O FaceApp ganhou notoriedade pela primeira vez em 2019, dois anos após ser criado. O aplicativo criado pelos russos da Wireless Lab começou a ser usado para brincar de envelhecer, mudar cor de cabelo ou o gênero das pessoas. Logo começaram as denúncias de aproveitamento de dados de usuários e o aplicativo caiu e desuso. Até o FBI, a polícia federal americana, entrou no jogo, atestando a insegurança da ferramenta.

Em meio à pandemia do novo coronavírus, o FaceApp, que já tem mais de 100 milhões de downloads só na Play Store, voltou com uma ferramenta mais bem desenvolvida e um novo termo de uso e de privacidade. Como muita gente ignora as letrinhas, o que chamou a atenção mesmo foi o poder de ‘transformação’ de gênero do app. Celebridades e pessoas comuns não vacilaram em postar fotos de como ficariam.

Mas e a segurança? Mudou mesmo?

Maísa Silva foi uma das celebridades a usar o FaceApp (Foto: Reprodução)

Os especialistas defendem que não. Os usuários ainda correm riscos ao utilizar o FaceApp, que, agora, tem os termos de uso alocados para a FaceApp Inc., com sede nos EUA. Analista sênior de segurança da Kaspersky, conhecida pelo antivírus homônimo, Fábio Assolini aponta um dos principais problemas a coleta de dados e o compartilhamento dessas informações para fins de publicidade, enumerados nos termos de uso de forma bastante vaga. 

“Além disso, é preciso ter consciência que esses dados estão armazenados em servidores de terceiros, e que também podem ser roubados por cibercriminosos e utilizados para a falsificação de identidades. Mais de 60% dos brasileiros não leem esses termos (de uso e privacidade) e esquecem de pensar sobre como seus dados podem ser utilizados”, diz Assolini.

Os termos ‘pouco diretos’ também são criticados pelo advogado Marcelo Crespo, especializado em Direito Digital. “Quando você lê uma política de privacidade genérica deve desconfiar de que não estão contando o que será feito com seus dados pessoais. Esse uso pode ser completamente diferente do que o aplicativo está se propondo”, alerta. 

Atris Vitória Strada também mostrou efeitos do app (Foto: Reprodução)

“Quando não podemos saber o que é feito com nossos dados, possivelmente teremos situações que não vão nos agradar com o seu uso. Pode ser um rastreamento de comportamentos para nos ofertar produtos e serviços personalizados, mas, pode também, ser usado para nos eliminar de processos seletivos, de impedir acesso a direitos que, normalmente teríamos se não fosse essa invasão à nossa privacidade”, crê o advogado.

Em tempos em que o reconhecimento facial já é usado com senha em diversos dispositivos, como os próprios celulares, dar essa ‘boquinha’ para uma empresa é bem arriscado, ainda que as pessoas já compartilhem fotos em outros aplicativos e sites, como Instagram e Facebook.

Mas FaceApp coloca em seus termos que existe coleta de dados do usuário, não só das fotos, mas de localização, do dispositivo, dados de navegação (como histórico e plug-ins). Tudo isso sem ser necessária um login de usuário. Além disso, os termos não dizem o que será feito com suas informações caso você desinstale o aplicativo.

O analista da Kaspersky deixa algumas dicas sobre aplicativos do tipo do FaceApp:
•    Tenha certeza de que o aplicativo é de confiança e está nas lojas oficiais;
•    Leia os termos de privacidade para entender que informações são solicitadas;
•    Entenda o reconhecimento facial como uma senha – não saia utilizando em todos os lugares;
•    Sempre verifique quais permissões são solicitadas, como login associado a uma conta existente em determinada rede social.
 

Fonte: Correio