Frederick Wassef e Fabrício Queiroz se conhecem há pelo menos um ano e meio, segundo aponta reportagem do Jornal Nacional divulgada nesta quinta-feira (25). Os dois estiveram em um hotel em Atibaia, no Natal de 2018, contrariando a afirmação de Wassef de que não tinha relação com o ex-assessor de Flávio Bolsonaro.

Fabrício estava acompanhado de Wassef ao se hospedar no Hotel Faro, em Atibaia. Eles tiveram uma reunião em uma das salas do hotel. O nome ficou registrado no sistema de hóspedes. Uma funcionária diz que o advogado estava junto de Queiroz na hora do check-out, no dia 26 de dezembro. O advogado era frequentador do hotel, segundo funcionários.

Patrick Silva, ex-funcionário do hotel que fez o registro do ex-assessor de Flávio Bolsonaro, afirma que Wasseff pagou pelo quarto de Queiroz em dinheiro.

Advogado de Flávio
Frederick Wassef praticamente não tinha experiência em processos criminais antes de assumir a defesa do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ).

Segundo o jornal O Globo, não há registros da atuação de Wassef em ações de nenhum outro cliente além do filho do presidente, exceto por algumas de interesse particular dele e de sua ex-mulher. Ele deixou a defesa do senador nesse domingo (21),

O jornal destaca que desde 2007 Wassef é sócio de um escritório com sua prima, Solveig Fabienne Sonnenburg, em Atibaia (SP). Foi no imóvel que o ex-assessor parlamentar Fabrício Queiroz foi preso na semana passada por suspeita de participar de um esquema de rachadinha com o então deputado estadual Flávio Bolsonaro.

No Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), porém, Wassef aparece como advogado em só três ações, todas de interesse particular dele mesmo.

Sua sócia, Solveig, não atua em processos criminais. Ela está listada como advogada em 36 ações judiciais no TJ-SP, a maioria na área de direito civil ou tributário. Nas peças, diz representar o escritório Wassef & Sonnenburg, mas assina sozinha.

Já no TJ-RJ, Wassef aparece apenas como advogado de Flávio Bolsonaro, na investigação recente sobre a “rachadinha”. O Globo buscou também pela atuação de Wassef nos sistemas dos Tribunais Regionais Federais e nos TJs de todas as unidades da federação. Em nenhum deles há processos em que Wassef atue em nome de outro cliente.

Wassef tirou sua carteira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em 1992. O fato de não ter atuado em processos não impede que ele tenha trabalhado como consultor ou apenas na fase de inquérito criminal, em que o nome do advogado costuma ser sigiloso. Em entrevista à revista Época, no ano passado, Wassef explicou sua atuação “discreta”:

“Toda vida fui um cara discreto, não gosto de fama ou de holofote. Vou lá e faço tudo fisicamente. Assino. Você nunca vai achar meu nome nos processos eletrônicos, e faço de propósito. Não quero que saibam que advogo para o Flávio Rocha (acionista das lojas Riachuelo), para o David Feffer (acionista da Suzano Papel e Celulose)”, declarou.

Na ocasião, a revista entrou em contato com Flávio Rocha, que negou que Wassef tenha prestado algum serviço para ele. Já os representantes de David Feffer informaram que ele nunca foi cliente desse advogado ou de seu escritório. Em São Paulo, mesmo em processos físicos em que Wassef eventualmente tivesse atuado, seu nome apareceria em uma ficha cadastrada on-line — além disso, só processos antigos são físicos no estado.

Fonte: Correio