Do lado de fora, dava para contar o número de pessoas na missa das 10h. Eram 40 fiéis, afinal, os templos religiosos só podem funcionar restringindo a quantidade de público por causa da covid-19. Entre os católicos sentados em um dos bancos de madeira, estava o artista plástico Adilson Guedes, 52 anos. Desde o início da pandemia, ele e outros cristãos tiveram suas primeiras missas presenciais neste domingo (28), na Catedral Basílica, no Terreiro de Jesus. 

“Estou muito emocionado. Esta é a primeira vez que entro numa igreja desde que desde o surgimentos dos primeiros casos do coronavírus na Bahia. Vim rezar porque estamos passando por um momento muito difícil. Minhas orações foram direcionadas para as pessoas que estão padecendo nos hospitais por conta dessa doença. Tenho fé que Deus irá curá-los e confortá-los também”, declarou Adilson, após o encerramento da missa. 

Vestido branco, ele levou o que é chamada de Estandarte da Fé – uma obra feita de isopor, tinta e adereços que homenageia a Santa Dulce dos Pobres. “O Estandarte da Fé sempre está comigo. Leva sempre nas procissões, que foram suspensas por causa da pandeia”, disse Adilson, que ligou para a catedral e garantiu o lugar na celebração que homenageou os apóstolos São Pedro e São Paulo. 

Para a solenidade dos apóstolos Pedro e Paulo, o arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, Cardeal Dom Sergio da Rocha, presidiu  a missa na Catedral Metropolitana Transfiguração do Senhor (Catedral Basílica). A Celebração Eucarística teve início às 10h. Foram permitidas no templo apenas 50 pessoas, entre os fiéis e os membros da igreja. A medida visa evitar aglomerações. As pessoas interessadas em participar ligaram para a secretaria da catedral. 

A missa foi a quarta realizada com restrição do número de pessoas no templo. “As missas são importantes para a manutenção da fé. Mas a fé não está na igreja. Tem que estar em qualquer lugar que vá, na igreja, em casa, no trabalho. O importante é oração com Deus”, declarou o padre Abel Pinheiro, pároco da catedral.

Na segunda-feira (28), por sua vez, serão celebradas missas na Paróquia São Pedro (Praça da Piedade), às 8h, 10h, 12h e 16h. Devido à pandemia de covid-19, as Celebrações Eucarísticas também terão números reduzidos de pessoas.

Os fiéis precisaram sentar com distanciamento de dois metros, um em cada banco. Antes, ao entrar no templo, limparam as mãos com álcool em gel e, com exceção do arcebispo, todos os envolvidos estavam de máscara. 

Assim como Adilson, o também artista plástico Djalma Santos, 46 anos, estava pela primeira vez num templo católico após a pandemia. “Vim aqui para pedir a proteção de todas as pessoas. Liguei e garanti o meu lugar. Pedi para que o nosso bom Deus tenha piedade de todos nós e nos livre logo desse mal que já abalou todos os povos do mundo”, comentou ele, ao mesmo tempo que segurava sua obra A Cruz Fitada – uma cruz com mais de 1,2 mil fitinhas do Bonfim amarradas. 

Católica fervorosa, a aposentada Deodinice Carvalho Santa Rosa, 79, também marcou presença. Ela é da Paróquia da Igreja de Sant’Ana, no Rio Vermelho. A idosa estava acompanhada da sobrinha, Vânia Santa Rosa, 45. “Ela é muito católica e não queria deixar de vir, ainda mais que é amiga do padre”, contou Vânia. 

Também da paróquia de Sant’Ana, a aposentada Maria José de Souza da Costa, 63, se inscreveu durante a semana. “Como hoje não houve missa na Igreja de Sant’Ana, liguei durante a semana e pus meu nome. Gostei muito da missa”, declarou a idosa. 

A Solenidade de São Pedro e São Paulo é uma das mais importantes e antigas do calendário litúrgico, introduzida no século II para lembrar o martírio dos dois santos. A data – 29 de junho – foi escolhida para ocupar o lugar de uma antiga celebração pagã que exaltava as figuras de Rômulo e Remo, os mitos considerados fundadores da cidade de Roma, afinal São Pedro e São Paulo foram os verdadeiros fundadores da Roma cristã. Pedro morreu provavelmente no ano de 64, crucificado de cabeça para baixo. Paulo faleceu ao ser decapitado no ano de 67.

Fonte: Correio