento ficará aberto entre 4h e 14h, já as galerias, MAP e Galpão Arte das 9h às 16h.

Moradora da cidade, a estudante de Relações Internacionais Brenda Borges acha ‘irresponsável’ o ato.

“As pessoas são irresponsável de qualquer jeito, mas a decisão do prefeito é ainda mais irresponsável porque não ajuda as pessoas a ficarem em casa. Os leitos de Feira estão muito ocupados, não tem sentido. Nos últimos dias, perdi uma pessoa da família para a covid-19. Eu esperava que ele forçasse as pessoas a ficarem em casa, mas ele está forçando a trabalhar, a pegar transporte. É válida a questão econômica, mas nessas condições não dá, é uma decisão incorreta”, defende.

Fonte: Correio