Aglomeração, não tinha, mas o truque… Ao contrário do que foi visto nos primeiros 15 dias deste mês, a Orla da Barra não registrou aglomeração nesta sexta-feira (27), no primeiro dia de implantação do protocolo de abertura do trecho. No entanto, um outro problema surgiu: os truqueiros. Isso mesmo! Tru-quei-ros. Algumas pessoas usavam as máscaras, itens obrigatórios segundo o protocolo, apenas para passar pelos postos de controle da Guarda Municipal. Cruzada a barreira, os espertinhos colocavam as máscaras abaixo do queixo ou no bolso e seguiam como se nada estivesse acontecido. 

E a tática era repetida toda vez que os espertalhões – jovens, adultos e idosos – se aproximavam de um dos quatro postos de controle da GM. Conforme o protocolo, o acesso à orla da Barra só é permitido com o uso de máscaras, uma das medidas para evitar a proliferação do novo coronavírus. “A Guarda Civil Municipal fará os controles dos protocolos, mas precisamos da participação e colaboração de todos para que a segurança planejada seja obtida”, declarou o superintendente da GM Maurício Lima. A fiscalização é feita em postos de controle montados em frente ao Barracenter, Farol da Barra, Marazul Hotel e Porto da Barra.  

Máscaras foram colocadas abaixo do queixo por alguns pedestres (Foto: Marina Silva/CORREIO)

O CORREIO circulou na manhã desta sexta-feira (27) pela orla da Barra e não foi difícil flagrar os espertinhos. Logo por volta das 8h40, quando a equipe se aproximou do posto do Hotel Marazul, um grupo de quatro pessoas tinha acabado de retirar a máscaras assim que se afastou dos guardas municipais.

“Infelizmente não podemos fazer nada. Não temos como fiscalizar 100%. A pessoa se aproxima e suspende a máscara. Quando passa por nós, nem espera virar a esquina e tira logo a máscara. A gente não tem como ir atrás dessa galera truqueira. Cabe a conscientização de cada um”, disse um dos guardas municipais no posto de controle em frente ao Hotel Marazul. 

Truque
Algumas pessoas flagradas pelo CORREIO concordaram em falar, mas na condição de anonimato. Uma delas é um empresário de 40 anos, morador da Graça. Ele já tinha passado pelo posto da GM em frente ao Barracenter e, ao chegar no Farol da Barra, onde há outro grupo de guardas municipais, pôs a máscara e seguiu com a corrida.

“Tirei (a máscara) porque tenho dificuldade de respirar com ela”, justificou ele, que disse correr habitualmente no local.

Conforme orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS), do Ministério da Saúde e demais autoridades sanitárias, o uso da máscara evita que as pessoas sejam contaminadas ou que elas infectem outras pessoas.

Perguntando sobre a importância do uso contínuo da proteção facial, o empresário deu a seguinte declaração: “As pessoas que têm problemas de saúde devem ficar em casa. Os estudos dizem que, para a pandemia acabar, 80% das pessoas terão que ter o vírus. Eu não tenho medo”, disse antes de voltar a correr, sem máscara, e sem citar as fontes dessa pesquisa.

Um corretor de seguros de 35 anos, morador da Barra, caminhava entre o farol e o Marazul Hotel. A máscara dele estava no bolso. “Então… guardei só para falar com um amigo, mas já ia colocar mais à frente”, disse escabreado. Ele disse que acha importante o uso do equipamento, mas reprovou para a corrida. “É difícil para correr. A gente fica com falta de ar”, emendou.

Reprovação
A atitude dos truqueiros foi reprovada por algumas pessoas, entre elas a empresária Rosana Ribeiro Gonzales, 48. Dona de imóveis na região, ela que perdeu um inquilino para a covid-19. “As pessoas não sabem o quão essa doença é grave. Eu vim da Ondina pra cá e vi várias pessoas segurando as máscaras. Quando eu falava, com todo o jeito, ainda assim não gostavam. Infelizmente as pessoas só terão consciência quando perderem alguém próximo”, declarou ela, que pedalava em direção ao Porto da Barra. 

A empresária Rosana é contra a atitude dos truqueiros (Foto: Bruno Wendel/CORREIO)

Quem também é contrário aos arteiros é o psicanalista Lula Portugal, 53, morador da Barra, que passeava com seus cães de estimação para que pudessem fazer suas necessidades.

“Na minha opinião não deveria ser permitido exercício físico na orla, porque as pessoas expelem gotículas quando correm. Uma coisa é você sair de casa numa pandemia para trabalhar numa feira, outra coisa é você sair para correr na orla. Isso, pra mim é puro egoísmo, porque muitas pessoas que correm são jovens, com boa saúde e, por isso, são assintomáticas e estão nem aí para outras pessoas”. 

Sem máscaras
O CORREIO flagrou também outras pessoas sem máscaras. Mas essas alegaram que não sabiam do protocolo, que obriga o uso do equipamento para circular na orla. Foi o que aconteceu com o empresário britânico Robert Mannilg, 55, que mora há 10 anos na Barra. “Saí de casa rápido para dar um passeio com os cães e não lembrava que hoje já era obrigatório”, disse ele, após pôr a máscara que fora entregue por um dos guardas municipais no porto do Farol da Barra. 

O empersário ganhou máscara da Guarda Municipal (Foto: Bruno Wendel/CORREIO)

O engenheiro civil Abdo Abreu, 65, caminhava em frente ao farol quando uma guarnição parou e o indagou. “Não sabia. Estava correndo”, declarou ele, que continuou a atividade física, desta vez com a máscara. 
 

Fonte: Correio